SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 12/09/2005
Autor: Estado de São Paulo
Fonte: Estado de São Paulo

Soluções práticas rendem negócios

Invenções podem ser lucrativas, mas para colocar o produto no mercado é necessário cuidado, dedicação e investimento

Milhares de pessoas enfrentam alguns problemas simples no dia-a-dia. Nessas horas, para solucionar a situação de forma rápida, acabam por inventar algo.E daí pode sair um negócio lucrativo. Basta saber os caminhos certos para entrar no mercado e, principalmente, ter determinação e confiança na invenção. Exemplos clássico são as bóias de piscinas Spaguetti e o Testa-nota, produtos que caíram no gosto do público nos últimos anos.

A popularidade de ambos é tão grande que seus criadores se recusam a dar entrevistas, com medo da exposição. De acordo com a Associação Nacional de Inventores (ANI), a bóia foi descoberta quando seu inventor,Adriano Sabino,velejava. O produto é feito de espuma de polietileno, mesmo material usado para flutuação dos barcos. Em 2003, Sabino disse ao Estado que o produto era comercializadoem7,4 mil pontos-de-venda e sua empresa, a The Toy Power, já figurava entre os 50 maiores faturamentos da indústria de brinquedos. Hoje, o empresário prefere manter a discrição.

Segundo o presidente da ANI, Carlos Mazzei, há muitos inventores no País,mas a maioria não sabe como desenvolver o produto.Ele explica que o primeiro passo é patentear o projeto. A associação tem uma equipe de assessores especializados para facilitar esse processo.

Mazzei conta que os criadores procuram a ANI apenas com uma idéia em mente."Nestes casos, nosso desenhista faz um modelo do invento e, se for aprovado pelo autor,damos entrada na patente e fazemos uma análise do potencial de mercado." Para desenvolver um protótipo na associação, Mazzei diz que o inventor terá de gastar de R$ 3 mil a R$ 10 mil, e mais R$ 1 mil de taxa de inscrição, paga anualmente. "Há 50% de chance de dar certo e 50% de dar errado, só não pode ficar esperando que alguém o procure para desenvolver seu projeto", afirma.

Por mês, ele diz que lhe chegampelomenos100invenções, mas apenas 5% conseguem espaço no mercado. Muitas invenções trazidas até a ANI já existem, diz Mazzei. Para o suposto inventor não perder tempo, ele recomenda a utilização de sites de busca na internet para ter certeza de ser um produto novo.

O presidente da ANI explica que, depois de conseguir a patente e alguém interessado em fabricar o produto, há diferentes formas de lucrar com a invenção: licenciar a patente, como se fosse um aluguel, e receber royalties de 3% a 12%. "Quanto maior o preço, menores os royalties." Outra maneira é vender a invenção para alguma empresa. "Neste caso, dá para pedir desde R$ 50 mil a R$ 3 milhões", conta.

Hoje, os produtos mais aceitos no mercado são de utilidade doméstica, afirma Mazzei. Outra forma de inventar algo é aprimorar o que já existe no mercado. "A maioria das invenções é aperfeiçoamento", ressalta.

Foi por causa da pressa que a arquiteta Célia Jaber de Oliveira, de 50 anos, inventou uma máquina de passar roupas automática. Enquanto não consegue uma empresa que coloque o produto no mercado, Célia vai desenvolvendo alguns protótipos com a ajuda de programas de incentivo e da USP. Seu projeto foi aprovado pela Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e por isso recebe, aos poucos, uma verba de R$ 150 mil, mas ela diz que desde 1995, quando teve a idéia, já gastou R$ 500 mil.

Empenhada, Célia faz pós-graduação em engenharia de desenvolvimento de produtos e está alojada no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da USP. Chegou a encomendar uma pesquisa de mercado e descobriu que 97% das 200 pessoas entrevistas não gostam de passar roupa. Melhor, 84%gostariam de adquirir o produto,que segunda ela,deve custar cerca deR$2,5mil quando lançado.

MUSEU TEM INVENÇÕES ÚTEIS E MALUCAS

De óculos para pingar colírio a aparelho para testar notas de dinheiro. Invenções malucas e até úteis podem ser conferidas no Museu Contemporâneo das Invenções, localizado na sede da ANI. Lá, estão expostos 600 produtos ou protótipos, inclusive alguns que estão próximos de serem lançados.

O museu foi fundado em 1996 e tem produtos inusitados como um tênis com fio terra, ventilador para guarda-sol e protótipo de carro com flutuador antienchente. Além disso, muita "coisa" considerada bizarra e inútil, como um colete mata-sogra que pesa 100 quilos e é fechado por um cadeado, telefone para malhação e pente para pessoas calvas. Mas também estão expostos alguns produtos de sucesso, como o spray marcador,usado em jogos de futebol, o próprio Testa-nota, para verificar se as cédulas são falsas, a bóia para piscina Spaguetti, entre outras.

De acordo com Carlos Mazzei, responsável pelo acervo, o museu tem outras funções além de expor os produtos. Segundo ele, é uma forma de contato com os empresários, de cultura e aprendizado, e até de diversão dos estudantes, maiores freqüentadores do local.

