SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 13/10/2005
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

Pequenas empresas usam códigos de ética

Em tempos de questionamentos sobre moral e honestidade, pequenas e médias empresas também também aderem à responsabilidade social e começam a implantar os seus códigos de ética, visando garantir o cumprimento de um padrão de conduta que engloba funcionários, clientes, fornecedores e prestadores de serviços.

Para isso, não basta ter qualidade. Para uma empresa ser vista com bons olhos por seus clientes e fornecedores, ela precisa investir na sua reputação como empreendimento que estabelece compromisso com a ética. Foi esse motivo que levou o presidente da Reis Office, Martinho Reis, especializada em tecnologia de impressão, a formalizar o código de ética da empresa, em julho deste ano.

Nós já trabalhávamos com políticas de qualidade e aproveitamos uma auditoria para tirar certificações ISO 9000 (uma empresa recebe o certificado em reconhecimento ao sistema gerencial voltado para qualidade). O código de ética mostra que a organização se pauta pela qualidade e a ética em seu relacionamento com todos os funcionários, mesmo os terceirizados, fornecedores, colaboradores, clientes e concorrentes coloca.

Para Reis, seguir um código de ética e divulgá-lo representa uma forma de se organizar internamente e perpetuar longas relações nos negócios. "Foi um modo de regulamentar o que pode e não ser feito. Acredito que todos têm os mesmos direitos e deveres e nenhuma das partes pode levar vantagens particulares. As empresas que agem dentro desses valores constróem boa reputação e conquistam o sucesso", opina o presidente da Reis Office, garantindo que a iniciativa gerou satisfação dos empregados e demais envolvidos.

Outra empresa que seguiu esse caminho foi a Vitales, indústria de alimentos de médio porte que fabrica 306 produtos com a marca Chinezinho. O gerente de administração e finanças, Eugênio Toledo, descreve o código de ética da organização como um conjunto de instruções normativas com responsabilidades e garantias que guiam as ações dentro e fora dos domínios corporativos.

Trata-se de um código comportamental e de ética no processo de produção e venda, que contribui para a clareza de comunicação da empresa com seus empregados e com os supermercados com quem trabalhamos explica Toledo.

Dentre os princípios do código de ética da Vitales, estão os cuidados com o bem-estar do funcionário, garantidos por um plano de benefícios para os seus 200 empregados, com assistência médica e bonificações para os melhores rendimentos, regras de como atender os clientes e, principalmente, como lidar com os adversários de mercado. "Nossos produtos encontram forte concorrência. Quando otimizamos o atendimento e negociamos sem prejudicar o outro, conquistamos a confiança dos clientes", reconhece ele.

Ramo influi em regras
O consultor empresarial José Arrais desenvolve códigos de ética em empresas de variados setores, de acordo com a legislação e realidade de cada ramo. Segundo ele, projetos de responsabilidade social e códigos de ética são essenciais para registrar a intenção da organização. "As empresas comerciais devem atender ao meio-ambiente, cumprir leis trabalhistas, fiscais e tributárias. O código é uma maneira de formalizar esses compromissos", afirma Arrais.

Ele acredita que, assumindo uma postura ética, a corporação serve como exemplo e estimula o comprometimento de seus parceiros de negócios. "Assim como nos baseamos na ética, cobramos de nossos fornecedores, clientes e colaboradores o mesmo posicionamento", assegura o presidente da Reis Office, Martinho Reis.

Seguindo as organizações de grande porte, a criação do código de ética em pequenas e médias empresas consiste em uma medida para assegurar as normas de conduta de dirigentes e demais funcionários.

Escrever código não basta
De acordo com Gilberto Guimarães, diretor da Imagecom, empresa de consultoria para a imagem pública das organizações, não basta impor regras de comportamento se elas não fizerem sentido para os membros da corporação. "Ética engloba os valores aceitos por um conjunto de pessoas", alega Guimarães, acrescentando que o código deve evoluir junto com a empresa.

Assim, para que o código de ética não represente um apanhado de regras impostas aos funcionários de uma organização, eles devem fazer parte da sua formulação. "O código não pode favorecer só aos dirigentes. Antes de regulamentar o código de ética de uma empresa, procuro avaliar o clima organizacional", diz o consultor José Arrais.

Apesar de todos os empregados terem acesso ao código, a Vitales desenvolve treinamentos para facilitar a compreensão e o uso das instruções normativas da empresa. "Queremos que eles entendam o que está escrito e estejam bem preparados", explica Eugênio Toledo, gerente da Vitales.

Presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Emerson Kapaz considera a iniciativa de institucionalizar um código de ética saudável. "Quando a empresa começa a crescer e se preocupar com a sua imagem, o código de ética serve para registrar valores e evitar que eles sejam esquecidos", recomenda Kapaz.

Por isso, o compromisso com as cláusulas do código é fundamental. A consultora empresarial Suely Pavan lembra que "não adianta receber o certificado ISO 9000 e divulgar seu código e não cumpri-lo. Ética é prática, significa respeitar diferenças".


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