SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 10/08/2005
Autor: Adriana Thomasi
Fonte: GAZETA MERCANTIL - 30/07/2005

A prova de que tamanho não é documento

Cresce o número de pequenas e microempresas que enfrentam o desafio de conquistar - e manter - espaço no mercado internacional.

É verdade que a participação das micro e pequenas empresas nas exportações brasileiras é pequena, sem trocadilhos. Não chega a 3% do valor global das vendas internacionais do País, segundo dados do Sebrae, entidade de apoio ao micro e pequeno empresário. Mas é fato que o número de pequenos negócios que decidem exportar tem crescido ano a ano.

Pesquisa do Sebrae mostra que, em 1998, o número de empresas industriais exportadoras de micro o pequeno portes era de 5.971. Em 2003, elas somavam 7.257 e, só no primeiro semestre do ano passado (o dado mais recente da pesquisa), elas eram 5.998.

A boa notícia é que o valor das exportações feitas por esse grupo de empresas também aumentou. Passou de cerca de US$ 3,4 bilhões em 1998, para mais de US$ 3,7 bilhões em 2003. E o no primeiro semestre de 2004, chegou a US$ 5,2 bilhões. Trata-se de um desempenho significativo. É bom lembrar que os cerca de 5 milhões de pequenas e microempresas formais respondem por algo em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Entre os fatores que colaboraram para esses resultados, segundo o Sebrae, estão o forte incentivo (do governo, principalmente) à inserção de novas empresas no comércio exterior, resultante da desvalorização cambial de 1999, que aumentou a competitividade das vendas brasileiras no mercado internacional. Destacam-se também a criação de programas que buscam promover a expansão das exportações das pequenas e microempresas, como o Exporta Fácil, dos Correios, e a criação de consórcios de exportação, desenvolvidos pela Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil).

Um exemplo entre as muitas pequenas empresas que prosperaram impulsionadas pelas vendas no exterior é a Natural Terra. Instalada no bairro Aldeota, em Fortaleza (CE), a empresa fabrica sabonetes artesanais e outros produtos para o tratamento do corpo. Tem quatro empregados fixos e funciona 15 horas por dia para dar conta das encomendas. "Recebemos pedidos de Cabo Verde, da Itália, da Inglaterra e dos Estados Unidos e isso sem considerar as encomendas do varejo nacional e as novas consultas de exportação que chegam a cada dia", diz a curitibana Patrícia Rodrigues, dona da empresa.

As exportações são fundamentais para a existência da Natural Terra, que ,tem 70% dos negócios baseados nas vendas externas. Até o final deste ano, a empresa terá embarcado 1,7 mil quilos de sabonetes para os mercados já citados. Seu diferencial são as matérias-primas que utiliza na fabricação dos sabonetes como frutas, sementes e florais, também usados na produção de óleos para o corpo e sais de banho. A empresa também fabrica hidratantes no inovador formato de barra e feitos à base de chocolate, morango e champanhe. São 80 diferentes opções de produtos, a maioria vendida a granel.

O que a primeira vista parece esquisito agradou as consumidoras estrangeiras. Prova disso, é que Patrícia já está prospectando negócios para a França e para o Oriente Médio. Se tudo correr bem, a empresária diz acreditar que, até 2006, sua empresa poderá aumentar as vendas ao exterior a algo em torno de 300 quilos de produtos a cada 40 dias. Hoje, vende cerca de 200 quilos no período.

Não importa se a empresa é pequena ou grande, é preciso seguir uma regra básica para exportar: alta qualidade. A tarefa não é fácil. Muitas vezes é necessário que o exportador tenha selos de qualidade garantidos por órgãos específicos, conforme o produto exportado, tanto do Brasil quanto do país onde o produto será vendido. É preciso observar também se as embalagens são adequadas, além da capacidade de gestão do negócio. "Tudo deve estar muito afinado para assegurar a continuidade dos contratos", diz Patrícia, que buscou o serviço de consultoria do Sebrae no Ceará para a empreitada.

Outro caso de sucesso tem como personagens principais empresas baianas especializadas em moda praia e ginástica. Há quatro anos, a Agreé, a Porta Avião, a Anaport, a Cilly e a Smob se uniram num consórcio denominado Bahia Beach Export, que já garante exportações de 20% das 300 mil peças produzidas pelo grupo.

"Sabíamos da qualidade dos produtos e resolvemos ousar, investindo no mercado internacional", afirma Sônia Brito, presidente do consórcio. O Bahia Beach Expor gera 200 empregos diretos e tem como principais mercados a Itália e a Espanha, mas seus produtos já são vendidos na África do Sul, em Angola, nos Estados Unidos, em Portugal, na França e na Alemanha.

Segundo Sônia, uma das razões do sucesso do consórcio é a preocupação da empresas em manter a identidade da cultura baiana nas peças que produzem. Ou seja, versatilidade, riqueza de cores, autenticidade e variedade de matérias-primas. Tudo isso costurado pelo fator qualidade. Para levar adiante o projeto, o consórcio contou com apoio de entidades como Sebrae, Apex-Brasil e Centro Internacional de Negócios da Bahia (Promo). "Elas oferecem suporte em viagens internacionais, ajudam no marketing com apoio e supervisão na montagem de catálogos e realização de pesquisas de mercado", diz Sônia, que espera dobrar as vendas externas do Bahia Beach Export nos próximos anos.


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