CRIAÇÃO DE RÃS

 
 

Apresentação

A ranicultura se iniciou no Brasil na década de 30, quando um técnico Canadense trouxe alguns casais da rã Touro Gigante de seu país e iniciou a criação no Estado do Rio de Janeiro. Desde então muita coisa se modificou, sendo que o Brasil foi o pioneiro na criação racional de rãs.

Mercado

O mercado potencial é de cerca de três vezes superior à oferta, um dos fatores limitantes desse mercado é o preço que o produto tem chegado aos pontos de venda.
Dados mais recentes estimam a produção brasileira em torno de 400 toneladas anuais, portanto, um mercado ainda em franca expansão.

Localização

Terreno próximo aos centros consumidores e pouco acidentado, variando seu tamanho de acordo com a produção almejada (tamanho médio 500 a 1000 m2). Locais com a temperatura ambiente mais elevada são recomendados, pois as rãs são animais ectotérmicos, adaptando sua temperatura corporal ao ambiente. Em outras palavras "quanto mais quente melhor".

Estrutura

Quando iniciamos uma criação de rãs, podemos fazê-lo com a aquisição de rãs adultas; rãs jovens; girinos ou desovas.

A escolha depende de uma série de fatores como a facilidade de obter os animais nas suas diversas fases, época do ano, fator econômico, etc. Por isso, passamos a analisar cada uma das alternativas mencionadas.

Rãs adultas
Sua aquisição e introdução no ranário devem ser feitas até junho ou julho, para que elas se adaptem e comecem a se reproduzir a partir de agosto ou setembro e até fevereiro ou abril do ano seguinte, quando termina a temporada de reprodução, que abrange os meses mais quentes do ano. Além disso, é a época em que os insetos e outros animais aparecem para servir de alimento para as rãs.

Os animais só devem ser adquiridos quando todas as instalações já estiverem prontas para recebê-los. Essa é a forma de, em menos tempo, começarmos a criação e a produção comercial de rãs.

Girinos
O melhor é adquiri-los em agosto ou setembro, quando o tempo ou os meses vão começando a esquentar e podemos aproveitar todo o verão, época essa, que apresenta as melhores condições para os girinos se adaptarem ao novo ambiente e, também, que se desenvolvam mais rapidamente.

Os lotes de girinos, sempre que possível, devem ser bem uniformes, no que diz respeito ao tamanho dos animais, o que evita ou diminui as possibilidades de competições e canibalismo.

Selecionar os girinos, por tamanho, é uma tarefa muito difícil, trabalhosa, demorada e quase impossível em criações comerciais. Na prática, o que devemos fazer é não misturar lotes ou somente os da mesma idade e tamanho. Uma forma para homogeneizar os tamanhos dos girinos de um lote é colocá-los (na época certa), em tanques-rede.

Desovas
Embora seja o método mais demorado para iniciarmos a produção, podemos perfeitamente começar a criação com desovas adquiridas em ranários de confiança. O maior problema é o seu transporte que deve ser feito com todo o cuidado, em sacos plásticos ou caixas isotérmicas.

Existem portanto, em um ranário comercial diversos setores como:
- Reprodução;
- Embriologia;
- Girinagem;
- Metamorfose e Engorda.
O setor de Engorda representa cerca de 70% das instalações em um ranário.
Para os setores de reprodução e engorda são necessárias áreas secas com cochos e abrigos e uma área com piscina. As outras fases são exclusivamente aquáticas.
Todos os tanques são construídos em alvenaria com cobertura de sombrite 50% e ficam sob estufas agrícolas, como foi mencionado anteriormente. Dessa forma promove-se um aumento da temperatura ambiente, permitindo assim um desenvolvimento mais rápido dos animais.

Equipamentos
Os equipamentos básicos são: bombas aquáticas, comedouros, telas, equipamentos veterinários e etc.

Investimento Inicial:

O investimento varia muito de acordo com o porte do empreendimento e do quantitativo de que dispõe o investidor. Calcula-se o investimento de 55 a 75 reais o metro quadrado de estrutura. Um ranário para ser economicamente viável precisa de pelo menos 700m2, o que requer um investimento de 38,5mil reais se considerar o mínimo; e 52,5mil se considerar o máximo.

Obs.: os valores apresentados são indicativos e servem de base para o empresário decidir se vale ou não a pena aprofundar a análise de investimento.


Pessoal

Irá variar de acordo com a estrutura do empreendimento. Porém para o funcionamento de um ranário do porte citado deverá ter no mínimo dois funcionários além do dono e administrador.

