SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 12/09/2005
Autor: Raquel Bocato
Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO

Incubação perde fôlego, mas cresce

Perspectivas são boas para o modelo, que projeta 92 novas gestoras de negócios

Em princípio, o crescimento de 5% no número de incubadoras de empresas em 2005 é uma notícia animadora. Mas o dado esconde sucessos anteriores: em 2004, o setor teve um aumento de 37%. Os índices históricos de expansão variam de 10% a 20% por ano.
Porém, existem boas perspectivas para o setor. Há projetos para a formação de 25 incubadoras, e outras 92 estão sendo concluídas -oito a mais do que em 2004.

Os dados são do "Panorama de Incubadoras de Empresas e Parques Tecnológicos", elaborado pela Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores).

"A pesquisa de 2004 foi realizada em outubro; a deste ano, em junho. A previsão é a de que até o fim de 2005 sejam criadas entre 30 e 50 novas incubadoras", avalia o presidente da Anprotec, José Eduardo Fiates. Segundo ele, "o desafio é ampliar o número de incubadas e incubadoras para que as empresas comecem a ocupar as lacunas deixadas pela morte de 15 milhões de firmas ao ano", fato que, de acordo com estimativas do Sebrae, causa uma perda econômica -incluídos empréstimos, capital investido e capital de giro- de R$ 6 bilhões ao país.

Na corrida para desenvolver centros de inovação, o Rio Grande do Sul ocupa a primeira posição. O Estado concentra 85 incubadoras, 28,6% das 297 existentes no país. É mais do que as das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste somadas. Os Estados de São Paulo (43), Paraná e Minas Gerais -com 26-, Rio de Janeiro (23) e Santa Catarina (17) vêm atrás.
O incremento, segundo Fiates, precisa vir aliado a "muito apoio às firmas e a essas instituições". Apesar de o faturamento de incubadas e incubadoras estar estimado em R$ 1,8 bilhão -um aumento de 25% frente ao ano passado-, a rentabilidade média não passa de R$ 10 mil por empregado/sócio ao ano. "[O montante] deveria estar em R$ 5 bilhões", estima o presidente da Anprotec.

Networking

Para Paulo Alvim, do Sebrae, o baixo resultado na lucratividade das empresas é reflexo da falta de agressividade na área comercial. "O mercado é enorme, mas é preciso mais do que idéias de produtos inovadores", critica. Para ele, "as redes de relacionamento e o acesso a novos mercados são componentes fundamentais para o sucesso dessas firmas".

Com seis meses de funcionamento, os proprietários da Design Erê têm aproveitado os eventos dos quais participa a incubadora, o Cefet-PR (Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná), para divulgar os dois projetos da empresa, de elaboração de produtos para pessoas com necessidades especiais e de sustentabilidade na área de arquitetura. "Pretendemos aproveitar todos os benefícios da incubadora", aponta a sócia Julyane Paes.

TECNOLOGIA DÁ LUGAR A FIRMAS TRADICIONAIS

Incubadoras para inovações tecnológicas têm perdido espaço para a atuação de outras mais tradicionais, como as de artesanato, de comércio e até de consultorias.

A Anprotec apóia a idéia de abarcar novas áreas, inclusive as não relacionadas ao desenvolvimento de produtos inovadores. Rejeitando a idéia de que a proposta possa descaracterizar o movimento de geração de serviços e produtos de alto valor agregado, formalizou a alteração do nome "incubadora de empresas" para "incubadora de negócios".
"O Brasil criou uma lógica que é mais do que incubar empresas tecnológicas", explica Paulo Alvim, do Sebrae. "Há um estímulo para a criação de firmas em setores tradicionais", informa.

É o caso da Incubadora Afro-Brasileira, do Rio de Janeiro, que dá preferência a firmas das áreas de comércio, serviços e turismo.

"Priorizamos excluídos sociais que tenham talento empreendedor", diz Giovanni Harvey, diretor-executivo da entidade.

Entre os incubados estão camelôs e massagistas. Harvey cita como exemplo de "inovação" uma vendedora de angu. "Os pais não compravam o item porque os filhos não gostavam. Agora, vende empadas para atrair também os pequenos."

Segundo Sergio Risola, gerente-executivo do Cietec (Centro Incubador de Empresas Tecnológicas), a incorporação de novas áreas às incubadoras é positiva.

"A preocupação é se as tecnológicas tiverem de dividir verba com as que não cumprem requisitos para serem chamadas assim."

