É possível fabricar velas, sabão, chinelos, pizzas, fraldas, sacolas etc. em qualquer canto

Realizar o sonho de abrir seu próprio negócio sem ter que investir muito dinheiro nessa empreitada é uma promessa cada vez mais freqüente no mercado. Já existem dezenas de opções para quem pretende deixar de ser empregado e não dispõe de capital para abrir uma franquia ou mesmo uma loja própria. São máquinas, que podem ser colocadas em qualquer canto, de fazer fralda, sacolas, blocos de cimento, velas, sabão, chinelos, pizza, crepe...

Mas até que ponto uma simples máquina pode se transformar em um negócio bem sucedido? Pequenos empresários, vendedores e consultores garantem que é possível, sim, começar com apenas uma máquina e ganhar muito dinheiro depois. Todos eles, no entanto, concordam que a tarefa não é nada fácil.

Cintia Pizzatto decidiu iniciar seu própio negócio há seis anos, investindo em uma máquina de fazer bordados em camisetas. Hoje, a empresária é dona de três estandes de vendas da Borda Mania e comanda uma equipe de 15 pessoas. "É preciso muita dedicação e ficar à frente do negócio todo o tempo. No entanto, não considero o trabalho difícil, já que operar essas máquinas requer pouco know how", explica Cintia.

A Novohart é uma revendedora de máquinas manuais ou motorizadas para fabricar fraldas. A máquina mais barata da empresa, manual, sai por R$ 790, o que representa um investimento baixo para quem quer iniciar seu próprio negócio. Para quem pretende produzir em uma escala maior, o ideal para começar seria um modelo automático, que custa R$ 4,8 mil e produz seis mil fraldas em oito horas de trabalho. Andréa Calegaro, responsável por vendas na Novohart, garante que as máquinas são de fácil operação e não requerem experiência.

- Começar seu negócio com uma de nossas fraldas é muito simples. À medida que o cliente ganhar confiança no negócio, ele pode ir incrementando sua máquina - afirma. Segundo Andréa, a margem de lucro é de mais de 50% e o retorno do investimento é garantido: "Conta muito a iniciativa do empresário. Ele deve criar promoções, divulgar seu negócio e montar serviços como o disque-fralda, por exemplo", aconselha.

Produção de até 2 mil blocos de cimento por dia

Para quem se interessa pelo setor de construção civil, uma opção são as máquinas que fabricam blocos de cimento. A Permaq Máquinas tem diversas opções para a fabricação de artefatos de cimento. Segundo o gerente de vendas Rafael Cerqueira, o negócio é simples, apesar de requerer uma área mínima de 400 metros quadrados para estoque e secagem dos blocos. "As máquinas manuais custam R$ 3,3 mil e produzem até 2 mil blocos por dia e são ideais para quem está começando. Depois, o empresário pode investir na máquina pneumática, que custa R$ 18,5 mil. O negócio tem grande potencial mercado", garante Cerqueira.

Vender velas pode ser a salvação de quem procura um negócio próprio. A Imavel oferece várias opções para a produção industrial desse produto. "A operação é tão simples que até mesmo jovens que queiram trabalhar podem optar por vender velas. Nossa máquina mais simples, que custa R$ 4,8 mil, tem potencial para fornecer um lucro líquido de R$ 3 mil mensais. Além do mais, todo mundo consome vela, não há crise nesse
setor", garante o empresário Noel Ferreira da Silva, dono da Imavel.

Um dos ramos mais procurados é o de estamparia. Existem diversas histórias de sucesso, comprovando a força do setor. O empresário mineiro José Walter Pagani, por exemplo, iniciou seu próprio negócio aos 22 anos, com a tarefa de sustentar a mulher e a filha recém-nascida. No quarto de empregada da casa do sogro, José Walter e a esposa instalaram uma máquina de costura para confeccionar camisetas. A produção era de 10 camisas por semana. José Walter trabalhava de segunda à sexta-feira na confecção e vendia as blusas nos fins-de-semana.

- Não tinha experiência nenhuma no setor. Eu e minha mulher olhávamos camisas de modelos diferentes nas vitrines para copiar o corte. Aprendemos tudo sozinhos e vimos que era possível sobreviver com o dinheiro da nossa confecção - conta José Walter.

Foi preciso ter paciência. O empresário passou dez anos confeccionando camisetas de forma caseira até passar a fornecer para grandes clientes. Depois de expôr seus produtos em uma feira no Rio Centro, José Walter conquistou clientes fixos e a confecção não parou de crescer.

Desistiu de ser fornecedor e abriu sua primeira loja na Rua Tereza, em Petrópolis. Depois dessa, mais 38 pontos-de-venda foram inaugurados, no Brasil e no exterior. Aos 51 anos, ele diz que não teve apenas sorte: "Sorte é a união da capacidade com a oportunidade. Quem quer iniciar seu negócio tem que olhar para onde todos olham e enxergar o que ninguém enxerga", ensina José Walter.

O consultor Adão de Souza, da Adão & Souza Consultoria, concorda que é preciso buscar um diferencial. "O principal problema de quem abre seu próprio negócio investindo inicialmente apenas em uma máquina é a concorrência. Se é fácil para um, é fácil para vários. Por isso, é muito importante que o empresário ofereça atrativos", diz.
Para Souza, o principal na hora de iniciar seu próprio negócio é escolher algo de que se goste. "É preciso trabalhar muito. Para o negócio dar certo é importante se dedicar, e isso só é possível quando se sente prazer no que se faz", opina o consultor.

A consultora de varejo da Ponto de Referência, Paula Amaral, reforça a importância da vocação. "Mais do que experiência e até mesmo recursos, é importante ter tato para negócios. O perfil pessoal vale mais que fatores externos", garante.

O conselho comum dos analistas e de quem já viveu a experiência de crescer profissionalmente com o próprio negócio é: não tenha como objetivo o enriquecimento, mas a realização pessoal.

SERVIÇO
Adão & Souza Consultoria, 2438-8239
Imavel, 0xx11-6943-7253
Novohart, 0xx11-6997-5500
Permaq, 0xx11-6918-9925
Ponto de Referência, 2266-3533

Dicas para investir em uma máquina

>> Escolha algo de que você goste. A busca pelo negócio próprio está relacionada à realização pessoal.
>> Lembre-se de que as máquinas são um investimento barato, logo, a concorrência é grande.
>> Valorize a vizinhança e os pequenos pontos-de-venda. Não procure vender para grandes supermercados logo no início.
>> Não há como evitar: é preciso trabalhar muito, pelo menos no início.
>> Não subestime os gastos nem superestime os lucros.
>> Não comece devendo. O investimento inicial deve ser coerente com o bolso do dono.
>> Invista na comunicação com o cliente. Defina e conheça seu público.
>> Prefira negócios com o qual você já tenha tido contato profissional, para facilitar a conquista de clientes.


Data Inclusão: 18/03/2003
Autor: Diogo Sinhoroto
Fonte: JORNAL DO COMMÉRCIO