SALÕES DE BELEZA EM ALTA

 
 

Até os mais desavisados podem perceber que a cada dia surgem novos salões de beleza pelos bairros - principalmente na cidade de São Paulo. "Há um crescimento desordenado no setor. O desemprego impulsiona essa situação", diz o presidente do Sindicato dos Institutos de Beleza do Estado de São Paulo, Marcos Tadeu Meciano.

Segundo ele, dos cerca de 30 mil salões estimados no Estado, menos de 6 mil são regulamentados. "A grande maioria é informal, muitos atendem em casa mesmo, com o corte a R$ 1,99." Ele destaca que essa prática atrapalha os profissionais sérios do setor que atuam em regiões de periferia, onde isso é mais comum. "Mas vale lembrar que esse espaço está se esgotando. Logo só os profissionais terão espaço", diz.

Para o administrador de empresas sócio da rede de salões De La Lastra, Carlos Alberto Oristanio - que estará ministrando a palestra O Sucesso do Salão: Administração, Lucratividade e Relacionamento com o Cliente durante a Hair Brasil - outro problema do setor é a falta de mão-de-obra especializada. "O próprio cabeleireiro tem de formar seus funcionários. Por isso, ser do ramo facilita na hora de montar o negócio."

Segundo ele, com cerca de R$ 50 mil é possível montar um salão médio, com cerca de dez funcionários. "O que acontece quando o dono não é cabeleireiro é que ele fica na mão de um profissional para poder manter o salão. Muitos cobram até 60% de comissão", diz.

Segundo ele, na Europa, cerca de 90% dos clientes são fiéis ao salão e não ao cabeleireiro. "Já no Brasil, 70% da clientela confia no cabeleireiro e acaba mudando de salão junto com o profissional. Por isso o risco de não ser do ramo", diz.

Mas ele acredita que essa tendência está mudando e isso não é uma regra. "Muita gente que não tem formação no setor está investindo em salões de beleza, graças à boa rentabilidade que oferece. Mas é preciso que o dono esteja sempre de olho. Não pode descuidar", afirma.

Feira para cabeleireiros profissionais

A 1.ª edição da Hair Brasil - Feira Internacional de Beleza, Cabelos e Estética -, que será realizada entre os dias 23 e 26, no Transamérica Expo Center, na capital, pretende atrair 40 mil visitantes em seus 8 mil metros quadrados. Mais de 120 expositores fazem parte do evento que vai contar com uma arena para mil pessoas, onde serão realizados shows, workshops e seminários.

"Nosso objetivo principal é focar no segmento profissional", diz o diretor de marketing do grupo Couromoda - que organiza a feira - Jeferson Santos. Para tanto, foi feito um investimento de R$ 4 milhões no evento.

Entre os destaques da feira estão os shows de cabeleireiros intenacionais que ditam a moda no setor, como a equipe de Toni & Guy e a de Vidal Sassoon, dos Estados Unidos. Haverá também um campeonato aberto aos tops brasileiros e a novos talentos.

Paralelamente ao evento serão realizados os Congressos Internacionais Intercoiffure Brasil e de Estética Aplicada. No programa estão cursos e palestras sobre temas como lipoaspiração, estrias e acne. (G.G.)

Informações,(0--11) 3772-4282

Donos de salão apostam em qualidade

Com a proliferação dos, falsos profissionais, muitos cabeleireiros apostam na qualidade de seus serviços e na reciclagem dos estudos para garantir a clientela. Os cabeleireiros Miguel Laudemiro Maranha e Waldir Cota, que irão participar de shows durante a Hair Brasil, acreditam nisso e afirmam não ter maiores problemas com a concorrência desse tipo de salão.

Como nossa profissão não é regulamentada, qualquer um faz curso de seis meses e vai trabalhar como cabeleireiro, diz Maranha, dono do salão Miguel Beauty by Batata, no Alto da Mooca, em São Paulo. Para ele, a experiência no segmento é fundamental para ganhar clientes. É um trabalho que exige muito do profissional. O cabeleireiro não pode achar que sabe tudo. Tem de estar sempre estudando.

Boa formação como funcionário de salão pode ser o caminho certo para quem pretende ter o próprio negócio. Só conhecendo todas as etapas do funcionamento de um salão é que o proprietário pode ter sucesso no segmento, diz.

Outros tempos, Waldir Cota, proprietário do Atelier Cabelo é Estética, no Tatuapé, afirma que os tempos mudaram, mas que o salão ainda é uma boa opção de investimento. Antes era mais fácil. As mulheres tinham hábito de ir duas vezes por semana ao salão fazer escova, por exemplo. A situação financeira das pessoas está diretamente ligada ao movimento nos salões de beleza.

Assim como Maranha, ele acredita que a falta de regulamentação da profissão é um problema. Muitos abrem o salão sem conhecimento. Por conta disso a qualidade caiu bastante, diz. Um profissional tem de trabalhar na área pelo menos dez anos para ser considerado bom de verdade. É preciso estar à frante das tendências.

Assim como mostram as estatísticas, Cota é o caso de um cabeleireiro que mudou de bairro e levou sua clientela. Comecei minha carreira nos Jardins e hoje, no Tatuapé, diversas clientes minhas vêm do Morumbi e até de Alphaville ao meu salão, afirma.

O segredo ele acredita ser a constante reciclagem profissional. Tudo muda a cada quatro meses. Tem de estar em dia com as novidades.

Franquias ganham espaço

As franquias também podem ser boas alternativas para quem pretende investir no segmento de beleza e estética. Segundo o Censo do Franchising 2000, o setor movimenta aproximadamente US$ 3,1 milhões anuais, apresentando crescimento de 11% ao ano. As cerca de 115 franquias das áreas de cosméticos, beleza e saúde - listadas pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) - empregam mais de 29 mil pessoas de forma direta.

Estes e outros dados serão apresentados pela consultora Cláudia Bittencourt aos profissionais do setor durante a Hair Brasil. Cláudia ministrará um seminário sobre sistema de franquia no segmento de beleza e estética.

Na palestra ela explicará como abrir uma franquia de salão de beleza, quais as vantagens que o sistema oferece, entre outros. Para ela, o sistema de franchising oferece qualidade e credibilidade e sua rápida evolução no Brasil se deve ao fato do negócio já começar formatado. "Antes de lançar seu sistema de franquias no mercado, o franqueador passa por um processo de profunda análise do negócio e define tudo o que o franqueado precisa saber", diz.