FABRICAÇÃO DE VELAS ARTESANAIS

 
 

Apresentação

As velas mais antigas eram feitas de gordura de animais envolta em tecidos ou fibras vegetais. No Egito, os óleos com um pequeno pavio de tecido mergulhado eram muito comuns.

No século 13, na França, perpetuou-se a tradição de receber artesãos que viajavam, de casa em casa, confeccionando velas feitas de gordura de baleia.
Já entre os romanos era usada a cera de abelha. Na segunda metade do século XVIII, a companhia de gás de Londres introduziu o espermacete na iluminação pública. A substância retirada dos cetáceos tinha combustão mais lenta e, claro, gerava menos custos à administração pública.

A parafina, de que são compostas as velas modernas, só apareceria em 1854. Atualmente, são usadas a estearina e a parafina, ou misturas destas substâncias derivadas do petróleo. A cera de abelha, considerada mais nobre e pura, ainda é utilizada, mas em menor escala.

Velas artesanais

Sua fabricação não é atividade manual de fácil execução, mas atrai grande número de empreendedores e, portanto, concorrentes. Entretanto, mesmo com concorrência significativa, a fabricação de velas artesanais oferece muitas oportunidades para o pequeno empreendedor, que para ter sucesso e estar diferenciado no mercado deverá saber trabalhar com recursos e equipamentos, mas principalmente com criatividade na elaboração e na comercialização de seus produtos e serviços.

Estrutura

A estrutura básica deve contar com disponibilidade de água, energia elétrica e proximidade do centro de consumo, já que a indústria não é poluente.
As dimensões do galpão são reduzidas e correspondem à área de produção, cujo tamanho depende do número de máquinas modeladoras existentes, dimensão do setor de embalagem, existência de depósito de matéria-prima e infra-estrutura bvásica, como sanitários e escritório.

Equipamentos

Os equipamentos básicos são:
- Formas em alumínio
- Pavios artesanais parafinados
- Cortadores
- Recipientes de vidro refratário ou panelas para derreter a parafina
- Máquina Modeladora
- Pincéis e palitos de madeira etc.

Investimento Inicial

Conforme a estrutura do empreendimento, o valor estimado, para o empreendedor iniciar esse tipo de negócio, pode ficar em torno de: R$ 3.500.

Fornecedor

A aquisição de matéria-prima está diretamente relacionada ao volume de produção. Geralmente, os pequenos fabricantes adquirem a parafina no mercado atacadista.

Matéria-prima

As velas são fabricadas a partir da parafina pura (derivado do petróleo, inodoro, de cor branca amarelada), que queima quando em contato com chama luminosa, que é conduzida a partir do barbante. O barbante deve ser do tipo especial para evitar problemas na produção, como o desfiamento e quebra do barbante.
Também recomenda-se a mistura de 1% a 2% de sebo na parafina para facilitar o deslocamento das peças na máquina modeladora. Além disso, também são considerados dentro do processo produtivo as caixas e cartuchos de papelão, utilizados na embalagem.

Comercialização

O produto pode ser distribuído através do comércio varejista ou atacadista, geralmente em caixas de papelão contendo 25 cartuchos com 8 velas cada um, ou ser vendido diretamente ao consumidor final (cartuchos).

Clientela

As pessoas compram velas artesanais principalmente para decoração, mas existe um grande público que as adquire para presentear. É possível ainda oferecer serviços adicionais, como decoração de mesas, entrega em domicílio etc. Diferencie o produto, explore as comemorações e modismos.

Tipos de velas

- Velas coloridas
- Velas de estearina
- Velas de parafina

Processo produtivo

O processo completo de produção dura, aproximadamente, 20 minutos. A máquina modeladora tem capacidade de produzir de 24 a 408 velas em cada ciclo produtivo, dependendo da bitola. As sobras de parafina das máquinas e as peças defeituosas retornam ao tacho, sendo reaproveitadas nas etapas produtivas seguintes. As etapas do processo de fabricação consistem em:

- Aquecimento: a parafina é colocada em um recipiente, onde é aquecida até a sua fusão (entre 70 e 75ºC). Para aquecimento do recipiente pode-se optar pela utilização de gás liquifeito de petróleo ou natural, pelo sistema de fogo direto

- Depósito: depois de fundida, a parafina é transferida para o depósito de alimentação das máquinas modeladoras. Estas operam sempre com água de refrigeração circulando em seu corpo para evitar a colagem das velas nas formas.

- Pavio: as mechas de velas (pavios) são colocadas nos moldes das máquinas modeladoras, onde serão recobertas pela parafina. Após o resfriamento (10 minutos) processa-se a extração das peças.

