SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 03/08/2005
Autor: Roberto Adami Tranjan
Fonte: REVISTA EMPREENDEDOR

Sete perfis, uma questão de escolha

Dizem que há dois tipos de empreendimentos: os motivados por necessidades e os motivados por oportunidades. É uma classificação bastante razoável e, de maneira simplificada, deixa subentendidos as razões e os motivos que impulsionam um indivíduo a empreender. Mas gostaria de ir mais fundo nesses tipos e nas motivações intrínsecas e extrínsecas.

Os perfis apresentados a seguir decifram a natureza básica de muitos negócios, bem como as possibilidades de sucesso e as probabilidades de fracasso. Em suma: um negócio pode ser mais bem compreendido a partir da sua genética. A gene é explicada a partir das razões e motivações que estavam na mente do empreendedor quando de sua constituição.

O GUERREIRO

Existe um tipo de empreendedor que podemos chamar, sem exagero, de guerreiro. Muito apreciado pela sociedade, é reconhecido como pau pra toda obra. Entende mercado como sinônimo de guerra. Muito combativo, o guerreiro se arma para competir e marcar o seu território. Seu principal propósito é ganhar a batalha e, para isso, não mede esforços. Utiliza todos os meios disponíveis para chegar lá, não importa se isso macula valores e princípios. Para ele, negócios são negócios, e as outras coisas vêm depois, se der tempo. Ambiente de trabalho não é lugar para fantasias, filosofias e conversas fiadas. Resultado é decorrente de muito trabalho, ainda que à custa de muito sangue, suor e lágrimas.

É possível que você reconheça esse tipo de empreendedor, mas é mais fácil ainda reconhecer o tipo de empresa que ele é capaz de constituir: ausência de tempo, relacionamentos evasivos, conflitos e crises diárias.

O JOGADOR

O segundo tipo de empreendedor é o jogador. Como bom apostador, o jogador gosta do duelo e do certame. Para ele, competir não é tudo, o importante é vencer. Não suporta perder. Por isso, todo concorrente é um rival que precisa ser destruído, custe o que custar.

O jogador cobiça os melhores profissionais dos concorrentes e tenta atirai-los comprando seus passes e acenando com dinheiro e benesses. Para ele, escrúpulo é uma palavra que não combina com negócios. Se puder, compra também a empresa rival, aumentando com isso o market-share que, para ele, é a única palavra que precisa ser levada a sério no mundo dos negócios.

Ambos os perfis, do guerreiro e do jogador, têm uma importante semelhança: enxergam o mercado como um lugar precário e escasso. Acreditam que, nos negócios, para alguém ganhar, alguém tem de perder. Com isso, geram ambientes de trabalho de muita disputa, frenesi e adrenalina. Não é o que ocorre com os perfis a seguir. Estes compreendem de uma forma diferente os seus papéis e os seus negócios. Prossiga para reconhecê-los.

O CURIOSO

O terceiro perfil é o do curioso. Diferentemente dos dois anteriores, o curioso não vê o mercado como um lugar ameaçador, mas como área a ser desbravada. Sabe que ali mora a oportunidade, e o seu trabalho é localizá-la.

Como bom abelhudo, gosta de observar, conversar, pesquisar. Tem interesse por tudo, inclusive por assuntos fora da sua área de competência. Possui um bom nível de conhecimentos gerais e gosta de colocar os paradigmas em xeque.

O curioso vê o mercado como um local onde existe muito ainda para ser feito. Com isso, não pensa em disputa, pensa em descoberta. O mercado possui os seus próprios códigos. O seu papel, como empreendedor, é decifrá-los, como se estivesse diante de uma esfinge egípcia - o que está à superfície não traduz toda a complexidade de seu simbolismo.

O PERFEITO

O perito é o quarto perfil. Reconhece possuir competências úteis para o mercado. Estudou, pesquisou e preparou-se para isso. É do perito a máxima que diz que "quem não tem competência, que não se estabeleça".

Embora reconheça suas competências, sabe que elas pouco valem se não resolverem algum tipo de problema. Por isso, compreende o mercado como um lugar que abriga necessidades e o seu papel está em fazer a conexão entre elas e as suas próprias competências.

Sabe também que as necessidades do mercado estão sempre mudando e, por isso, as competências também precisam ser recicladas e aprimoradas, todo o tempo. É por isso que esse tipo de empreendedor valoriza tanto o aprendizado e o conhecimento no ambiente de trabalho. Para ele, o cérebro é o principal meio de produção e a chave para o sucesso futuro.

