FICHA TÉCNICA

Setor da Economia: Primário
Tipo de Negócio: Cultivo e Plantio
Produto: Mamão Papaya

A origem do mamoeiro se perde nos tempos. O que se pode dizer com segurança é que, quando os europeus aportaram no continente americano, essa planta já era conhecida e seus frutos, folhas, látex e sementes bastante utilizados pelos habitantes da terra. Presume-se que o mamão tenha nascido na América tropical, e dali a fruta teria rapidamente se espalhado por todo o continente, devido a velocidade de seu ciclo vital, a facilidade com que a planta se propaga e se multiplica e a rapidez com que nascem seus frutos.O mamoeiro exige climas quentes e úmidos, não tolerando o frio. O solo deve ser adubado ou fértil, humoso e bem drenado. O mamoeiro cresce rápido e produz bastante, florescendo e frutificando muitas vezes ao mesmo tempo e durante o ano todo. Atualmente, ele pode ser encontrado em praticamente todos os países tropicais do globo.

PRODUÇÃO NO BRASIL. O Brasil é o maior produtor de mamão do mundo. Com excelentes condições de desenvolvimento no País, com possibilidade de cultivo em todas regiões, a produção, em 1998, chegou a 1,7 milhão de toneladas, cerca de 30 a 35% da produção mundial. A Bahia, mais precisamente a região de Teixeira de Freitas, tem o maior foco produtivo, seguido pela região de Linhares, no norte do Espírito Santo. No entanto, o mamão cultivado no Espírito Santo, por se tratar da variedade papaia, é o que tem mais prestígio junto aos consumidores, principalmente entre os estrangeiros. Apesar de ser o maior produtor mundial, o primeiro lugar quando o assunto é exportações cabe ao México, sendo o Brasil o terceiro colocado. Os mexicanos, com uma produção de apenas 500 mil toneladas, exportaram 47,6 mil toneladas em 1998, tendo como maior consumidor os Estados Unidos. Por incrível que pareça, a Malásia - que nem figura entre os dez maiores produtores - surgiu como o segundo lugar em termos de exportações, com vendas de 33 mil toneladas em 1998.

INVESTIMENTO. A produção do mamão exige alto investimento. No Espírito Santo, os custos estavam em torno de US$ 10 mil por hectare em 1999. Sob irrigação, o mamão papaia tem uma produtividade de 60 toneladas por hectare, com cada um abrigando 1,8 mil mamoeiros. Além da irrigação e da necessidade de promover constante rodízio do terreno, após cerca de 20 meses de produção o combate fitossanitário tem que ser constante.

O MAMÃO PAPAYA. O mamoeiro é uma árvore de pequeno porte cujo nome científico é carica papaya L, pertencente a família botânica Caricaceae, que dura pouco. Os sexos do mamoeiro encontram-se em plantas separadas: mamoeiros-machos e mamoeiros-fêmeas, sua principal peculiaridade. As flores nascidas dos mamoeiros-machos, embora não se transformem em frutos comestíveis, têm a importante função de fecundar as flores do mamoeiro-fêmea. Tais flores ficam dependuradas e distanciadas do caule da árvore, sendo o que permite identificar, com bastante facilidade, o sexo do mamoeiro. Às vezes nascem flores hermafroditas, dando origem a frutas atípicas, os mamões-machos, muito importantes no processo de fecundação dos mamoeiros. A casca do mamão é bastante delicada: quando verde, sua cor é também verde; aos poucos, à medida que o fruto amadurece, ela vai se tingindo de manchas ou faixas de coloração amarela ou alaranjado-clara, até perder completamente o tom esverdeado.

APROVEITAMENTO. As sementes, que ficam ligadas por fibras à extremidade interna da polpa, ocorrem em grande quantidade, que apesar de serem desprezadas, são comestíveis e teriam muitas utilidades medicinas. Com o miolo do caule do mamoeiro também faz-se um doce exótico. Por fim, pode-se ainda utilizar o mamão verde como legume, cortado em pedacinhos e refogado, ou ainda em sopas e ensopados de carne.

