SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 09/12/2005
Autor: PAULO CABRAL
Fonte: Revista Vida Executiva

Novos desafios novas vitórias

Controle a insegurança, agregue valores, peça conselhos e vá em frente ao mudar de cargo, de área de atuação ou mesmo de emprego. Profissionais recém-transferidos falam de suas experiências e dão o (bom) exemplo

Mudar faz parte de seus planos profissionais? Já se preparou para isso? Encarar uma promoção, uma transferência de área ou até mesmo um novo emprego requer, antes de mais nada, uma predisposição. Junto ao aumento salarial e ao status na carreira vêm novas responsabilidades, novas metas, novos desafios. E sabe qual é a maior satisfação desse processo? Vencer! "A cada desafio superado, a auto-estima cresce", declara a vice- presidente de Alianças e Canais da Oracle para a América Latina, Sandra Vaz, no cargo desde julho passado.

Sandra trabalha na Oracle há oito anos e, nesse período, mudou de cargo e de chefia umas 20 vezes. Seu sucesso profissional deu-se de uma forma progressiva, tanto que ia mudando de função conforme desenvolvia uma área. Em cada novo cargo, a missão de gerar negócios e resultados. "Toda mudança deve ser bem vista, é a oportunidade de conhecimento de novas áreas", reconhece a executiva. Nesses cinco meses como vice-presidente de Alianças e Canais para a América Latina, por exemplo, ela já contribuiu para a criação de um ecossistema de parceiros e no crescimento das vendas para o mercado latino-americano.

Manter sempre o network é um dos conselhos de Sandra Vaz para quem está numa fase de mudança profissional, para "agregar conhecimento e relacionamento para abrir novas oportunidades na carreira", justifica. Aliás, foi com a inspiração em mentores e com aprendizado que ela se preparou para essa sua nova fase na Oracle, na qual chefia 70 pessoas em diferentes países. No cargo de vice-presidente, ao perceber que nenhum de seus subordinados estava disposto a ir para a Colômbia, ela se viu na obrigação de dar o exemplo e foi iniciar os trabalhos naquele país. Depois de sua experiência, conseguiu preencher a vaga em Bogotá com mais facilidade.

Sair do conforto de um cargo ou emprego estabelecido geralmente gera insegurança, e para se sair bem dessa situação há pelo menos duas posturas a seguir: flexibilidade e humildade. No caso de Sandra, ao mapear o trabalho na América Latina, surgiu uma dúvida quanto à localização do Peru. Ela não teve dúvida, reuniu sua equipe e, juntos, foram consultar um mapa. Dessa forma, a executiva não só pôs às claras sua fraqueza como contou com a cumplicidade do seu time para resolver a questão. "Você tem de pôr a energia na solução, não nos problemas. Tem de olhar para frente", diz Sandra Vaz.

Resultados sustentáveis

Humildade foi o primeiro atributo que José Taragano lançou mão ao integrar a diretoria executiva e assumir o cargo de Diretor da Unidade de Negócios de Embalagens de Papelão Ondulado da Klabin, há três meses. Vindo de uma experiência de mais de 20 anos na Alcoa, empresa onde ocupou várias posições de destaque, inclusive a Diretoria Mundial de Meio Ambiente, Saúde e Segurança, na sede em Nova York, Taragano chegou em seu novo emprego disposto a ouvir as pessoas que já trabalhavam ali. "A tentação de chegar com uma solução pronta é muito grande", reconhece o executivo.

José Taragano assumiu seu novo desafio como uma oportunidade para usar toda a experiência que adquiriu nos seus 25 anos de carreira. Mas mesmo com toda essa bagagem, não abriu mão do seguinte planejamento: ouvir atentamente as pessoas durante os primeiros 30 ou 40 dias, conhecer as pessoas e entender as expectativas delas, identificar os problemas e os desafios a serem enfrentados na empresa, criar um plano de ação e, finalmente, fazer as mudanças que achar necessárias. "Tem de ter humildade para ouvir, inteligência para processar e coragem para realizar as devidas mudanças", declara.