O ARTISTA

O quinto perfil é o artista. Para ele, o mercado é como uma tela em branco Tudo está para ser feito. Para o artista trabalho é uma forma de expressar a arte e, portanto, uma forma também de auto-expressão. Deve ser feito com es mero e excelência.

Para o artista, o cliente é alguém que precisa ser encantado todos os dias O mercado funciona como fonte de inspiração, mas é na imaginação que está grande seara de oportunidades. Para o artista, o mercado é abundante, sem limitações. Estas estão no bloqueio que impede a mente de sonhar e imaginar.

Para o artista, um empreendimento é um sonho tornado realidade. Portanto, por si só, uma obra-prima. O empreendedor artista recusa imitações Não gosta de benchmarking e não da bola para a concorrência. Para ele, o seu empreendimento é único.

Existe uma grande diferença entre esses três últimos perfis e os dois primeiros. Enquanto o guerreiro e o jogador acreditam na escassez, o curioso, o perito e o artista acreditam na abundância. Enquanto os primeiros falam mais de crises do que das oportunidades, estes últimos enxergam oportunidades por todos os lados. Enquanto aqueles lutam pelo sustento e sobrevivência, estes pensam em prosperidade e riqueza.

As crenças determinam a natureza dos empreendimentos. Negócios empreendidos por guerreiros e jogadores sofrem com problemas de escassa e frágil relação de confiança entre os funcionários, dificuldades em formar times, baixo nível de compromisso, motivação e desempenho. Prevalece a transação comercial ante os relacionamentos junto a clientes e fornecedores. E não é difícil de compreender o porquê. Guerreiros atraem guerreiros; jogadores atraem jogadores. Acabam, portanto, sendo vítimas das suas próprias crenças.

Curiosos, peritos e artistas constroem empreendimentos diferentes. São outras as suas razões e motivações. Nestes, curiosidade, conhecimento e criatividade são palavras muito valorizadas. Elas se disseminam nas empresas onde existem comprometimento com os propósitos, confiança nas relações, excelência nos relacionamentos. Não é difícil de imaginar que também os resultados são de magnitude diferente.

Paciência, que ainda não concluímos. Existem os empreendedores especiais, caracterizados pelos dois perfis a seguir. São os que compreenderam a função de empreender de uma forma extraordinária.

O SOLIDÁRIO

O primeiro deles é o solidário. Para esse sexto perfil, o mercado é o local ideal para prestar ajuda e para o serviço da solidariedade. Não se trata de filantropia ou de empreender negócios do terceiro setor. Trata-se de ganhar dinheiro enquanto se faz o bem.

O empreendedor solidário é aquele que coloca a ética e a integridade acima de tudo. Reconhece a importância do lucro, mas sabe qual é o seu lugar na escala de valores. Não participa de jogatinas e corrupções, pois reconhece no seu negócio uma forma de contribuir e não de extrair. Vê, sim, a realidade e seus problemas, mas acredita que contribuirá para o todo atuando de maneira correta e leal. Sabe que exemplo gera exemplo.

O solidário quer uma empresa solidária. Internamente, na forma de uma equipe comprometida com os valores essenciais do trabalho e da vida. Externamente, na forma de uma relação de transparência e fidelidade com clientes, fornecedores e investidores.

O CULTIVADOR

O sétimo perfil é o do cultivador, aquele que compreende que faz parte de uma obra maior. Essa obra maior é um grande canteiro que precisa dos seus dotes.

O cultivador acredita estar no mundo para fazer alguma diferença e deixar mas pegadas por onde anda. Para ele, um empreendimento só tem razão de ser e acrescentar algo de novo para a construção dessa grande obra. A motivação do cultivador está em primeiro plantar, para depois colher. E a colheita é para ser compartilhada. Anima-o ver florescer e compartilhar os frutos. Para ele, um empreendimento é uma aventura audaciosa e preciosa, feita para somar à humanidade, ou não é nada.

O cultivador jamais coloca o lucro antes das questões humanitárias. Possui ampla consciência do que seja um negócio e da importância desse negócio admite dos interesses coletivos. Para o cultivador, empreendimentos, negócios e trabalho foram feitos para unir os seres humanos em prol de um mundo melhor. É assim que pensa, é assim que age.

São sete perfis e sete fontes de energia. Cada tipo de mercado determina a maneira como uma empresa é moldada: sua organização, produtos, estratégias, equipe, estilo de liderança, cultura, etc. O tamanho da crise, obstáculos problemas têm relação direta com o mercado escolhido para atuar. Portanto, é uma questão de escolha!


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