PREÇO É DIFERENCIAL DAS POUSADAS

 
 

Locais com muitos turistas e infra-estrutura desenvolvida são os mais promissores

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), o parque hoteleiro nacional apresenta aproximadamente 25 mil meios de hospedagem, sendo 70% deles empreendimentos de pequeno e médio porte. Um investidor que disponha de aproximadamente R$ 200 mil pode entrar nesse mercado de forma competitiva, construindo uma pequena pousada com 10 quartos. Enquanto grandes hotéis luxuosos podem se mostrar impessoais, os pequenos empreendimentos, quando concebidos com criatividade e originalidade, resultam, muitas vezes, em elegância e preços moderados. Com faturamento mensal a partir de R$ 5 mil, variando de acordo com o número de leitos disponíveis, e margem de lucro entre 9% e 12%, o retorno do investimento pode levar de dois a cinco anos.

Entretanto, Claudia Bittencourt, consultora da Bittencourt Consultoria Empresarial & Franchising, não aconselha grandes economias no setor hoteleiro. "Até que ponto uma pousada deste tamanho dará retorno financeiro? É preciso supor quantas vezes o leito terá que girar para compensar os custos", comenta Claudia. Para a consultora, esses empreendimentos podem ganhar competitividade quando apostam nos preços baixos. "O Brasil tem carência de leitos de valores menores", analisa.

Para ajudar os investidores que ingressam no mercado hoteleiro, o Senac e o Sebrae disponibilizam cartilhas com o passo-a-passo desta empreitada. Os manuais podem ser encontrados no site das instituições. "Ser empresário é correr riscos, e a melhor forma de fazê-lo sem ter muita experiência é minimizá-los adquirindo o máximo de conhecimento possível", aconselha Eraldo Alves Cruz, presidente da ABIH nacional. Além dos trâmites legais necessários para a abertura de uma empresa, antes de desenvolver o projeto de uma pousada, é preciso registrá-la no Ministério do Turismo e procurar a Vigilância Pública para avaliação dos possíveis impactos ambientais.

José Maria Alberich, diretor de operações da TurisRio, credita como falsa a idéia de saturação de alguns pontos turísticos do Brasil. Alberich compara o setor com um shopping center, onde o número crescente de lojas causa impacto positivo nas vendas, ao atrair mais consumidores. Segundo ele, o mesmo acontece com o mercado hoteleiro, quando bem organizado. A capacidade elevada de leitos em uma região se torna um importante atrativo para pacotes turísticos de agências de viagens. Cruz completa que a prioridade do investidor deve ser por lugares com infra-estrutura satisfatória, o que nem sempre pode ser encontrado em regiões pouco exploradas.

Segundo Alberich, a região do Vale do Café, no Rio, vem sendo descoberta pelo turismo internacional e cultural. A abertura de estradas asfaltadas em regiões com apelo natural também pode oferecer oportunidades. Até o próximo mês, deve ser inaugurada a estrada Serra-Mar, que terá início em Minas Gerais e passará por cidades como Casimiro de Abreu, Lumiar e Itaipava, ligando Friburgo à Região dos Lagos.

Claudia Trocado abriu a pousada Vale das Flores em Friburgo há cinco anos e, segundo ela, não tem do que reclamar. Inicialmente com apenas sete quartos, Claudia conta hoje com 16 aposentos, além de sauna, churrasqueira, sala de televisão e sala de brinquedos. Ela e o marido acreditam que o local ainda pode abrigar mais investimentos, mas reclamam da falta de união do setor hoteleiro da cidade. "Não percebo um movimento associativo forte em prol de melhorias para o setor", desabafa. O maior desafio após a inauguração, segundo Claudia, é a colocação de um produto desconhecido no mercado, assim como estruturar e definir o perfil da pousada e de seu público-alvo.

Regiões históricas do país ainda têm alta demanda

Regiões históricas têm apelo ao turismo quando trabalhadas adequadamente com oferta de passeios e eventos. Esse é o caso de Ouro Preto em Minas Gerais. A região ainda oferece espaço para pequenas pousadas. Geraldo Antônio dos Santos decidiu largar o ramo da informática há dois anos para abrir seu próprio negócio. Deixou Ponte Nova, onde nasceu, atraído pelas oportunidades da cidade universitária. Em Ouro Preto, arrendou uma pequena pousada com a esposa e mesmo sem nenhum funcionário tocou o projeto. Hoje, já percebe o retorno do trabalho intenso realizado durante o primeiro ano do negócio. Enquanto houve meses em que a pousada Helena Flávia esteve vazia, este ano já está com os quartos ocupados até outubro. Santos tem 10 quartos, seis deles com banheiro privativo, e planeja agora comprar seu próprio estabelecimento.

A maior dificuldade foi o boicote dos guias turísticos, que exigem pagamento de comissão em troca da indicação de hospedagem aos turistas. Santos aposta nos preços baixos como diferencial de seu empreendimento e, por isso, nunca pôde colaborar com grandes quantias.

Raio X Pousada

Negócio: hotelaria

Investimento inicial: mínimo de R$ 200 mil.
Faturamento médio mensal: a partir de R$ 5 mil
Margem de lucro: entre 9% e 12%
Capital de giro: 3,5%
Tempo de retorno do investimento: entre 2 e 5 anos
Área: de 150 a 400 metros quadrados
Número de funcionários: 4

Risco: médio, na avaliação de Claudia Bittencourt, consultora da Bittencourt Consultoria Empresarial & Franchising, por causa da dificuldade de retorno financeiro em pousadas tão pequenas.

Serviço

Bittencourt Consultoria Empresarial & Franchising, 0xx-11-3673-9401
Abih Nacional, www.abih.com.br />
TurisRio, www.turisrio.rj.gov.br />
Ministério do Turismo, www.turismo.gov.br />
Pousada Vale das Flores, 0xx-22-2526-3503
Pousada Helena Flávia, 0xx-31-3551-2069

Data Inclusão: 31/08/2006
Autor: Renata Leite