SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 24/10/2005
Autor: Diário do Comércio
Fonte: Diário do Comércio

Empreender: vantagens além da econômica

Em Itararé, cidade do interior paulista, com cerca de 50 mil habitantes, distante 330 quilômetros da capital, mais de 60% da renda de um grupo de 38 empresas ligadas ao setor de artesanato é oriunda de exportações para Nova Iorque, nos Estados Unidos. Há dois anos, antes da implantação do Programa Empreender na região, apenas um dos artesãos possuía contato com uma empresa norte-americana. Mesmo assim, pouco vendia.

"O contato comercial era difícil e muitas vezes nada era comercializado. Com o Empreender e a ajuda do Sebrae e da associação comercial local, as empresas conseguiram expandir. Hoje, além de exportarem mais da metade da produção, também têm contratos com empresas como o Pão de Açúcar e a C&C", conta a consultora do grupo de empresários, Juliana Motta.

Boa notícia para a cidade e melhor para outros empreendedores pois, pelos dados da Facesp e do Sebrae, não foi apenas na cidade de Itararé que o projeto teve resultado positivo. Criado em 1987 pela Associação Comercial de Brusque, o Programa Empreender tinha a intenção de atrair as micro e pequenas empresas de um mesmo segmento econômico para um núcleo setorial. Assim, poderiam discutir os problemas comuns vividos pelos participantes e buscarem soluções. O sucesso da iniciativa foi tanto que, em 2002, o Empreender já estava espalhado por todo o País.

No Estado de São Paulo o programa funciona há três anos e abrange 151 municípios e 6.007 empresas de 465 núcleos setoriais. "Cada núcleo tem um consultor e, por meio do associativismo, são fornecidas ferramentas para o desenvolvimento dos participantes, fortalecendo a cadeia produtiva", explica Marco Aurélio Bertaiolli, coordenador estadual do Empreender Paulista.

Artesanato em alta - Uma enquete realizada com 1.222 empresas do Estado durante os meses de agosto e setembro, revelou que o segmento de artesanato é o mais expressivo dentro do programa.

Por exemplo, dos 53,5% de empreendimentos do setor de serviços, 16,55% são ligados ao segmento de artesanato. Já o comércio tem 43% de participação, mas de forma pulverizada, ou seja, sem grandes destaques por segmentos.

A pesquisa apontou ainda, que 67% dos empresários declararam ter aumentado a margem de lucro após ingressarem no Empreender. Outros 59,4% disseram ter reduzido os custos de compra de matéria-prima por comprarem em conjunto; 50,6% tiveram melhor acesso a crédito com juros menores e 21,6% contrataram novos colaboradores.

Fabrício de Moraes, um dos consultores do setor automotivo da região de Campinas e Baixamogiana, que engloba dez cidades, 135 empresas e gera cerca de 500 empregos, foi um dos que ampliou o negócio e fez novas contratações.

No Empreender há oito meses, o microempresário trabalhava apenas com o pai em uma oficina. Atualmente, tem dois funcionários contratados e ampliou o espaço onde realiza os trabalhos, que passou a contar até com escritório. O resultado foi um aumento de 25% no faturamento e no número de clientes.

"Aprendemos a manter nosso espaço mais limpo e mudamos aquela imagem de que toda oficina é suja. Fizemos cursos de como controlar as finanças, obter financiamento e atender melhor o cliente", diz Moraes.

Parceiros - A consultora regional da Facesp, Monica Sartori, responsável pela região mogiana, destaca que os empresários aprenderam a trabalhar a usar o associativismo, deixando de ser concorrentes. "Hoje, eles se revezam em plantões nos finais de semana, que antes não existiam, e indicam o cliente para outro mecânico quando não podem atendê-lo", exemplifica.

Turismo - Em Borborena, o programa foi responsável pela melhora no setor de turismo. Antes do Empreender, uma média de oito ônibus visitava a cidade semanalmente, com turistas em busca de enxoval. Agora, a média está entre 15 e 20 ônibus vindos de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Santa Catarina. Antes, a cidade recebia visitantes apenas dos dois primeiros estados.

Cláudio Simões, secretário-executivo da associação comercial local, conta que a criação de uma marca turística para a cidade foi a responsável por essa melhoria. Passaram a divulgar a cidade como o "território dos enxovais", com o objetivo de dissociá-la de Ibitinga, município vizinho conhecido como a cidade dos bordados.

"Quando o Empreender começou, reunimos as empresas para discutir qual era o principal problema enfrentado por elas e como poderia ser resolvido", explica Simões. "Detectamos que a falta de uma marca própria e a associação a outra cidade atrapalhava muito os negócios. Com boas estratégias de marketing, auxiliados pelo Sebrae, conseguimos aos poucos a mudar esse quadro."

O objetivo agora, diz Simões, é que todo os País reconheça Borborena como território dos bordados.


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