SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 20/09/2005
Autor: Sandra Motta
Fonte: DIÁRIO DE SÃO PAULO

Profissão: Empreendedor

Consultor recomenda reflexão antes da decisão de montar negócio. Perfil do empresário inclui persistência e capacidade de correr riscos

Abrir uma padaria, uma banca de jornais, um restaurante. Quem tem ou já teve esse tipo de sonho - e pensa em entrar para o universo de 16,5 milhões de empreendedores do país, entre formais e informais - pode aumentar suas chances de sucesso avaliando, antes de tomar qualquer decisão, o seu próprio perfil.

Segundo especialistas no assunto, embora não exista uma receita que defina o que é ser empreendedor, uma série de estudos indica características que acabam sendo comuns a essas pessoas.

Para o consultor de orientação empresarial do Sebrae-SP Renato Fonseca de Andrade, é importante observar essas características comuns entre os empreendedores e tentar perceber até que ponto elas estão presentes no seu perfil. "É claro que existem muitas variáveis a considerar, como a experiência de trabalho, a região de origem da pessoa, o nível de educação e até a cultura familiar. Ninguém tem uma receita pronta. Mas é possível trabalhar com algumas referências", completa o consultor.

Qualidades

Tomando como base estudos difundidos nos EUA, Canadá e no Brasil, várias características de empreendedorismo se repetem, explica Fonseca. "Há variações e. diferenças em cada modelo de estudo. Ainda assim, é possível idealizar o empreendedor como um indivíduo dinâmico, que identifica oportunidades de negócio, atento ao mundo, disposto a correr riscos. Também costuma ser criativo, persistente, auto-confiante, realizador e participante de redes de relações sociais", resume.

Outro exercício prático para quem deseja saber se tem perfil empreendedor, destaca Andrade, é colocar-se no lugar de alguém que tenha obtido sucesso nos negócios. E perguntar-se que tipo de atitudes e sentimentos teria na mesma posição dessa pessoa.

"Pode ser algum amigo, vizinho ou conhecido. que tenha conseguido bons resultados à frente de uma empresa, de preferência no ramo em que a pessoa gostaria de atuar", orienta. Andrade faz questão de destacar que ninguém precisa ser Super-Homem para empreender. "Muitos podem fazer isso. Mas o caminho será mais fácil para quem tomar a decisão de forma consciente. E, em seguida, se preparar muito para as dificuldades e a grande concorrência do mercado" afirma o consultor.

Plano de negócios amplia as chances de sucesso

Além de refletir sobre suas características de comportamento antes de se decidir a abrir um negócio, o candidato a empresário precisa ter claro que precisará de muito preparo para enfrentar o dia-a-dia e a concorrência do mercado.

O consultor Renato Fonseca de Andrade destaca que uma ferramenta que ajudará muito o empreendedor a organizar as informações e a tomar decisões com maior consciência é o plano de negócios. Trata-se, diz o consultor, de uma forma de registrar o aprendizado dele em relação aos pontos-chave do empreendimento.

"Um bom plano, que identifique corretamente a oportunidade de negócio e como viabilizá-lo, é importantíssimo. Mas o empreendedor deve ter clareza de que não é o plano que levará ao sucesso, mas a sua tomada de decisão em relação às questões centrais relativas ao negócio, que deverão estar registradas no seu plano", alerta o especialista.

Pesquisa

A maioria das pessoas que busca orientação nos balcões do Sebrae já chega decidida a montar a empresa e, muitas vezes, já escolheu até o ramo de negócio.

No último levantamento desse tipo, feito com uma amostra de quase mil pessoas físicas em 97, uma fatia de 76% já havia tomado a decisão de ser empresária. Desse total, 79 % tinham escolhido sua futura atividade, com destaque para empresas de comércio e serviços em geral, restaurantes, bares, lanchonetes e lojas de calçado e vestuário. Uma fatia de 44 % estava buscando pela primeira vez os serviços e a orientação nos balcões do Sebrae.

O perfil dessas pessoas era variado, mas com preponderância de gente com idade de 30 a 39 anos, com curso colegial completo a superior incompleto, pertencentes às classes sociais Bl, B2 e C.

Cerca de 35 % delas estavam empregadas; dessas, um terço era de funcionários públicos e dois terços do setor privado. Outros 28% da amostra total eram autônomos atrás do sonho de serem donos de seu próprio negócio.


10 Características do Empreendedor

Busca de oportunidades e iniciativa.
Correr riscos calculados
Exigência de qualidade e eficiência
Busca de informações
Persistência
Comprometimento
Estabelecimento de Metas
Persuasão e rede de contatos
Planejamento e monitoramento sistemáticos
Independência e autoconfiança

Concurso estimula alunos a buscar novas idéias

Estudantes do ensino médio, das redes pública e particular, mostraram na semana passada que a vocação para empreendedor pode começar cedo e ter importante apoio da escola. Eles participaram do concurso "Despertando Vocações", promovido pela faculdade de Administração Mauá, com sede na Vila Mariana.

Desafiados a desenvolver um plano de negócios a partir de uma idéia original, eles trabalharam nos projetos desde março, com orientação dos alunos da faculdade de administração. Os vencedores montaram negócios como um espaço de lazer centrado em skate e esportes radicais, desenhado para consumidores da periferia, e uma agência de empregos para portadores de necessidades especiais. O primeiro colocado foi premiado com um cheque de R$ 12 mil.

O diretor da escola Mauá, Hazime Sato, conta que foram selecionados cinco trabalhos de um total de 106 inscritos. "Nosso interesse é estimular o empreendedorismo, mostrar que existem oportunidades para se fazer coisas novas, das quais o mercado tem necessidade. Acredito que o empreendedor acaba sendo um sonhador, mas que tem o pé na realidade e estrutura bem suas idéias, para poder colocá-las em prática", afirma.

Nívea Citadino, professora do Colégio Anglo Brasileiro, escola que levou o primeiro prêmio, ficou animada com a participação. Na avaliação dela, o perfil do empreendedor tem que incluir qualidades como criatividade, determinação e disciplina. "É claro que há inúmeros fatores que vão influenciar a capacidade de empreender. Mas creio que podemos incentivar a atitude."

Daniela Dutra Neves, 17 anos, estudante de 2° ano do ensino médio do Colégio Anglo Brasileiro, diz que desenvolver o projeto foi uma experiência muito positiva. Ela não descarta a hipótese de vir a trabalhar com algo na área desenvolvida por seu projeto, que é o apoio a portadores de deficiências.

Marcelo Pacifico, 16 anos, do 2° ano da Escola Lourenço Castanho, que participou do projeto Skate, afirma que ele e os colegas se interessaram muito pelas aulas de empreendedorismo. "A gente queria fazer algo inovador, mas que nós todos gostássemos também. A intenção era apresentar nossa idéia e provar que era viável".


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