ANIMAIS SILVESTRES

 
 

Uma dica importante é ter profissionais especializados para cuidar dos viveiros, como veterinários e biólogos.

Cobras, ratos, lagartos, papagaios e cacatuas. Muita gente tem em casa estes animais silvestres e exóticos. Fabricio Sasaki, agenciador de viagens, escolheu duas jibóias para seus bichinhos de estimação.
- A cobra é um animal que você pode estar viajando, pode estar saindo sem se preocupar com ele, que fica deitado, na dele - comenta Fabrício.

Os dois animais têm nota fiscal. Eles foram comprados em uma loja especializada, um setor em expansão hoje em dia. Mas, para abrir um negócio como este é preciso antes pedir uma autorização ao Ibama - o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.

- É preciso apresentar alguns documentos da empresa, a relação dos animais pretendidos, os locais onde esses animais estarão dispostos, além de outras questões técnicas que a legislação exige - explica Marilda Corrêa Heck, analista do Ibama.

Quando o empresário Márcio Vianna abriu a loja, há um ano, ele seguiu todas as regras.

- Você deve descrever a população e as dimensões dos recintos, onde os animais vão estar na loja. O Ibama analisa isso tudo e finalmente aprova o seu processo de registro. Além disso, é necessário que você se inscreva no cadastro técnico federal, o que aliás pode ser feito pela Internet. Nada disso tem custo, mas é absolutamente necessário que seja cumprido - ensina.

Márcio investiu R$ 200 mil na compra de animais - a maioria répteis e anfíbios - e na construção dos recintos. Ele também contratou um veterinário para cuidar da saúde dos bichos e fazer a identificação por meio de microchips.

- O microchip é um sistema de identificação eletrônico. É a única forma que a gente tem de controlar se esse animal foi criado em cativeiro ou não. Você está no cativeiro, nasceu o animal, quando ele atingir um tamanho adequado, a gente pega esse transponder, aplica no animal - ele é biocompatível com o animal - e é o sistema que vai ficar para o resto da vida dentro dele ¿ explica o veterinário Alexandre Pessoa.

Na loja os animais são tratados com muito carinho. As iguanas, por exemplo, comem na mão. Para o cliente montar em casa um lugar semelhante ao habitat natural das espécies, Márcio também vende vários acessórios como pedra aquecida, mini-cavernas e lâmpadas fluorescentes, que imitam a luz do dia. Além disso, um manual acompanha cada um dos animais vendidos.

- Você deve dizer tudo: umidade, temperatura, alimento, eventuais doenças, tratamentos e tudo mais - diz Márcio.

O animal mais procurado é a jibóia, que custa em média R$ 900. Como ela apenas come alimentos vivos, Márcio também tem criação de ratos. Para as iguanas, ele cria insetos. De acordo com o empresário, o único inconveniente deste negócio é a compra dos animais, que só pode ser feita uma vez ao ano.

- A oferta ainda é escassa de animais exóticos ou silvestres. Como eles só nascem uma vez por ano, você obrigatoriamente, se quiser ter estoque para o resto do ano, tem que comprar um grande lote na época propícia de nascimento. Isso acarreta uma série de problemas para o lojista, não só de espaço, mas como de manutenção desses animais. Ao comprar os iguanas, por exemplo, tenho que comprar em quantidade para o ano inteiro, porque só nascerão de dezembro a janeiro - conta.

A compra de animais também foi uma dificuldade para o empresário Graciano Amaro, que montou há um ano e meio, um criadouro formado por aves das famílias do papagaio e da arara.

- Fui comprando de outros, à medida que aparece, pois também não existe disponibilidade de casais formados. Você pega o macho de um criadouro, a fêmea do outro e vai formando o plantel - comenta.

Graciano construiu uma maternidade, onde os filhotes ficam em incubadoras. Eles são alimentados no bico e pesados todos os dias. Somente esses animais, criados em cativeiro, poderão ser vendidos. O empresário também seguiu várias normas.

Antes de montar o viveiro com 1.400 metros quadrados e capacidade para abrigar 250 casais de aves, o empresário teve de contratar um projetista ambiental. Primeiro, para definir o espaço onde as aves são criadas; segundo, para estabelecer um plano de alimentação, com horário definido e quantidade de comida. Tudo isso para atender as normas do Ibama e ter o projeto do criadouro aprovado.

Outra dica importante é ter profissionais especializados para cuidar dos viveiros, como veterinários e biólogos.

- É importante a presença de uma pessoa técnica em qualquer criação de aves, porque a gente tem que cuidar de vários detalhes, desde a parte do viveiro, do alojamento, alimentação, reprodução. Então, é um acompanhamento bem rígido que a gente tem que ter explica a bióloga Antonietta Ficucella.

Graciano vende apenas para lojistas. Por isso, tem uma variedade grande de espécies para atender ao mercado: arara azul, vermelha, papagaios do peito roxo, do mangue, marianinha e as cacatuas, que chegam a custar R$ 20 mil.

Aliomar Almeida é um dos clientes do criadouro. Ele montou sua loja em um ponto estratégico: dentro de um shopping para animais.

- No total, 100% do público que visita um shopping de animais têm de alguma forma uma ligação com animais. Então, é um público muito direcionado para essa finalidade. Hoje, no Brasil, se tem muita cultura de que cão e gato é animal de estimação e temos a nossa fauna animais maravilhosos. Portanto, procuramos um shopping de animais para fazer uma divulgação explica Aliomar.

As aves chegam mansas e quando são compradas o cliente recebe um certificado, nota fiscal e dicas de como cuidar.

- São dicas de como alimentar, como manter ele dócil, a interação com o animal, brincadeiras para que ele seja eternamente um animal divertido comenta o empresário.

Por isso, é importante manter também na loja profissionais especializados.

- A gente passa assim desde cuidados com a higiene e alimentação correta, além da maneira de lidar certinho com a ave dentro de casa diz a bióloga Carolina Solai.

As informações são mais que necessárias, já que os principais clientes são as crianças.

- Para pegar o passarinho, tenho que ir bem devagar para ele ir me conhecendo. Depois, ele vai brincando mais comigo fala Elói Rudge, de 12 anos.

A legislação está disponível no site do Ibama: http://www.ibama.gov.br.

Fonte: Programa PEGN - 07/05/2006