SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/10/2005
Autor: Carolina Sanchez Miranda
Fonte: Gazeta Mercantil

A ética como premissa para negócios duradouros

Empresas se conscientizam da importância da adoção de boas condutas. O cenário político torna oportuna a discussão sobre ética nas empresas. Afinal, foram instituições privadas que viabilizaram o esquema de corrupção envolvendo o governo. Mas a discussão não é nova. Algumas companhias já compreenderam que a ética é a base para a construção de relações duradouras e adotaram o conceito de "empresa válida", desenvolvido pela Escola de Marketing Industrial há 16 anos. Nesse sentido, uma iniciativa que também vem sendo adotada é a criação de códigos de ética.

"É da iniciativa privada que deve partir a tentativa de mudar esse estado de coisas", afirma Nelson Moschetti, advogado sociólogo e diretor de RH da RCS Auditoria e Consultoria. "Devemos entender a ética como uma extensão das relações entre empregadores, empregados e colaboradores. De nada adianta ao empresário estabelecer o compromisso de responsabilidade social e ambiental para o mercado se no seu próprio umbigo a ética não é aplicada", continua Moschetti.

Mas colocar em prática o conceito de ética nas relações corporativas não é uma tarefa simples. Moschetti ilustra a situação usando como exemplo a simulação de um comitê de ética promovido pela Dow Brasil na América Latina. "A iniciativa envolveu 250 pessoas que tiveram de responder sigilosamente a questões definidas como dilemas éticos", conta.

O estudo apontou que: 36% dos pesquisados fechariam contrato com um amigo do gerente que ofereceu um preço menor por meio de concorrência desleal, 33% não agiriam se vissem um funcionário ser favorecido por uma relação afetiva mais próxima com seu supervisor e, 90%, liberariam uma informação confidencial a um amigo para protegê-lo ou beneficiá-lo.

Se há dificuldade em se exigir um comportamento ético por parte dos funcionários, isso é ainda mais difícil de ser incorporado pelas organizações, principalmente para aquelas que têm como missão a obtenção de lucro. "O lucro deve ser a premissa de um negócio, não seu objetivo. É como o oxigênio para nós. Precisamos dele para viver, mas respirar não é nosso objetivo de vida", ilustra José Carlos Teixeira Moreira, o presidente da Escola de Marketing Industrial.

"A ética, assim como o lucro, deve ser uma premissa para as organizações porque tem como compromisso o progresso", complementa. É essa idéia que norteia o conceito de empresa válida, desenvolvido a partir da observação do modelo de gestão usado pelas empresas mais admiradas no mundo. A empresa válida não atua apenas como um agente econômico, mas como um agente do desenvolvimento social e criação de riquezas. Isto significa preservar o patrimônio interno e externo, estar continuamente preocupada em criar utilidades para a satisfação de seus clientes; manter e desenvolver seus patrimônios humano, cultural, tecnológico, econômico e material.

Além disso, a empresa válida constrói uma cadeia de valor, faz coisas genuínas e autênticas, cria prosperidade entre todos os agentes da cadeia produtiva e estabelece relações significativas. Isto tudo corresponde à responsabilidade social da empresa, para a qual isto é uma decorrência natural da sua atividade econômica.

"Exemplos patentes de escândalos corporativos ocorridos recentemente comprovam que uma atitude ética é fundamental para a vida e a continuação das empresas, independente de seu tamanho e de sua posição no mercado", diz Geraldo Barbosa, presidente da Becton, Dickinson and Company (BD) para o Brasil e para a América do Sul.

"Além disso, a sociedade espera um comportamento ético das companhias. Honestidade, confiança e integridade trazem a lealdade dos clientes", complementa. A empresa possui um código de ética em todos os países nos quais atua tanto para orientar a conduta dos funcionários no relacionamento com as equipes, quanto com os fornecedores e outros associados.

"Cada decisão de negócio contém um componente ético. Por isso, todos, independentemente da posição que ocupam, devem saber o que é esperado deles no que diz respeito à ética", explica Barbosa. Ele conta que, para consolidar a incorporação do código, a companhia também promove workshops.

Outra empresa que implementou um código de ética em nível mundial foi a Sandvik. Segundo Francisco Dannibale, gerente de recursos humanos da empresa, os gestores e funcionários adquiriram maior consciência em relação ao comportamento ético adotado diariamente dentro ou fora da companhia. "Eles desenvolveram uma visão mais apurada sobre preconceitos, direitos, meio ambiente, etc."

A adoção de códigos de ética, no entanto, é criticada quando imposta. Maria Cecília Coutinho de Arruda, coordenadora do Centro de Estudo de Ética nas Organizações da FGV-EASP afirma que algumas empresas elaboram e implementam códigos de ética sem consultar os funcionários. "Mas defendemos que toda organização seja envolvida no processo", ressalta. A instituição oferece cursos "in company" e consultoria para companhias que desejam incentivar condutas éticas. Além disso, lança, este mês, um curso de curta duração no programa GVpec sobre "Ética Empresarial".

Quem coordena o programa é a própria Maria Cecília. "Apesar de ter sido lançado em um momento em que o cenário político coloca o assunto em pauta, o curso é fruto de uma demanda de anos", explica. O objetivo é auxiliar profissionais em nível gerencial a compreender o conceito de ética empresarial, em dois dias, 21 e 22 de outubro.

"A partir da compreensão do conceito, o aluno será levado a refletir sobre como construir um clima ético na empresa e receberá orientações sobre como elaborar um código de ética ou outro documento formal para apoiar a adoção de uma nova conduta", explica Maria Cecília. De acordo com a professora, a aplicação de comportamentos éticos também será analisada no contexto da governança corporativa.

"Muitas vezes a meta imposta pela direção da empresa impede que os executivos ajam eticamente", esclarece. O lobby também entrará em pauta na sala de aula. "Vamos falar sobre o uso ético desse recurso", diz. Outra assunto em discussão será o uso indevido de ferramentas e informações da empresa.

COMO DIRIGIR UMA EMPRESA VÁLIDA

São oito os princípios e conceitos aos quais um executivo deve estar atento.

1) Criar produtos de valor (utilidades).

2) Criar e manter clientes satisfeitos.

3) Promover a capacidade de evolução deliberada.

4) Atrair, desenvolver e manter talentos.

5) Construir e manter relações significativas.

6) Usar os recursos produtivamente.

7) Praticar princípios de contuda aceitos pela sociedade.

8) Obter um lucro admirável e merecido perante a sociedade.


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