O museu fica na Rua Homem de Melo,1109,Perdizes.A entrada custa R$ 5 e estudantes pagam meia. Menores de cinco anos e acima dos 60 anos não pagam. Mais informações: ? (0--11) 3873-3211

REGISTRO DE PATENTE EVITA CÓPIAS

Emissão do documento, feita pelo Inpi, leva de sete a oito anos e pode custar de R$ 290 a R$ 635, mais uma taxa anual

Para que a invenção esteja legalmente protegida e não seja alvo de cópias sem autorização, o inventor deve patentear o projeto. Burocracia que pode levar de sete a oito anos e custa entre R$ 290 eR$ 635, de acordo com o tipo do documento. Soma-se a isso, ainda, uma taxa variável de anuidade.

A patente é concedida apenas aos inventores de produtos, de processos de fabricação e aperfeiçoamentos.

De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), há dois tipos de patente no País.A chamada invenção, "que representa um avanço não evidente em relação ao conhecimento técnico existente"e o modelo de utilidade, que regulamenta "toda disposição ou forma nova obtida ou introduzida em objetos para a melhoria funcional". Ambas valem apenas no Brasil, respectivamente por 20 anos e 15 anos.

O diretor de Patentes do Inpi, Carlos Pazos, ressalta que o documento é indispensável para garantir o retorno do investimento. "Para que terceiros não fabriquem os inventos sem autorização."

Segundo Pazos, o recurso é pouco usado no País por "falta de conhecimento da população ou até mesmo por expectativa de que o produto não fique por muito tempo no mercado". O longo prazo para se conseguir a patente é por causa da falta de funcionários examinadores,segundo o diretor.

Nos Estados Unidos, o documento sai em dois anos,em média. Pazos não sabe estimar quantas patentes estão em vigor no País, apenas que há 120 mil pedidos acumulados. O pedido, primeiro passo, custaR$ 140 para pessoas jurídicas e R$ 55 pessoas físicas, microempresas e instituições de ensino e pesquisa, e deve ser apresentando na sede do instituto, no Rio, ou em representações regionais.

O órgão fornece um formulário para a descrição do produto ou do processo para o qual se requer a proteção.

A próxima etapa é pedir um exame preliminar para verificar se o pedido está de acordo com a lei. Este processo custa de R$160 e R$ 400, conforme o tipo de pessoa. Já se for pedido de modelo de utilidade, R$ 40 ou R$ 90.

Aprovado o projeto, é necessário pagar mais R$ 40 ou R$ 95 para conseguir a Carta-Patente. O inventor ainda terá uma anuidade. As taxas são diferenciadas, conforme estabelece o Inpi. Site: www.inpi.gov.br

INVENTORES TÊM PROBLEMAS COM A PIRATARIA

Criadores precisam recorrer à Justiça para terem seus direitos preservados

Cansada de ver a empregada deixar a pia da cozinha entupida, a cirurgiã-dentista Therezinha Beatriz Alves de Andrade Zorowich inventou o escorredor de arroz. Era meia-noite de algum dia de dezembro de 1958."Uma hora da manhã eu e meu marido estávamos lavando arroz", conta.

Tudo começou quando ela pegou um pedaço de papel alumínio, o grampeou em duas bacias e furou com um prego. Para se prevenir das possíveis cópias, patenteou o produto em 1958. E dois anos depois ele foi lançado na Feira de Utilidades Domésticas (UD). Beatriz diz que a patente é muito importante, porém não lhe ofereceu total garantia contra cópias. Ela chegou a entrar com uma ação contra uma empresa que fabricava o produto sem autorização.

Mas foi por causa da patente que a dentista conseguiu formar quatro filhos médicos e um advogado. Beatriz "alugou" o documento à Artrol Indústria e Comércio de Plásticos. Nos dois primeiros anos recebeu royalties de 2,5%, depois aumentou para 7,5% e em mais três anos para 8,5% até fazer 20 anos, na época a patente tinha 15 anos de duração (hoje são 20 anos), mas foram mais cinco aguardando a emissão do documento- depois a invenção passa a ser de domínio público. "Não fiquei rica,mas deu para viver bem", diz ela. "A Artrol também deve ter lucrado bastante, pois passaram 18 anos fabricando o Lava Arroz 24 horas."

Na época, Beatriz tinha 27 anos. Ainda hoje, com 73 anos, continua inventando alguns produtos para facilitar os serviços domésticos. O último foi um pano de limpeza com um corte diferente,o qual ela registrou como LimpaLeve.

Carro

Outro exemplo de invento bem aceito no mercado é o sistema de lavagem de veículos a seco Dry Wash. O publicitário Lito Rodriguez, de 37 anos, tinha um lava-rápido e descobriu que a água só limpava os carros por causa da força usada. "Não havia necessidade de água, pois era o atrito que limpava", conta. Passou um ano e dois meses para desenvolver e testar o produto e o sistema. No início, ele diz que foi difícil conseguir até quem o apoiasse. "Um chefe de laboratório me disse que era mais fácil eu abrir uma padaria na lua a conseguir lavar um carro sem água", conta. "Mas quando uma porta se fecha, outras se abrem."

O publicitário persistiu. Enfrentou até mesmo a burocracia do poder público. "Fui15 vezes ao Inpi (órgão responsável pela emissão de patentes, localizado no Rio) para conseguir a patente em quatro anos", afirma. Ele deu a entrada em 1996 no documento, logo depois da invenção. "Realmente a patente é uma proteção, mas a Justiça é muito lenta." Rodriguez reclama porque moveu duas ações por ver seu sistema ser copiado sem autorização e até hoje não obteve resposta.

O Dry Wash tem hoje 100 franquias espalhadas pelo País,mas o publicitário diz que há outras 400 lojas para a qual vende o produto.


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