FÁBRICAS DE DOCE INVESTEM EM SABORES DIFERENTES

 
 

Investimento para fabricar compotas começa em R$ 50 mil

De morango, de abacaxi ou de ameixa, passando por pêssego, manga e uva. Geléias e doces em compota fazem a alegria de adultos e crianças e têm presença garantida na mesa dos brasileiros. Fabricar esses produtos é uma atividade que tem demanda certa. Antenados com as exigências do consumidor moderno, empreendedores do ramo sugerem incrementar a produção com itens orgânicos - feitos com matérias-primas isentas de agroquímicos -, sem falar nas linhas diet e light. Trabalhar com frutas exóticas, como açaí, araçá, camu-camu, cupuaçu e umbu também pode gerar bons resultados. O investimento inicial em uma pequena fábrica vai de R$ 50 mil a R$ 150 mil e a margem de lucro fica entre 20% e 30% sobre o faturamento. Para atuar na produção, recomenda-se a contratação de 5 a 15 funcionários.

A mão-de-obra não precisa ser especializada, já que o trabalho é de fácil execução. Mas é importante que o empresário faça cursos (em entidades como o Sebrae) e tenha ao seu lado um técnico de alimentos para controle da produção. Além disso, deve respeitar as regras de higiene especificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que realiza inspeções semestrais nas fábricas. Para uma empresa de pequeno porte, o espaço deve ter cozinha, área de armazenagem, escritório e banheiro. Na limpeza não deverão ser utilizados produtos químicos, para que não haja interferência no sabor dos produtos.

Tachos especiais estão entre os equipamentos
De acordo com o Sebrae nacional, os equipamentos básicos para instalação de uma pequena fábrica de geléias e compotas são um fogão, uma bancada, tachos especiais (para o cozimento da fruta), uma mesa de trabalho, uma geladeira, um freezer, louças em geral (panelas, talheres etc.), prateleiras, armários. No escritório deve haver cadeiras, telefax, máquina para calcular, computador e impressora. Nos empreendimentos mais incrementados, existem, além da sala de fabricação, as seguintes seções: plataforma de recepção das frutas, processamento, depósito de produtos acabados, recepção de produtos não aproveitáveis (cascas e sementes).

Em muitas fábricas existem ainda câmara fria, depósitos de ingredientes e embalagens, expedição, vestiários e refeitório. À frente da Associação de Produtores Alternativos de Outro Preto D"Oeste (APA-Flora), em Rondônia, Lindomar Ventura dos Santos conta que a área de produção de geléias tem sete empregados. O processo produtivo tem etapas de despolpamento, cozimento (em dois tachos com capacidade para 150 quilos, cada), resfriamento e pasteurização. O tempo de cozimento varia de 40 minutos a 1 hora. Na APA-Flora, além do açúcar, utiliza-se a pectina natural, extraída do maracujá.

Conforme explica Santos, são produzidos 6 mil potes (de 300 gramas), por mês. O preço do produto, para o consumidor final, fica na média de R$ 4,50. As frutas utilizadas na fabricação são açaí, acerola, araçá-boi, cupuaçu e maracujá. A produção, que antes era pulverizada na região, envolvendo cerca de 600 famílias, foi centralizada na sede da Associação, visando à profissionalização do negócio. Além dos doces, a APA conta com as seções de fabricação de polpa de frutas, palmito e licores. O público consumidor concentra-se na região Sudeste (eixo Rio-São Paulo), mas a APA não deixa de atender os fregueses locais e do Ceará. Para o ano que vem, há planos de exportar para Alemanha, Portugal e França.

Além disso, os produtos, feitos com ingredientes naturais, receberão certificação como orgânicos em 2006. O ideal, de acordo com o chefe da Associação, é que os doces sejam acondicionados em recipientes de vidro, já que os produtos passam pelo processo de pasteurização - pelo qual se eleva a temperatura dos doces (depois de cozidos), e depois rebaixa-se imediatamente a temperatura, conservando o alimento dessa forma até o consumo. Assim, se eliminam as bactérias, permitindo uma validade de cerca de um ano. "Com o plástico isso não é possível porque o material se deformaria em altas temperaturas. Nesse caso, é necessário utilizar produtos químicos para obter a validade desejada", comenta Santos.


