SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/08/2005
Autor: Carolina Sanchez Miranda
Fonte: Gazeta Mercantil

O desafio de pais e filhos na empresa

A relação, normalmente complicada, pode por vezes dar bons resultados. O dia dos pais está chegando e com ele costuma vir a lembrança de que se passa menos tempo do que se gostaria com o próprio pai ou mesmo com os filhos. Isso não acontece, no entanto, quando ele é seu chefe, subordinado ou até sócio na mesma empresa. E quando a convivência no trabalho é uma escolha feita tanto por pais quanto por filhos, os laços afetivos tendem a se estreitar ainda mais. Até porque ambos têm que enfrentar diariamente o desafio de separar a figura corporativa da figura íntima.

Para David e Vilfredo Schürmann, esse processo foi facilitado pela convivência que tiveram durante anos nas duas expedições que fizeram pelo mundo em um barco. "Não sei se teria a mesma relação com meus filhos, caso ficássemos em terra. Antes de embarcarmos, minha política era muito verticalizada. Tinha a postura do pai que pensa saber tudo e acredita que os filhos não sabem nada", conta Vilfredo.

Para sobreviver em alto mar é preciso trabalhar em equipe, mas a primeira experiência oficialmente profissional de David e Vilfredo aconteceu em 1995, quando o filho foi convidado para participar da segunda expedição da família, depois de ter passado alguns anos estudando cinema na Nova Zelândia. "Eu topei, mas quis fazer algo mais profissional, um longa metragem", lembra David. Dois anos depois, ele partiu com os pais como um funcionário, que tinha salário e responsabilidades definidas. "Atuava como diretor do material produzido para o Fantástico e era responsável pelas comunicações via satélite."

Para o filho, foi nesse momento que eles descobriram que a relação de trabalho entre eles dava certo. "Eu entrava com o lado criativo e meu pai com o do planejamento. Como economista e escorpiano, ele vive colocando meu pé no chão", conta David. Vilfredo confirma a história. "Meu filho é muito criativo. Muitas ve-

zes eu tenho que dizer: peraí!" Hoje os dois são sócios da Schürmann Corporate, que oferece palestras, workshops e eventos corporativos em todo o Brasil. "Para mim foi muito importante ser chamado para sociedade porque isso aconteceu como resultado do meu trabalho. Eles realmente compraram meu passe. Fizeram uma negociação comigo da mesma maneira que fariam com qualquer outro profissional". David não abandonou a carreira de cineasta, mas sua ocupação principal é a empresa. Ele garante que é isso o que realmente deseja fazer. "Meus irmão que seguiram outros rumos, mas eu queria dar continuidade aos negócios da minha família."

Segundo Renato Bernhoeft, consultor de empresas especializado em negócios de família, o primeiro passo para o sucesso da relação profissional entre pais e filhos é que ela aconteça por opção do filho. "Ele precisa querer abraçar o sonho do pai, senão não dá certo. O pai não vai conseguir convencê-lo disso se for obrigado".

Assim como no caso dos Schürmann, Natalie e Frederick Keone devem continuar por trabalhando juntos por opção da filha. Ela concluirá a faculdade de Relações Internacionais no final do ano, mas não pretende abandonar a função de coordenadora de cursos da franquia da Pink and Blue Freedom, que a família tem há mais de 20 anos. "Meus filhos nasceram dentro da escola, quase que literalmente. Trocávamos as fraudas deles por aqui. Conforme foram crescendo, foram adquirindo responsabilidades", lembra Frederick.

Artur, o mais novo, também trabalha na escola auxiliando nas ações de marketing e fazendo um pouco de tudo, mas tem outras ambições. "Quero fazer um curso no exterior e seguir carreira como design gráfico", afirma.

"Tenho uma satisfação enorme quando meus clientes admiram-se com o fato de trabalharmos juntos e perceberem que essa relação dá certo". Não foi por vaidade, no entanto que envolveu seus filhos no trabalho. "Queria prepará-los para o mercado de trabalho, que está muito difícil hoje. Por isso, sempre fiz questão de tratá-los como funcionários, sem distinção", diz. Natalie e Artur, confirmam a história e garantem que não são privilegiados com salários maiores ou promoções. "Convidamos a Natalie para ser coordenadora por competência dela", ressalta o pai.

Érika e Hélio Reis têm uma relação mais tranqüila. Apesar de sócios, o pai é mais um consultora da filha na franquia que abriram do restaurante fast food Giraffas. A escolha pelo ramo de franquia e marca veio de tanto freqüentar as praças de alimentação dos shoppings centers, lembra Hélio. "Estávamos almoçando e a Érika teve a idéia de abrir um restaurante". Aos 27 anos e formada em Pedagogia, Érika se diz satisfeita com a escolha. "Sempre quis montar meu próprio negócio e com a ajuda e experiência do meu pai tenho certeza que ele vai prosperar".

Segundo a jovem empreendedora, o choque de gerações não prejudica a administração do restaurante que fica dentro do Wall Mart Tamboré. Érika se encarrega diariamente do bom funcionamento da loja e da relação com os colaboradores, já o pai, cuida da parte financeira e burocrática do negócio. "Dou as minhas dicas e tento manter a filosofia do bate e assopra, coisa de pai, sempre ensinando a virtude da humildade a todos", lembra o empresário de 57 anos. O feeling do administrador de empresas deu certo e ambos já pensam em ampliar os negócios abrindo outras lojas em breve.

Bernhoeft afirma que separar a relação profissional da pessoal entre pais e filhos é bem difícil, mas deve ser um exercício para os dois. "É importante reservar momentos para conversar só como pai e filho". Ele próprio tem a experiência de trabalhar com a filha, Renata. "Às vezes almoçamos juntos ou marcamos programas no final de semana para conversar. Eu quero saber como anda a vida dela, o que ela está sentindo, o que está planejando".

As brigas, claro, acontecem. "Temos pontos de vistas bem diferentes e travamos discussões bem calorosas em reuniões, mas sempre saem boas idéias", conta David. "Nós discutimos muito, às vezes sai fumaça. Não digo isso muitas vezes para ele, mas tenho orgulho dele. Não dá para fazer elogios o tempo todo é preciso apontar os erros", diz o pai.


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