Processos produtivos

A rã possui características biológicas e fisiológicas bem distintas dos animais comumente criados. O seu ciclo de vida compreende uma fase exclusivamente aquática, onde recebem o nome de girinos, e outra terrestre (rã propriamente dita), porém com extrema dependência da água.

Algumas Espécies
São várias as espécies de rãs, pode-se destacar algumas, tais como: a Rã-Touro, Rã-Pimenta, Rã-Manteiga ou Paulistinha, dentre estas citadas a mais indicada para a criação em cativeiro é a Rã-Touro Gigante, devido as suas características zootécnicas como precocidade, prolificidade e rusticidade.

Rã-touro gigante
Também conhecida como rã mugidora e bulfrog americana (Rana catesbeiana, Shaw), é originária das proximidades das montanhas rochosas na América do Norte. A coloração de pele é entre verde-claro e cinza-escuro. É considerada a terceira maior do mundo em tamanho, chegando aos 30 cm de comprimento total (desde o focinho às patas traseiras) e 2,5 kg de peso. A rã-touro vive no máximo 16 anos e sua capacidade reprodutiva é de aproximadamente 10 anos. No Brasil as pesquisas com criação de Rãs-Touro tiveram início no na década de 70.

Reprodução
A rã tem uma extraordinária capacidade de reprodução, porém, se faz importante promover uma contínua melhoria nas condições do plantel.
Não é difícil identificar o sexo de uma rã. A presença de testículos nos machos e ovários nas fêmeas é a característica sexual primária das rãs. Mas, para identificar o sexo dos animais, observe as características secundárias como: tamanho (os machos são menores), diâmetro do ouvido em relação ao do olho e coloração do papo. Quando a rã atinge a sua maturidade sexual, ou seja, está apta para o acasalamento, estas características são visíveis.

Para atingir a maturidade sexual, as rãs sofrem certas influências como: clima, chuva, pressão atmosférica, temperatura, fotoperíodo (tempo de exposição à luz). Estes são os fatores primordiais que atuam no seu processo de maturação do aparelho reprodutor.
As rãs se reproduzem por acasalamento com fecundação externa, ou seja, o esperma é lançado sobre os óvulos, diretamente na água.

O processo inicia-se com o coaxar dos machos, visando a atração das fêmeas; para a desova procuram águas limpas, rasas, calmas e tépidas.

A pressão exercida pelo macho, durante o abraço nupcial, auxilia a fêmea na expulsão dos óvulos. Simultaneamente os machos lançam seu esperma fecundando-os à medida em que são expelidos. Os ovos mantêm-se unidos por uma substância gelatinosa e transparente. A função desta substância é auxiliá-los a flutuar na superfície da água, dar-lhes proteção mecânica e térmica e contra-ataques dos inimigos.

Os embriões (larvas) eclodem 3 a 5 dias após a fecundação. Têm cor negra e nutrem-se do saco vitelino. Depois do décimo dia, aproximadamente, passam a se alimentar do plâncton existente na água e de ração. Em seguida, começam a nadar. Nesta etapa já possuem boca formada.

Nas primeiras semanas ficam no fundo dos tanques, subindo à superfície em grupos para se alimentar. Quando alcançam determinado tamanho, os girinos começam a se metamorfosear, transformando-se em imago e adquirindo hábitos terrestres.

Densidade
A densidade recomendada no setor de reprodução é de 3 animais/m2 , e no setor de engorda, é de 50 rãs/m2. Quanto aos girinos a densidade para a transformação é de 1 girino/litro d'água, e quando se deseja reter o processo de metamorfose essa deve ser de até 20 girinos/litro d'água (estocagem), conforme seu tamanho.
O tempo que o animal leva desde a fase de ovo até o peso de abate é em média de 7 meses e varia conforme a temperatura, manejo, alimentação e potencial genético. Destes 7 meses apenas 4 meses são relativos à engorda propriamente dita, sendo que os 3 meses iniciais são relativos ao tempo em que ocorre a eclosão dos ovos de onde saem os girinos que crescem e sofrem a metamorfose. Esses últimos sofrem diversas transformações internas e externas até se transformarem em rãs jovens.

Alimentação
Para os girinos em processo de metamorfose recomenda-se administrar ração para trutas ou rãs (aproximadamente 40% de Proteína Bruta) na forma farelada, na quantidade de 10% do seu peso vivo por dia (1O mês), relação essa que deve ser diminuída para 5% e 2% nos meses subsequentes. Já para as rãs, a ração a ser ofertada (também com aproximadamente 40% de PB), deve ser peletizada e acrescida de inicialmente 20% de larvas de dípteros. A ração pode ser oferecida também sobre cochos vibratórios, ou oferecida a lanço diretamente sobre a água com acontece em um sistema conhecido como "inundado".

