SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 22/08/2005
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Educação na infância é base para vida financeira

Você sabia que as atitudes que funcionaram na infância e nos levaram a conseguir os resultados desejados foram, em boa parte, responsáveis pela formação da mentalidade financeira que temos hoje? Pois é o que afirma a educadora com especialização em educação infantil, criadora e coordenadora do Programa de Educação Financeira em inúmeras escolas do País, Cássia D'Aquino.

Ela explica que construímos as bases de nossa relação com o dinheiro até os cinco anos de idade. Por isso, desde 1996, ela realiza palestras e participa de congressos orientando professores e pais a ensinarem seus filhos a lidar com o dinheiro.

A educadora é incisiva quando explica que educação financeira não é o mesmo que planejamento financeiro. "O planejamento é só uma parte da educação financeira e não adianta só planejar, é preciso saber ganhar também", explica ela.

Para a educadora, os quatro princípios básicos da educação financeira são: ganhar, gastar, poupar e doar tempo e talento. E ela defende que a educação financeira deve ser feita a partir do maternal, com crianças de 2 anos. "Falar sobre dinheiro é só uma desculpa para falarmos de muitas outras coisas. É claro que você não vai falar de finanças com crianças, isso seria jogar conversa fora. É preciso construir uma base para ela lidar com o dinheiro no futuro", esclarece Cássia.

O fundamental na idade entre dois a cinco anos é ensinar as crianças a serem capazes de fazer escolhas. Aprenderem a reconhecer a diferença entre querer e precisar. Lembrando sempre que o precisar deve ser atendido antes.

Outra questão importante é ensinar a criança na resolução de problemas. "Há cursos para adultos para ensiná-los a resolver problemas, e isso deveria ser feito quando ainda eram crianças", sugere a educadora.

Ela explica que devemos ensinar as crianças a serem capazes de perceber como se dá o encaminhamento da resolução de dilemas. Afinal, sabemos que não existe uma só solução para os problemas. Apesar do formato da educação tradicional ser avesso a isso, já que provas e testes dão ao aluno a impressão de que ele pode apresentar apenas uma resposta para um problema, constatamos que a vida não é assim. Existem, na verdade, muitas alternativas e, para se dar bem no mercado de trabalho, é preciso saber escolher a melhor opção.

Um fator necessário da educação financeira dos filhos é ter paciência, consistência e repetição. Afinal, para ensinar crianças é preciso que o assunto seja permanentemente reforçado.

A mesada

Inspirados na cultura norte-americana, os brasileiros começaram a dar mesadas aos seus filhos. Porém, como em nosso país ainda não se tem essa tradição da mesada, segundo a educadora, muitos erros ainda são cometidos. Dentre os mais comuns, estão: dar mesada a crianças muito pequenas, afinal, ela só deve ser oferecida a partir dos 11 anos. Antes dessa idade, a criança não tem ainda a noção de mês; associar o pagamento da mesada às notas do colégio ou ao comportamento da criança, punindo em caso de desobediência e até retirando a mesada; esquecer o dia ou semana e, de repente, pagar tudo de uma vez; pedir a mesada do filho emprestada (para comprar pão ou pagar o ônibus da faxineira) com a falsa promessa de devolver e pagar uma quantia inadequada (excessiva ou baixa demais). Todos esses erros acabam prejudicando a noção de planejamento financeiro das crianças em vez de colaborar.

Para a especialista, a mesada deveria ensinar dois tipos de habilidades: gastar e poupar. Lembrando que poupar, para crianças, deve ser sempre em curto prazo e, conforme elas vão crescendo, pode-se alargar esse horizonte para se poupar. "É importante também que a criança possa gastar com coisas necessárias e banais. Que possa detonar o seu dinheiro também", aconselha Cássia.

Isso porque ela considera importante que a criança, além de gastar com lanches na escola, tarifas de ônibus, metrô ou cinema, possam fazer compras de livre escolha para poder cometer alguns erros. "Essa é a melhor idade para se falir e fazer maus planejamentos financeiros, pois não há o risco de se terminar um casamento, ir para a lista do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) ou falir uma empresa. Esse conhecimento, incluindo os erros, ajudará muito a criança a não enfrentar problemas com valores maiores no futuro", garante a especialista.

"ENSINO DAS ESCOLAS É INSUFICIENTE"

Os pais devem se dedicar à educação financeira mesmo que as escolas ensinem as crianças sobre como se deve lidar com o dinheiro e outras escolhas. É o que afirma Cássia D'Aquino, educadora com especialização em educação infantil, criadora e coordenadora do Programa de Educação Financeira. A educadora, inclusive, sugere uma forma de se ensinar os filhos dentro de casa. "Vamos supor que a sua família está se organizando para as férias de dezembro. Aproveite a oportunidade e chame os filhos para decidir para onde vocês vão viajar. Faça um plano com a família e determine funções para cada um", afirma.

"Um dos filhos pode ficar responsável por procurar hotéis, o outro pela pesquisa de passagens. E todos devem colaborar, diminuindo o número de saídas para restaurantes, por exemplo, alugar menos DVDs para assistir nesse período de planejamento, entre outros", acrescenta a especialista.

Segundo Cássia, toda a família se envolve na construção de um planejamento, fazendo assim o uso da racionalidade para se economizar o necessário.


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