LATEX PAPAINA. Do mamão-papaya verde podemos retirar um látex que é muito rico em uma substância chamada papaína, que se encontra espalhada por toda a planta e vai sumindo à medida que a fruta amadurece. É uma substância de muitos usos medicinais e industriais. Em países como Sri Lanka, Tanzânia e Uganda, explora- se o fruto verde do mamão em grandes plantações com finalidades industriais. Esse látex, convertido em pó, é enviado a laboratórios da Europa e da América do Norte, onde é refinado, transformado, engarrafado, patenteado, rotulado e comercializado em remédios, em amaciantes de carnes, em loções para a pele, em produtos industriais para clarear cervejas, para amaciar couros e lãs.

CUIDADOS ESPECIAIS. O cultivo e plantio de mamão papaya, atualmente, no Brasil é uma atividade agrícola especializada, que exige dedicação, conhecimentos técnicos de alto nível e utilização de métodos modernos de manejo da cultura (pontos que combinados e conduzidos em bases racionais, proporcionam rendimentos compensadores). É fundamental o acompanhamento de um agrônomo na fase inicial, com objetivo de aprender a lidar com as doenças e evitar a perda da plantio e colheitas. As colheitas ocorrem ente marco e maio. As estimativas preliminares de produção são de 5t/ha.

SOLO IDEAL PARA CULTIVO. O cultivo do mamão papaya dá-se bem solos de textura média, profundos, permeáveis e com bom teor de matéria orgânica. Como o mamoeiro é muito sensível ao excesso de água, será preciso utilizar drenagem, sempre que necessário. Prefere os solos neutros e não tolera salinidade, mesmo em níveis baixos. Para produzir bem, o mamoeiro exige que o solo receba calagem com calcáreo dolomítico, que lhe assegura saturação de bases de 80%.

PLANTIO. O plantio ocorre em agosto e setembro, em covas de 30 x 30 x 30cm, cavadas ou feitas com sulcador na profundidade 30cm. São necessários 1.500 a 1.700 laminados ou sacos plásticos/hectare, com três a quatro mudas por recipiente. No plantio, retirar o recipiente para o bom desenvolvimento das raízes e comprimir cuidadosamente o terreno que circunda os torrões para que estes não se desfaçam. Para combater a erosão, recomenda-se o plantio em nível, uso de terraços, patamares e banquetas, capinas em ruas alternadas, etc... Capinas manuais e podas
de limpeza.

ADUBAÇÕES. Depende da análise química do solo, mas não se pode esquecer que o nitrogênio deve ser empregado com cautela pois favorece o crescimento excessivo da planta e o aparecimento de doenças do tronco e das raízes; o potássio evita o amolecimento da polpa por excesso de chuvas ou de nitrogênio; o boro e o zinco, indispensáveis, podem ser fornecidos por meio do solo ou de pulverizações. A primeira adubação começa vinte dias antes do plantio. Outras adubações com porcentagens diferentes de fertilizantes serão aplicadas um mês depois do plantio da muda ou no primeiro desbaste e serão repetidas dois meses depois. Nos meses de setembro, dezembro e março será preciso fazer nova adubação.
A adubação por planta obedece critérios diferentes. No plantio, na cova: 20Kg de esterco de curral; 1Kg de fosfato natural; 150g de cloreto de potássio e 500g de calcário magnesiano; em cobertura : 200g de Nitrocálcio, em quatro parcelas. No pomar em formação: 40 a 60g de cada um dos nutrientes - N, P2O5 e K2O - por ano de idade. No pomar adulto: após a colheita: 8g de esterco de galinha; 1.500g de superfosfato e 600g de cloreto de potássio; na vegetação: três a quatro aplicações de 600 a 800g de sulfato de amônio.