Melhoramento da espécie
Para obter-se um melhoramento da espécie em ranicultura, há dois principais caminhos:
- Melhoramento das condições ambientais. Esta ligado a melhoramentos na alimentação, sanidade, construção, etc. Pode conduzir a um rápido retorno, mas precisa ser sempre renovado.

- Melhoramento genético. É um trabalho mais a longo prazo, com gastos elevados, porém, benefícios permanentes. Este trabalho em geral é promovido e patrocinado por institutos e centros de pesquisa. Os animais são escolhidos dentro do padrão de produção desejado. Devem ser sadios, fecundos, resistentes a doenças e apresentar um bom crescimento, de forma a induzir uma melhoria na criação. A seleção é feita ao longo de todo o ciclo de vida do animal.

É válido lembrar que o campo da genética aplicada à ranicultura é amplo, mas infelizmente ainda pouco explorado. Assim sendo, recomenda-se que o próprio ranicultor desenvolva a melhoria do seu plantel, através de seleção. Esta seleção consiste em escolher os melhores animais dentro de uma população e acasalá-los entre si.


Estrutura de produção

É distribuída por setores, que são:
- O Setor de Reprodução. É constituído de duas áreas distintas: as baias de mantença e as de acasalamento. Na primeira, as rãs reprodutoras são mantidas confortavelmente durante todo o ano, sendo transferidas para as baias de acasalamento quando o ranicultor necessita de desovas. Essas baias de acasalamento podem ser para apenas um casal de cada vez (individualizadas), ou para vários casais (baias coletivas). Após a reprodução, a desova é transferida para o setor de girinos, e o casal retorna para a baia de mantença. Apesar dessa baia ser semelhante às do setor de recria, seus elementos básicos estão em número e dimensões proporcionais ao porte dos reprodutores, que são alojados em uma densidade bem inferior.

- O Setor de Girinos. É formado por um conjunto de tanques, construídos em tamanho e número proporcional ao porte do empreendimento. A desova é depositada em uma incubadeira, onde ocorrerá o desenvolvimento embrionário até a saída das larvas, as quais, decorridos alguns dias, darão origem aos girinos propriamente ditos. Nos tanques, os animais vão se desenvolver até a metamorfose.

- O Setor de Recria. Constituído de baias de recria inicial e baias de terminação. Essas baias consistem de abrigos, cochos e piscinas dispostos linearmente e adequados ao tamanho dos animais.

* Baias de Recria Inicial. Recebem os imagos após a metamorfose, oriundos ou não de uma mesma desova. Quando as rãs alojadas nessas baias alcançam de 30 a 40 g, são tríadas e transferidas para as baias de crescimento e terminação.

* Baias de Crescimento e Terminação. São destinadas a receberem lotes uniformes de rãs oriundas das baias de recria inicial, onde permanecem até atingirem o peso de abate. Nesse momento, são enviadas para a industria de abate e processamento.

Fases da criação
São as seguintes:
- 1º Fase: Inicia-se no setor de reprodução, onde as rãs reprodutoras são mantidas confortavelmente durante todo o ano, sendo transferidas para as baias de acasalamento quando o ranicultor necessita de desovas. Após a reprodução, a desova é transferida para o setor de girinos.
- 2º Fase: No setor de girinos, os girinos são depositados em uma incubadeira, onde ocorrerá o desenvolvimento embrionário até a saída das larvas, as quais, decorridos alguns dias, darão origem aos girinos propriamente ditos. Nos tanques, os animais vão se desenvolver até a metamorfose (imagos).
- 3º Fase: Os imagos são transferidos para o setor de recria, onde são abrigados nas baias de recria inicial, nestas ficam alojados até alcançarem de 30 a 40 g (rãs), são tríadas e transferidas para as baias de crescimento e terminação, onde permanecerão até atingirem o peso de abate. Nesse momento, são enviadas para a industria de abate e processamento.

Clientes

Os principais compradores são: supermercados, butiques de carne e restaurantes. No caso de supermercados, somente os produtores com oferta regular e com grande volume têm condições de atender a esse segmento.

Lembretes

Alguns fatores que devem ser lembrados pelo empreendedor, para que obtenha sucesso no empreendimento:
- O que determina o sucesso do empreendimento não está apenas no potencial do mercado do produto, mas sim na forma como o negócio é gerenciado e na perseverança do empreendedor;
- Antes de implantar o negócio, é importante que seja feito um levantamento de mercado e um bom planejamento das atividades.

OBS. No Brasil, em um ranário, um reprodutor permanece de 4 a 5 anos, em média, e as rãs destinadas ao abate cerca de sete meses a um ano.

Legislação

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