Raio X

Investimento Inicial: R$ 50 mil a R$ 150 mil

Margem de lucro: 20% a 30%

Faturamento médio mensal: R$ 20 mil

Funcionários: 5 a 15

Área: acima de 80 metros quadrados

Risco: médio, devido à forte concorrência. Quanto maior a qualidade, maior a chance de minimizar o risco. Deve-se prestar atenção na higiene e na conservação. Cuidados com rotulagem e embalagem são fundamentais.

Fonte do risco: Haroldo Caser, do Sebrae/RJ.

Doces representam segmento significativo
Segundo especialistas do Sebrae nacional, no mercado de produtos alimentícios, os doces, de uma maneira geral, representam um segmento altamente significativo. Nesse contexto, as compotas e geléias têm grande aceitação, mantendo expressivos volumes de vendas. A definição técnica da geléia é a seguinte: trata-se de um alimento obtido da combinação de polpa de frutas com açúcar, levados ao cozimento em tachos ou panelas. Normalmente, os fabricantes trabalham com partes iguais de fruta e açúcar. Muitos, porém, usam uma parte de pectina - uma fibra solúvel, dietética natural, que, além de ser mais saudável, ajuda a engrossar o doce.

Sócio da Casa da Geléia, em Lençóis (centro-oeste da Bahia), José Carlos Vieira de Moraes começou no ramo há 25 anos. Além das tradicionais geléias e compotas de banana, goiaba, laranja, maçã, manga, maracujá, morango e uva, o empresário, que montou uma pousada só para receber os turistas que procuram os doces, oferece os sabores acerola, amora, cajá, cambuí, groselha, jabuticaba, pitanga, tamarindo, umbu, e o mais exótico de todos: pimenta. "Temos um quintal de 10 mil metros quadrados de onde tiramos várias frutas, entre elas acerola, amora e tamarindo. As outras compramos em feiras livres locais", comenta o empresário, acrescentando que quem comanda a cozinha, sozinha, é a esposa e sócia, Maria Vitória de Oliveira Costa.

Empresários devem ficar atentos à sazonalidade
O empreendedor comercializa metade da produção mensal de 200 potes (350 gramas, cada) para turistas, oriundos principalmente da Finlândia, Holanda, Noruega e Suécia. Ele diz que é preciso estar atento à sazonalidade de certas frutas. "Abacaxi, banana, laranja e maçã, por exemplo, têm o ano todo, mas as outras não. É preciso planejar a produção", alerta Vieira, que utiliza os recipientes de vidro por causa do processo de esterilização. Mensalmente, a Casa da Geléia gasta cerca de 200 quilos de açúcar no fabrico. "No mês de julho, quando há férias na Europa, o consumo aumenta", afirma dona Lia. Os potes de 350 gramas são vendidos a R$ 9.

Nesse ramo, quem pretende trabalhar apenas com loja, em vez da fabricação, pode se sair bem. Proprietária da Diet Company, de Curitiba, Flávia Letícia de Moraes Garcia garante que os doces diet estão cada vez mais parecidos com os comuns. No seu negócio, o carro-chefe é o chocolate, mas os doces de abóbora, banana e coco e as compotas de figo, goiaba, pêra e manga fazem grande sucesso. Os pedidos são feitos pela internet e o preço dos doces fica na média de R$ 5,90.

"O que me motivou a abrir o negócio, há 11 anos, foi a dificuldade de encontrar produtos para o meu pai, que é diabético. Aqui no Sul, praticamente não existiam itens do gênero e resolvi viajar para pesquisar o que havia no mercado. O consumo dos produtos é crescente", reforça Flávia, que faz entregas para todo o Brasil.

Serviço
APA-Flora, 0xx69-3461-2059 ou www.apaflora.com.br

Casa da Geléia, 0xx-75-3334-1151

Diet Company: 0-xx-41-232-2801

Sebrae, 0800-78-2020




Fonte: Jornal do Commercio
Autor: GUSTAVO MONTEIRO