SUPORTE E ESTRUTURA SÃO DIFERENCIAIS

Após seleção rigorosa, incubadoras oferecem de espaço físico a cursos de negócios

Foram necessários três anos, duas casas e as economias guardadas durante toda a vida para desenvolver um produto não intrusivo que limpasse o bico injetor de veículos a diesel. Bastou lançar a inovação, no entanto, para que os sócios da Altanova, Fernando Araújo e Luci Gualda, se vissem prejudicados pelas imitações vendidas pela concorrência.

Quando surgiu outra proposta -a de criar um aparelho portátil para medir o índice de monóxido de carbono liberado por carros e caminhões-, não vacilaram: recorreram à infra-estrutura oferecida por uma incubadora a fim de não correr mais o risco de investir e depois morrer na praia.

Batizado de opacímetro, o projeto, que contou com workshops e consultorias da facilitadora, será lançado no comércio em 60 dias. "O apoio da incubadora foi fundamental", reflete Luci Gualda.

Assim como a Altanova, outras empresas descobrem na prática que as ex-incubadas (graduadas) têm mais chances de sobreviver do que as que não tiveram suporte no início de suas atividades.

De acordo com o Sebrae, a taxa de continuidade de firmas que contaram com o apoio de incubadoras é de 87% após dois anos. Nas demais, fica em 50%.

Parte da explicação para a diferença, segundo especialistas ouvidos pela Folha, está em benefícios como o de não precisar de capital para a infra-estrutura básica. Em geral, os incubados recebem telefone, computador, sala de reuniões e orientação empresarial.

Mas há outras explicações. Antes de usufruir dos benefícios da incubadora, é preciso passar por um processo seletivo -que inclui avaliação do plano de negócios, viabilidade econômica da empresa e perfil dos sócios-, no qual desbancar o concorrente não é uma garantia de ingresso.

"Muitas vezes, os projetos são rejeitados porque a idéia do negócio é bastante embrionária", analisa o professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) Martinho Ribeiro de Almeida.

Para permitir o desenvolvimento dos projetos, 62% das facilitadoras dão cursos pré-incubação. "O tempo ideal de maturação de um plano é de um a dois anos", afirma José Fiates, da Anprotec.

Redefinição

A incubada, no entanto, também pode perecer na trajetória até a graduação. É o que ocorre com 20% delas, rol ao qual a Nano Endoluminal já pertenceu. Quando seus sócios já acumulavam pedidos para a venda de um microtorno para o corte de lentes de contato, algumas empresas começaram a comercializar, nos Estados Unidos, modelos gelatinosos -que dispensam o equipamento.

"Os proprietários queriam continuar a fabricar o produto, mas pedimos que fizessem um novo plano de negócios e abortassem a idéia", conta o gerente da Fundação Certi, incubadora da empresa, Tony Chierghini. A recomendação foi acatada e a empresa partiu para a fabricação de dispositivos médicos de alta tecnologia.

A reviravolta rendeu frutos. A empresa ganhou, entre outros, prêmios como o Empresa do Ano, da Anprotec, e o Finep, na categoria de produtos.

Na incubação, a Sociedade do Sol também redefiniu seu futuro. Começou em 1999 com a proposta de elaborar um aquecedor solar de baixo custo. "Mas é uma tecnologia tão importante para a sociedade que queríamos doá-la e não vendê-la", conta Augustin Woelz, coordenador do projeto.

Foram expulsos da incubação, viraram ONG e estão desenvolvendo um sistema de reúso de água. "Em dez anos, se todos instalarem o produto, é possível ter uma economia de 15% no consumo nacional de água potável."

PESQUISA CONSOME 3% DA RECEITA

Apenas 1,7% das indústrias inovam e diferenciam seus produtos. Mas cabem a elas 25,9% do faturamento do setor, segundo estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Situação inversa à apresentada pelas que não investem no aprimoramento dos itens. Representam 77,1% das firmas, mas abocanham somente 11,5% do bolo.

Fazer parte do primeiro grupo, entretanto, requer planejamento e dinheiro. O estudo do Ipea indica que as empresas inovadoras aplicam 3% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento.

"Temos de lançar produtos para não perder espaço para a concorrência", explica Spero Penha Morato, sócio da LaserTools, empresa graduada em 2002.

Desde agosto de 2004, Morato tem apostado em outro projeto, na área de próteses. "É um produto importado e caro. Vamos competir com os preços estrangeiros."

A engenheira química Wang Shu Chen também não quer deixar brechas para que outras empresas ingressem na área de adesivos de alta performance. "No meu plano de negócios, conservador, projeto a conquista de até 10% do mercado", diz a sócia da Adespec, referindo-se a um segmento de US$ 250 milhões.

Com faturamento anual de R$ 700 mil, a empresa lançará novos produtos ainda neste semestre. Os resultados estão expostos no projeto de expansão: "Crescemos tanto que procuramos um centro empresarial para nos instalar".


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