Prejudicados pela concorrência das grandes redes de supermercados, os tradicionais açougues com paredes azulejadas e carnes penduradas perderam espaço para as chamadas butiques de carnes. Sofisticadas e com espaços extremamente organizados para a exposição e conservação da carne, elas pretendem sobreviver à concorrência graças ao diferencial na estrutura da loja e qualidade dos produtos oferecidos.

Com preços mais elevados, a butique de carnes aposta no público consumidor das classes A e B, que pensa também na qualidade e não só no custo do produto na hora de comprar. Por outro lado, trata-se de um público mais exigente e atento às condições de higiene oferecidas, preocupado com o ambiente, que deve ser receptivo. Assim, a decoração e a forma de exposição dos produtos no ponto-de-venda é um dos pontos mais valorizados na montagem da loja.

O franchising já tem um representante nesse nicho. Criada há um ano, a franquia Empório MC aposta na venda da carne do gado Red Angus, de origem escocesa. É possível montar uma butique com a marca investindo R$ 100 mil, dos quais R$ 30 mil correspondem à taxa de franquia.

Embora não cobre royalties, a empresa tem uma taxa de publicidade que varia de 5% a 8% sobre o faturamento bruto. O faturamento médio mensal estimado varia entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. A Empório MC oferece outros dois modelos de franquia que incluem a venda de produtos para churrasco e bistrô de carnes.

Segundo o proprietário da rede, Elóy Tuffi, no Rio de Janeiro, há espaço para duas lojas, em Ipanema e no Leblon. Hoje, já existe uma na Barra. A preocupação se deve à dificuldade em encontrar pontos convenientes e a necessidade de evitar o risco de canibalização das lojas entre si.

A empresária Virginia Marques Moreira optou por montar uma loja própria. Quando abriu a Exotic Grill em Niterói, há seis anos, procurou oferecer a seus clientes tudo que sempre havia buscado em um açougue: carnes bem cuidadas, embaladas, conservadas dia e noite no refrigerador e em um ambiente limpo. A empresária chegou a ter três lojas, uma delas na Barra, mas acabou mantendo apenas a da Região Oceânica.

- A classe média está cada vez mais apertada e acaba abrindo mão do que considera supérfluo. Muitas vezes temos buscar um melhor preço, mas nos recusamos a abaixar demais. Há sempre os clientes fiéis a uma boa carne - afirma.


A consultora Ana Vecchi, da Vecchi & Ancona Consulting, ressalta a questão do ponto comercial. "O público desse produto é elitizado, o que requer investimento em um bom ponto, em uma área nobre e com conveniência", afirma. Para a consultora, a concorrência também é pesada pela concorrência dos hipermercados. O risco no investimento é avaliado como alto.

SERVIÇO
Dom Porco - 0xx-31-3891-5170
Empório MC - 0xx-19-3235-2500
Exotic Grill - 2608-1387
Vecchi & Ancona Consulting - 0xx-11-3841-9676

RAIO X
EMPÓRIO MC
> Negócio: boutique de carnes
> Investimento inicial (inclui TF):R$ 100 mil
> Taxa de franquia (TF): R$ 30mil
> Taxa de royalties: não cobra
> Taxa de publicidade: 5% a 8% sobre fatura mento bruto (para investimento regional)
> Área mínima (metros quadrados): 25
> Margem de lucro: 15%
> Faturamento médio mensal: 50 mil a 100 mil
> Número de funcionários: 3
> Informações: 0xx-19-3231-1610
Risco: alto, na avaliação da consultora independente Cláudia Pamplona

Espaço para carnes exóticas
Para aumentar o leque de consumidores de sua loja, a empresária decidiu diversificar o mix de produtos e passou a vender também frango, peixes e camarões, além de carnes exóticas como a de jacaré. "Outro fator importante para quem entra nesse ramo é pesquisar bem os fornecedores. Hoje compramos carnes de diversas regiões do País e também importadas do Uruguai, Chile e Argentina", ensina.

Outro ponto importante é o atendimento. O cliente da butique de carnes quer explicações sobre os variados cortes de carnes, informações sobre sua origem e modo de preparação. "É preciso dar atenção especial ao cliente, por isso eu mesma tomo conta da loja", atesta Virginia, que aprendeu tudo sobre a carne enquanto morava em uma fazenda onde seu marido, Whalem Moreira, criava búfalos.

Balcão limpo e embalagens para fugir ao padrão
O veterinário e empresário Luiz Fernando Ferreira pode ser considerado um pioneiro no negócio. Há 13 anos ele montou a casa de carnes Dom Porco, já dentro do novo conceito. "Criei um ambiente com cadeiras e banheiros para os clientes, um balcão limpo e passei a trabalhar com carnes embaladas. Queria um açougue que saísse do padrão tradicional", diz.

Dentre os equipamentos necessários à operação de uma boutique de carnes estão armários, balança de 300 quilos, balança eletrônica, etiquetadora, carrinho de aço inox, recipiente para coleta de resíduos, bandejas e caixas plásticas, fatiadoras de frios, seladora a vácuo e de filme PVC, serra fita, moedor de carne, geladeira com porta de vidro, freezer horizontal com tampa de vidro, freezer tradicional com dupla ação para estocagem, câmara fria, geladeira de açougue, balcão expositor, gancheiras e ganchos, facas e tábua de propilene para corte de carnes.

Quem opta pela simples revenda de carnes embaladas, prontas para consumo, investirá em uma estrutura mais reduzida, pois as carnes já vêm cortadas, limpas e embaladas do fornecedor. O trabalho se limita à sua exposição e revenda. Já a boutique que trabalha com peças brutas tem que ter espaço para estocagem, desossa, limpeza, embalagem e rotulagem.


Data Inclusão: 26/09/2003
Fonte: Jornal do Commércio