SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 03/11/2005
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Inovação como imperativo na vida organizacional

Nos dias atuais perdura um certo descompasso entre o que as empresas entendem por espírito empreendedor e o que, de fato, este conceito e sua implementação significam para os negócios. Em primeiro lugar, o termo empreendedorismo continua sendo relacionado ao processo de abertura de um negócio próprio. Trata-se de visão simplista, uma vez que o empreendedor corporativo se faz cada vez mais necessário em distintos ciclos de vida das companhias. Seu papel é imprescindível, por exemplo, quando a situação conjuntural da empresa não é favorável, como em casos de perda de participação de mercado, de estagnação econômica e de estado falimentar.

Esta visão distorcida se deve ao fato de o tema ser relativamente recente e pouco debatido entre formadores de opinião e meios empresariais. A grande questão que pretendo levantar neste artigo diz respeito à importância do foco em inovação dentro de um ambiente competitivo. Isso porque o grande pilar que sustenta a lógica empreendedora está associado à inovação. Ela é, antes de tudo, um imperativo organizacional. O executivo moderno precisa planejar, exercitar a criatividade, ousar, buscar oportunidades e gerir o negócio como se fosse seu.

É importante entender que me refiro a um conceito de inovação mais abrangente do que a criação de novos produtos e serviços ou a lampejos repentinos sobre algo inédito. Quando se analisa o assunto sob esta perspectiva, muito pouco o executivo poderá fazer, pois ficará à mercê da sorte, de fatos isolados e ocasionais. Peter Drucker já disse que o executivo deve buscar, de forma deliberada e pró-ativa, as fontes de inovação.

Por vezes, por mais descomprometida que seja, a inovação pode resultar em uma revolução na forma de se fazer negócio. Isso acontece quando um visionário propõe e implementa um modelo de negócios diferenciado, agitando o mercado em que atua. O que diferencia o empreendedor do inventor é que o primeiro alia suas habilidades gerenciais ao conhecimento dos negócios, para identificar oportunidades de inovar. O segundo não tem o compromisso de criar algo com fins econômicos. Sua motivação é a descoberta e nada mais.

A busca da inovação sistemática é, portanto, uma atividade comum aos empreendedores, tanto para aqueles que começam um novo negócio como para os que estão trabalhando em organizações já estabelecidas. Para tanto, os gestores, na procura por oportunidades inovadoras, precisam estar atentos a possíveis indicadores de mudanças em suas companhias e mercados. A primeira delas refere-se à possibilidade do evento inesperado. Às vezes, o que aparenta ser um erro ou fracasso pode ser uma oportunidade de inovação. A invenção do panettone, por exemplo, surgiu no século passado, quando um confeiteiro deixou cair, sem querer, frutas cristalizadas sobre a massa de pão que preparava.

Outro aspecto a ser observado é que a necessidade pode levar à inovação. As oportunidades de mudanças inovadoras também podem ser oriundas de dentro das organizações e seus setores. Existem também aquelas que podem vir de fora. Mudanças demográficas - que ditam o comportamento e as tendências de consumo - são exemplos bastante comuns. Neste último, um caso típico brasileiro tem sido o aumento contínuo do mercado de academias de ginástica, de alimentos naturais, de produtos energéticos e do culto à estética - todos, amparados por maior consciência em relação à saúde, longevidade e qualidade de vida.

Também não poderia deixar de mencionar as inovações baseadas no avanço do conhecimento. Em geral, as inovações tecnológicas determinam o início de uma nova história ou de um paradigma. Representam, no entanto, apenas de 10% a 15% dos tipos de inovação dada a complexidade de testes e tentativas para fazê-las chegar ao mercado.

Por trás da ascensão dos novos conglomerados que ditam as regras dos negócios globais estão, com certeza, empreendedores que conseguem trabalhar o grande dilema da inovação: manter o curso da organização em meio a um ambiente competitivo e dinâmico, gerar receita e, ao mesmo tempo, preparar sua empresa para identificar novas oportunidades e mercados.

Julio Sergio Cardozo* é presidente da Ernst & Young América do Sul


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