- Retirada dos moldes: a retirada das peças dos moldes é feita através da manivela lateral da máquina, que ao ser girada desloca as velas para uma forma de madeira colocada sobre a máquina modeladora.

- Corte: em seguida, o processo de produção é repetido e, após o resfriamento da nova remessa de velas, realiza-se o corte do barbante e o remessa da primeira produção para o setor de embalagem. Este procedimento, além de facilitar o corte dos barbantes, tem a conveniência de permitir que durante o processo de retirada das peças estas puxem e centralizem os pavios nos moldes para a etapa produtiva seguinte.

- Embalagem: no setor de embalagem, as velas são acondicionadas em cartuchos de papelão com capacidade para 8 velas cada um e embalados em caixas de papelão com capacidade para 25 cartuchos.

Para impreganar pavios
Em velas coloridas esse processo é de custo relativamente elevado, de qualquer modo, esse tipo de vela só é utilizado em casos muitos particulares (fotografia ou artes gráficas), quando é exigido o emprego de fontes luminosas com determinado comprimento de onda.

Quanto ao processo para obtenção da chamas coloridas, geram-se certas dificuldades pelo fato de que a coloração da chama fique limitada a uma pequena parte desta (extremidade do pavio). Este inconveniente pode ser evitado juntando às velas sais metálicos apropriados, quer empastados na sua massa quer impregnados no pavio (substâncias especialmente nitroderivados orgânicos, ou ainda nitrato ou nitrito de amônio, que, por ação do calor da chama, se decompõe com violência, projetando em todas as partes da chama as partículas de sais metálicos que conferem a coloração à própria chama). Damos a seguir um exemplo típico: Éter etílico de ácido oxiamínico 12g, Éter etílico de ácido carbamínico 5g, Nitrato de amônio 3g.

Para obter luz vermelha
O pavio pode ser impregnado com sais de lítio ou de estrôncio.

Para obter luz verde
O pavio pode ser impregnado com sais de bário ou tálio.

Em velas de estearina recomendam-se os seguintes líquidos: ácido bórico 300 g, fosfato de amônio 200 g, sulfato de amônio 200 g, ácido sulfúrico dilulido em 25 litros de água destilada 200 g, nitrato de potássio 1 g, cloreto de amônio 1 g, água destilada 100 g, ácido bórico 13 g, fosfato de amônio 9 g, ácido sulfúrico 8 g, água destilada 100 g.

Em velas de parafina servem os seguintes banhos para impregnar os pavios: fosfato de amônio 0,35 g, ácido sulfúrico 0,35 g, água 100 g, ácido bórico 13 g, fosfato de amônio 9 g, ácido sulfúrico 8 g, água destilada 100 g.

Para descolorir os resíduos das velas, pode-se expô-las à ação da luz solar. Se não estiverem demasiado coloridos, obtêm-se resultados satisfatórios, sendo , no entanto, necessário algum tempo. Se for preciso trabalhar em larga escala é preferível utilizar descolorantes apropriados. O peróxido benzoílo atua na proporção de 0,3%, misturando com os resíduos durante um tempo mais ou menos prolongado, consoante a pureza destes.

Risco

O risco do negócio é baixo e o retorno costuma ser rápido, dependendo do nível de vendas e da estrutura empregada. Já que a margem de lucro é alta, com o tempo, depois de conhecer o mercado de atuação, o empreendedor poderá ampliar a produção investindo na aquisição de uma modeladora.

Produtos alternativos

Uma sugestão é exercitar a criatividade elaborando velas pintadas a mão, com as mais diversas formas. Como opções para a diversificação produtiva, que demanda investimentos em novos equipamentos, poderão ainda ser fabricadas velas litúrgicas e de aniversário.

Propaganda

Na visita a clientes, leve cartões para melhorar a sua apresentação, faça folhetos e catálogos também. Ofereça sempre novidades para diversificar a sua clientela e não economize na apresentação dos produtos. A embalagem é um excelente cartão de visitas. Leve amostras grátis na venda. Elas são essenciais pois mostrarão ao cliente em potencial que o dinheiro desembolsado será por um produto de qualidade. Deste modo, ganha-se o cliente e a propaganda faz-se de boca em boca. Entre também na internet, uma mídia fantástica, barata e direcionada.

Lembretes

- Fazer um curso
- Ter cuidados de marketing
- Dimensionar a produção, fazendo uma rigorosa previsão de vendas
- Começar com equipamentos básicos, aumentando conforme a necessidade

Legislação

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