SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 24/11/2005
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

Controle financeiro garante lucro

Uma boa gestão financeira é fundamental para assegurar o sucesso de uma empresa. É o que afirma o consultor financeiro do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), Ricardo Simões Curado. "O objetivo de qualquer empresa é ter lucro. E, para que isso aconteça, o empresário tem de dar muita atenção a tudo o que acontece com o caixa da sua empresa." Para Curado, não é complicado para um empresário fazer com que seu empreendimento dê retorno. "Antes de tudo, o empreendedor tem de saber produzir alguma coisa e, também, estudar como esse produto pode lhe trazer dividendos. Na seqüência, deve medir custos e estabelecer um preço que seja acessível a seus clientes e que também lhe proporcione um lucro razoável."

A partir daí, é muito importante acompanhar de perto o fluxo de caixa da empresa. "A grande maioria acaba contratando um contador externo para fazer esse serviço. Mas somente o contador não é suficiente. Deve haver um acompanhamento de caixa diário, feito pelo próprio proprietário ou por um funcionário designado para cumprir essa função", explica Curado.

"O empresário tem de saber, por exemplo, quanto custa e por quanto está sendo vendida uma certa mercadoria. Tem, também, de controlar todas as entradas e saídas do caixa, e registrar absolutamente tudo. Qualquer tipo de retirada ou de recebimento deve ser controlado pelo proprietário."

Para isso, Curado lembra que é necessário ter muita disciplina. "Este controle de fluxo de caixa deve ser sistemático, feito com muito cuidado", comenta. Não só com o dinheiro em caixa dentro da empresa, mas também junto ao banco, com todos os saques e depósitos feitos na conta.

Evitar o descontrole
Todo esse cuidado se justifica, segundo Curado, pois um dos problemas mais recorrentes, principalmente em empresas de pequeno porte, é o descontrole financeiro. "Muitas vezes, o dinheiro do empresário acaba se misturando com o da empresa, e vice-versa. E isto não é uma postura adequada para uma empresa que quer se manter no mercado e crescer."

O consultor diz que não se devem pagar contas pessoais com recursos da empresa e, também, que não é aconselhável pagar contas das empresas com dinheiro da conta corrente pessoal do empresário. Mas existem outros fatores que podem determinar se uma empresa terá ou não lucro. "Muitas vezes, há um excesso de estoque.
O empresário recebeu um pedido para entrega em uma certa data, e antecipou a produção ou a compra da mercadoria. Isto pode fazer com que o lucro, naquele momento, seja menor. E há, ainda, aqueles que têm um excesso de dinheiro em caixa em um certo momento, por terem feito compras a prazo. Aí deve haver um cuidado especial para não haver gastos excessivos, o que vai acarretar falta de recursos para honrar compromissos posteriores", diz Curado. Outra decisão a tomar é fazer uma consolidação mensal dos resultados da empresa. "Este resultado deve ser apurado por produto ou por linha de produto vendido". Para tudo funcionar bem, ressalta, é necessária a participação ativa do próprio empresário.

"O contador vai cuidar mais da parte tributária da empresa, ou seja, cuidar dos impostos a pagar, dos encargos trabalhistas. Ele fica longe da empresa, não acompanha o dia-a-dia. Por isso, é fundamental o acompanhamento de alguém de dentro."

Outro controle importante é o das retiradas feitas pelo empresário, a título de pró-labore, ou seja, sua remuneração mensal. "É importante registrar esse tipo de retirada, o que não acontece com muitas das empresas que nos procuram. Até mesmo uma retirada extra, como lucros, deve ser registrada de alguma forma no fluxo de caixa da empresa."

Curado ressalta que não é só a gestão financeira que determina o sucesso. "Claro que há outros fatores que determinam aonde a empresa vai chegar. Mas, sem uma gestão financeira adequada, fica muito mais difícil obter bons resultados."


Na Grenier, proprietária acompanha fluxo de caixa
A boa gestão financeira é uma das ferramentas mais importantes para levar um empreendimento ao sucesso. A constatação é levada a sério pela empresária paulistana formada em moda Cristina Grenier, da Grenier Indústria e Comércio de Bolsas . Criada em 1992, a empresa, que fabrica bolsas, mochilas e nécessaires para lojas como Track&Fields e Tok&Stok , começou a exportar para Espanha e França há menos de um ano.

E, no caso, a tarefa de gestão e administração da empresa é bem delimitada. "Temos um contador que fica restrito a calcular impostos, holerites de funcionários e notas fiscais. E eu, juntamente com minha família, ficamos com o fluxo de caixa, receita de vendas e pagamento de fornecedores", explica Cristina. Mas não foi fácil. "Tivemos de fazer cursos - e, até hoje, faço atualizações - para aprender a lidar com a gestão financeira", diz ela, que estuda a abertura de novas lojas.