PRAGAS E DOENÇAS. O controle de pragas e doenças do mamoeiro é muito complexo porque ele produz continuamente. Por isso é preciso cuidado para que os frutos não absorvam o produto aplicado. A planta também é sensível a certas fórmulas, e o aplicador precisa ter cuidado consigo mesmo. Dentre as doenças merecem atenção especial o mosaico, causado por vírus, sem controle conhecido e que foi a causa do fim das plantações paulistas; varíola ou pinta-preta, causada por um fungo; antracnose; oídio; e a podridão-do-pedúnculo. A varióla é combatida por pulverizações com hidróxido de cobre ou oxicloreto de cobre na superfície inferior das folhas. Combate-se o mosaico pela eliminação das plantas atacadas e das cucurbitáceas (abóboras, melão, etc) existentes nos mamoais e fazendo-se o controle dos pulgões nas culturas vizinhas por meio de pulverizações com calda de fumo. A podridão-do-pé só pode ser prevenida com cuidados no plantio.
Os brotos laterais do mamoeiro devem ser retirados freqüentemente pois prejudicam o desenvolvimento da planta e são focos de ácaros. Além das doenças, existem os ácaros que limitam a produção: o ácaro-branco, ou ácaro-dos-ponteiros ou o ácaro-do-chapéu do mamoeiro eliminam as folhas do ponteiro, paralisam o crescimento da planta e expondo ao sol os frutos, que ficam queimados; o ácaro-da-rasgadura-da-folha que é rajado e produz teias para se proteger; a largata, que em muitos casos provoca o desfolhamento total da planta; o percevejo-verde ou maria-fedida que suga as folhas e os frutos; as cochonilhas, etc.

CULTURAS CONSORCIADAS. Convém utilizar a goiaba, os citrus e algumas culturas em consorciação com o mamão, que produz por cerca de três anos, tempo em que chega a hora de arrancar o mamoeiro, já muito alto. É exatamente então que essas fruteiras começam a produzir. Podem-se também plantar espécies como o guaraná, usando o mamão como sobreamento provisório.

COLHEITA. Quatro a seis meses após a semeadura, começa o florescimento que, em condições favoráveis, pode continuar o ano todo. Os frutos amadurecem cinco a seis meses mais tarde, dependendo do clima e da intensidade de produção da planta. Os frutos devem ser retirados da planta por ligeira torção, sem ferimentos na casca. O colhedor deve usar luvas e mangas compridas para não ter contato com látex da planta.

EMBALAMENTO. O mamão papaya deve ser protegido por folhas de jornal ao ser embalado; ele é comercializado em caixas de madeira com 37,50 x 30 x 15 cm, que comportam de oito a dezesseis unidades embrulhadas em papel ou protegidas no fundo por fitilho de madeira. Para exportação do papaia, são utilizadas caixas de papelão de 39 x 31 x 15,50 cm, em que cabem de oito a vinte frutos e com 7 Kg de peso líquido. A classificação do mamão no mercado é feita por número: mamão tipo 9, nove por caixa.

