SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 25/08/2005
Autor: Estado de São Paulo
Fonte: Estado de São Paulo

Moda exige estratégia e agilidade de executivos

Grifes daqui e de fora estão profissionalizadas e querem o alto escalão bem preparado, para expandir negócios e manter imagem das marcas

Não importa se é bonito ou feio, se tem estilo ou capricho. "É preciso que a coleção que lançamos seja vendável", decreta Malu Barreto, diretora de marketing da grife italiana Valentino. Ela, que começou sua carreira no mercado financeiro, diz que hoje, mais do que nunca, a moda precisa deixar o glamour de lado e apostar na modernização de seus processos.

"O profissional deste segmento precisa, assim como em qualquer empresa, ter forte formação em análise e estatística, entender de balanço, pois vai fazer orçamentos e projetar as vendas da companhia", diz.

Malu é brasileira e vive em Milão, na Itália. É a profissional que faz a ponte entre a área de criação e de vendas dentro da marca. Ou seja, precisa também ser diplomática na hora de falar para um estilista que o seu desenho não é comercial ou que o bordado elaborado não pode entrar na roupa, pois não existem fornecedores preparados para atender aos prazos que o departamento de vendas exige. "Outro detalhe que preciso ficar muito atenta é se a coleção tem peças em todas as faixas de preços, com uma abertura que permita a entrada de mais clientes", diz.

Nesta profissão, conta, é preciso deixar o gosto pessoal de lado e tentar passar, ao máximo, o valor da marca, sempre com foco em aumentar os negócios da empresa. "Por isso, temos que monitorar toda a concorrência, ver vitrines e coleções."

Nas indústrias brasileiras, Andrea Kurbhi, sócia e diretora-comercial da grife Spezzato, conta que a profissionalização também é grande. "A moda é muito rápida e exige agilidade do profissional. Se passa o tempo de uma roupa chegar ao consumidor, perdemos toda a mercadoria."

Hoje, afirma Andrea, as informações são globalizadas e é preciso investir em cursos e treinamentos motivacionais. "Temos que trabalhar a imagem da empresa e fazer sua comercialização correta em todos os setores. A empresa precisa ser a melhor e saber passar emoção para o cliente, pois a gente vende um sonho, que é o cliente se sentir bonito."

A estilista Tereza Santos, que criou a marca Patachou, ressalta que um dos maiores desafios do executivo da moda é lidar com o tempo. "É muito importante sempre olhar para o futuro, fazendo a gestão na velocidade dos acontecimentos. São empresas que se renovam a cada seis meses, desde linha, tecido, até a modelagem usada", conta.

Para ela, as ações do mundo da moda precisam estar baseadas em muita estratégia. "O luxo, glamour e status representam a nossa cara, mas por trás é preciso planejar o tempo todo, dando o foco para onde se quer levar a marca", afirma Tereza, que exporta 8% de sua produção e tem um espaço fixo na galeria Lafayette, um dos pontos mais luxuosos de Paris.

OPORTUNIDADE

O Brasil possui um imenso mercado consumidor interno e já está inserido no comércio internacional da moda, com exportações que chegaram a US$ 5,3 milhões no ano passado. Por isso, o italiano Mauro Mantica, diretor do Istituto Europeo di Design, escola em São Paulo que oferece um curso de especialização em varejo e consumo da moda, diz que os brasileiros precisam aprender a transformar toda sua energia criativa em negócios. "O País precisa de profissionais capacitados para fazer isso, que saibam gerenciar desde a criação até a comercialização", afirma.

Para ele, o Brasil tem grandes chances de se transformar em um grande fornecedor de moda mundial, assim como a Itália começou a ser nos anos 60. "Existem muitas oportunidades na indústria têxtil e de moda para competir com os produtos chineses. Basta ter profissionais que saibam traduzir as exigências do consumidor a um bom custo de produção."

Adriana Vianna Dias, coordenadora do curso Fashion Business, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo, acredita que a moda não é um produto como outro qualquer. "O profissional precisa ter conhecimento de administração, economia, direito e gestão de produto. Existe muita criatividade no Brasil, mas não bons administradores para este segmento", diz.

Segundo Adriana, o mercado da moda, agora, cresce com mais maturidade, buscando se informar e ter pessoas capacitadas. "Não são mais empresas que simplesmente passam de pai para filho. Os fabricantes estão inseridos no mercado externo e vai sair na frente quem tiver mais conteúdo."

O glamour, afirma Mantica, continua sendo necessário para a sobrevivência da moda, mas não pode ser mais a única força motriz das marcas: "Não se vende um simples pano, mas o sonho e o status que vêm com a roupa. E é preciso ter faro de homem de negócios para sobreviver neste setor."


Destaques da Loja Virtual
GESTÃO DE ATIVOS INTANGÍVEIS

As técnicas de mensuração de ativos sempre deram ênfase no passado para determinar o quanto vale o negócio e quanto a empresa pode captar de recursos ...

R$45,00