Outro assunto que é acompanhado de perto por Cristina, pelo fato de influir diretamente na gestão das finanças da Grenier, é a variação do dólar. Mas, disse, essa variação não está afetando a empresa, mesmo porque a produção exportada ainda é pequena, com pouco mais de 200 peças ao mês. "Mas ficar alerta é imprescindível, até porque a variação da moeda dificulta o cálculo de custos e preços", comenta.

A Grenier Indústria e Comércio de Bolsas, avalia, passou bem pelos primeiros e mais difíceis anos que definem se uma empresa vai ou não manter suas portas abertas.

Estudo divulgado pelo Sebrae-SP indica que a taxa de mortalidade de micro e pequenas empresas do estado, com até cinco anos de atividade, chegou a 56% em 2004. A taxa é bastante superior à encontrada em países europeus e nos Estados Unidos, onde a taxa fica tradicionalmente entre 37% e 42%. Dentre as empresas que buscam ajuda do Sebrae-SP, essa taxa de mortalidade é de apenas 30%, segundo indica levantamento da entidade.

Planejamento financeiro e controle de custo são fundamentais para a saúde da empresa
Desde que iniciou suas atividades de fornecimento de coffee breaks em eventos empresariais, Alessandro Tosta procura trabalhar as necessidades de crescimento da empresa dentro do orçamento previsto. "Nada de empréstimos", decreta o empreendedor. Ele abriu há pouco mais de sete meses, junto com sua esposa Elaine Cristina de Santana, a L'Henrys Eventos Empresariais . Usou como capital o dinheiro adquirido com a venda de sua parte em uma empresa do mesmo ramo.
Para Tosta, apesar de o impulso de tomar um empréstimo que aumente o capital de giro e dê carga nova à empresa ser grande, a atitude deve ser pensada e repensada dentro de um contexto de gestão financeira. "Não adianta recorrer em um momento e, depois de alguns meses, ficar enrolado para quitar a dívida. É melhor ter paciência e crescer aos poucos", afirma o empreendedor.

A L'Henrys atende a uma média de 18 eventos empresariais por semana. No final do ano, diz Tosta, a expectativa é que o movimento cresça até 30%. Outro canal em processo de desenvolvimento, e que deverá aumentar o número de clientes, é a Internet. "Estamos investimento no desenvolvimento de um site, o que poderá incrementar nossas vendas", comenta Tosta. A previsão é que esse novo canal de contato seja lançado em janeiro.

Programação faz a diferença
O trabalho de administração da L'Henrys é dividido em família. "É importante ter planejamento financeiro, para programar aquilo que se vai realizar nos próximos dias e até meses", registra Elaine.

A empreendedora começa separando os gastos em dois grandes grupos: os gastos fixos e os variáveis. Na primeira classe, diz ela, estão os gastos com contas de luz, água, despesas com propaganda e marketing, contabilidade, material de escritório e os salgados servidos nos eventos. Entre os custos variáveis, afirma Eliane, figuram os impostos e compras de doces e sucos. "Como os salgados são comprados de uma outra empresa da família, foi possível estipular um preço fixo. No caso dos doces não, porque compramos de outros fornecedores, que infelizmente não trabalham dessa forma", comenta Elaine.

A proprietária da L'Henrys comenta que, em geral, custos fixos representam 15% do faturamento mensal da empresa; as despesas variáveis são um pouco mais pesadas, representando 25% do faturamento. Os impostos, diz ela, chegam a 10% do valor faturado no período. "Por isso, é importante o planejamento das finanças, visto que as despesas engolem 50% do seu faturamento", explica.

Entre as despesas que, segundo Elaine, podem ser reduzidas, estão as fixas; em especial aquelas referentes a propaganda, marketing e divulgação. "Essas ferramentas de marketing são muito importantes, mas é preciso que se analise e avalie se vão gerar retorno ou não. Qual é o canal que vai ter o menor custo, mas vai garantir melhor retorno?", questiona a proprietária. Na empresa, 50% dos clientes chegam através de folhetos e outros canais de propaganda. "Ter esses canais é fundamental à sobrevivência", comenta.

Juros atrapalham
Entre os entraves ao crescimento, Eliane afirma que o principal são os juros altos. "Quando fazemos um evento e emitimos uma nota fiscal, na maioria das vezes aquele dinheiro só será recebido dali a 30 dias. O problema é que muitos fornecedores dão no máximo 15 dias para nós. Nesse caso, temos de entrar no cheque especial, que tem juros altíssimos, e quitar as dívidas", comenta Elaine.
O consultor do Sebrae-SP Ricardo Curado alerta a que a utilização do cheque especial pode virar uma bola de neve se o empresário não souber como fazê-lo.
"A primeira dica é entrar no cheque especial somente em caso de extrema emergência. Existem alternativas até 50% mais baratas no próprio banco, como a antecipação de recebimento de cheques pré-datados ou o desconto das vendas no cartão de crédito, além da negociação com os fornecedores. E ele lembra: "É fundamental ter controle e fazer planejamento antes de tomar qualquer atitude."


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