SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/10/2005
Autor: A NOTÍCIA
Fonte: A NOTÍCIA

Capitalismo sem empresas

O Brasil é um dos países de maior índice de empreendedorismo do planeta, muito acima dos Estados Unidos e da Europa, onde o regime de livre empresa reina absoluto. Mesmo assim, os brasileiros são mais dinâmicos e mais arrojados do que os americanos, mas aqui cerca de 90% dos novos negócios tendem a desaparecer em menos de cinco anos. Estudo realizado pelo Sebrae revela que, até 2005, cerca de 31% das pequenas empresas brasileiras estarão quebradas.

A carga tributária de cerca de 40% do PIB está matando a pequena empresa brasileira, observa o administrador Stephen Kanitz, em recente artigo na revista "Exame". Diz o analista: "Até recentemente, as empresas médias sobreviviam sonegando um ou outro dos 46 impostos a pagar. Sonegavam o suficiente para se manter vivas. Hoje não dá mais para sonegar. Ou se sonega tudo, devido ao excelente controle e amarrações entre os órgãos arrecadadores, ou não se sonega nada. Como sonegar todos os impostos dá cadeia, e não sonegar nenhum significa falência em alguns anos, a saída é fechar a empresa assim que for possível".

O longo período em que os juros estão sendo mantidos elevados ainda irá cobrar do País o verdadeiro custo da estabilidade e do atual sucesso do Plano Real, que acaba de completar dez anos. O custo será a brutal redução do índice de empreendedorismo, com a sobrevivência de pequena parcela das atuais pequenos negócios. Não só o peso da carga tributária contribui para o fim das pequenas empresas - as que mais geram empregos no País, registre-se; desestimula também, de forma brutal, o espírito da livre iniciativa. Como observa Kanitz: "Quando baixarem os juros dos empréstimos, nossos intelectuais vão descobrir que não haverá mais classe média para tomá-los, não haverá administrador de empresas querendo administrá-los, não haverá engenheiro querendo empregá-los".

Uma das explicações para o alto desemprego no Brasil de hoje decorre da elevada mortalidade das pequenas e médias empresas, nocauteadas pela política de juros altos. Milhares de empresários aguardam um momento melhor para concretizar uma de duas decisões já tomadas: fechar suas empresas e liquidar seus encargos fiscais e trabalhistas, ou vender o negócio a algum interessado ou concorrente mais poderoso.

Santa Catarina, que sempre foi berço de milhares de pequenas e grandes empresas, vive a crise do destino incerto da economia e deve colher, em futuro próximo, o resultado da desastrosa política de juros altos. Infelizmente, os governos pensam apenas em tributar e em amarrar pela informática o controle de todos os 46 impostos existentes, não permitindo qualquer tipo de informalidade, impedindo, por antecipação, a receita e o emprego de amanhã. Não há futuro para uma economia com tão alta carga tributária, nem espaço para o risco do novo negócio ou para o empresário de amanhã.


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