NOTÍCIA ¿ ¿ES amplia oferta de mamão papaia aos EUA¿ - Único estado do Brasil a exportar mamão papaia para os Estados Unidos, apesar de ser o segundo maior produtor nacional (o primeiro é a Bahia), o Espírito Santo vislumbra neste ano a possibilidade de dobrar as vendas para aquele país, em função, sobretudo, da entrada de novos agentes naquele mercado, que consumiu, no ano passado, 5 mil toneladas da fruta capixaba. O volume, em relação ao de 3,1 mil toneladas contabilizado em 1999, cresceu 63% - mesmo percentual de crescimento que incidiu sobre a receita das exportações, que saltou de US$ 2,5 milhões para US$ 4,1 milhões.
As três empresas brasileiras que hoje dominam as exportações para os Estados Unidos - a Caliman Agrícola S.A., a Gaia Importação e Exportação Ltda. e a Agra Produção e Exportação Ltda. - todas situadas em Linhares (ES), no norte do estado, sustentaram até agora sua hegemonia no rigor que o governo norte-americano emprega nas importações de papaia com o intuito de impedir a introdução de mosca-das-frutas nos EUA. Porém, estão ameaçadas de perdê-la para outros produtores do Espírito Santo que adequaram suas lavouras ao chamado Sistema Integrado de Medidas para a Diminuição de Risco (Approach System), utilizado no Brasil sob a supervisão dos fiscais federais agropecuários.
A coordenadora do Programa de Exportação de Papaia da unidade regional do Ministério da Agricultura em Linhares, Maria do Carmo Ribeiro Lani, disse que há no Espírito Santo previsão de que mais cinco produtores estejam aptos a exportar aos EUA a partir do segundo semestre deste ano. São eles a Mandharins Importação e Exportação Ltda., a Fruta Solo Ltda., a Caldara Agropecuária S.A. e os produtores Ivan da Costa Oliveira e José Ruiz Banon.
Maria do Carmo informou que a área de plantio monitorada, que gira hoje em torno de 600 hectares, deverá se expandir inicialmente para mil hectares, tendendo a chegar a 2 mil hectares com a atuação plena desses cinco produtores. Os atuais exportadores receiam que o aumento da concorrência resulte numa queda dos preços no mercado externo e, conseqüentemente, afete a rentabilidade auferida hoje com as exportações, principalmente com as realizadas para os EUA. A participação das vendas de papaia para aquele país no volume total exportado pelo Brasil foi de 19,5% em 1999 e de 23,2% em 2000.
Segundo o diretor comercial da Gaia, Pedro de Carvalho Burnier, a rentabilidade no mercado americano supera em 25% a apurada na Europa. 'Além de o dólar estar mais valorizado do que o euro, o frete do quilo de papaia para Miami custa em torno de US$ 0.58, enquanto o do praticado para países europeus, cerca de US$ 0.90.'
A Gaia, que exporta para a Europa desde 1993, iniciou as exportações para os Estados Unidos em 1998. 'Desde então, as vendas no exterior têm quase dobrado de um ano para outro. Saltaram das 950 toneladas de 1997 para 1,8 mil toneladas em 1998, para 3,5 mil toneladas em 1999 e para 6,6 mil toneladas em 2000, sendo que o mercado americano absorveu 30% do total no ano passado', enfatizou Burnier.
O crescimento foi justificado por Burnier como resultado da inclusão do mercado norte-americano no mix de países importadores da Gaia e nas inversões que a empresa fez em seu packing-house, com a aquisição de câmaras frias e a importação de maquinário espanhol que seleciona o fruto pelo tamanho.
O montante exportado é a metade das quase 14 mil toneladas que a Gaia produz. Neste ano, diante da perspectiva de ganhar novos clientes nos Estados Unidos e de diversificar ainda mais as exportações com a expansão das vendas de produtos como limão, gengibre, cará e inhame na Europa a partir de ações promocionais, a empresa pretende incrementar em 20% a 30% a receita apurada com o comércio no exterior, que em 2000 gerou 80% do faturamento de US$ 9 milhões.
Das cerca de 8 mil toneladas exportadas em 2000 pela Caliman, 50% foram para os Estados Unidos e a outra metade para a Europa e o Canadá. O diretor comercial da empresa, Francisco Faleiro, explicou que o mercado externo pagou em média pelo quilo do papaia no ano passado US$ 0.80 - 7% a menos do que os US$ 0.86 de 1999. 'A concorrência no exterior vem se dando via preço, achatando a rentabilidade. A margem de lucro caiu 25%.'
Projetando uma receita de R$ 4 milhões para 2001, o sócio-proprietário da Agra, Roberto Pacca, aposta que pelo menos 60% desse montante resultarão das vendas para os Estados Unidos, para onde o volume exportado deverá ser de 800 toneladas, em relação as 170 toneladas de 2000. Além da atuação por um período maior no mercado norte-americano neste ano, a conquista de novos clientes e a duplicação da capacidade de beneficiamento estão entre os fatores que o empresário cita para a razão de seu otimismo.
No geral, as exportações de papaia somam 21,51 mil toneladas em 2000, gerando US$ 17,69 milhões. Em quantidade exportada, superaram em 36,9% as 15,71 mil toneladas de 1999 e, em faturamento, em 30,3% o de US$ 13,58 milhões.
Em torno de 90% a 95% das exportações de papaia do Brasil provêm do Espírito Santo, onde o valor bruto da produção agropecuária oscila em torno de R$ 1,5 bilhão. 'Desse montante, R$ 228 milhões (15%) resultam da fruticultura, sendo que só o mamão tem participação de R$ 60 milhões (4%) nesse bolo', disse o coordenador estadual do Programa de Fruticultura da Empresa Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Emcaper), Dalmo Nogueira da Silva.
Ainda que o Espírito Santo seja o maior exportador brasileiro de mamão papaia, as exportações representam pouco mais de 10% das cerca de 175 mil toneladas de mamão.
FONTE: Gazeta Mercantil, 14/03/2001