Um ponto positivo nesse início de empreitada é a identificação com a novidade. No caso de Taragano, a Klabin era a empresa em que ele gostaria de trabalhar, e isso se concretizou com o Prêmio Eco 2005, dado à companhia na categoria gestão empresarial para a sustentabilidade. "O meu maior desafio aqui é trazer resultados sustentáveis e tornar esse negócio em um negócio de classe mundial", diz o executivo, reconhecendo que neste cargo tem de dar o melhor de si. "Para dirigir, é preciso ter mais atributos do que saber dirigir".

Mercado brasileiro

No caso de Breno Niero, que assumiu há oito meses o cargo de gerente de Segurança da Informação da Sondaimarés, seu maior desafio nesse novo cargo foi entender o mercado brasileiro para a área de SI. É que, antes, ele era gerente de projetos da Cendant, de tecnologia de dados, e reportava diretamente para Chicago e Denver, nos Estados Unidos. Quando foi convidado para assumir a vaga, após um processo de seleção, Breno fez uma análise da empresa e das oportunidades oferecidas durante a entrevista e constatou que iria realizar uma boa troca, ainda mais ao levar em conta que sua especialização, feita na Inglaterra, é justamente em segurança da informação.

A grande aliada de Breno nessa nova empreitada é sua experiência no exterior, inclusive na África e na Ásia. "A adaptação a novas culturas fica mais fácil", reconhece. "Há uma grande vantagem quando se sabe agregar e adaptar valores à nova empresa". Para seguir a cartilha da Sondaimarés, ele foi auxiliado pelo KAM, - Key Account Management - uma metodologia adotada pela companhia para os funcionários entenderem como são as negociações feitas com os clientes. "O foco é o cliente e o que colocar de novo é necessário para trazer vantagem para ele", diz o executivo, já de acordo com a cultura de seu novo trabalho.

A necessidade pessoal e profissional em ter mais proximidade com o cliente foi o que motivou Lenita Lopes a deixar a Jansen-Cilag Farmacêutica, da Johnson & Johnson, para assumir a diretoria de Recursos Humanos da rede de laboratórios Fleury. "Não se deve mudar antes de ter a certeza de que todo o seu conhecimento e a sua capacidade foi aplicada", recomenda a executiva. Para ela, é hora de mudar "quando não se sente mais prazer e satisfação no trabalho". Ou seja, ao se implementar um projeto, se o profissional se referir a isso lembrando só das 14 horas ou mais trabalhado, é porque chegou o momento da troca.

Para reconhecer esse momento de mudança, Lenita Lopes ressalta dois fatores: a auto-avaliação - "está na hora de mudar ou devo continuar tentando?" - e a presença de um tutor, o que considera de extrema importância. "Os profissionais dificilmente têm um aconselhamento profissional para mostrar as oportunidades e as fraquezas", critica, lembrando que, geralmente, só se busca um conselheiro quando a situação está complicada. "Faça isso quando estiver bem posicionado", recomenda a executiva.

Medos assumidos

Já para a mudança de fato, Lenita dá três orientações básicas: olhe o mundo e fique com a antena ligada com o que está acontecendo (foi após a percepção do crescimento do mercado de luxo e o fato de o Fleury prestar um atendimento diferenciado que ela optou pela troca); alie tendência, oportunidade e desafio ao mudar; assuma o medo que existe em mudar. "Quando se sabe quais são os medos e receios, mobilize-se, não pare. A paralisação causa a não-mudança", afirma.

Nessa mudança, Lenita levou junto a ética e os valores aprendidos na carreira, - "não paternalismo e, sim, profissionalismo" - a visão global de Recursos Humanos, o compromisso com resultados e a gestão de RH, com o que é importante para a empresa de acordo com as expectativas dos colaboradores. E o que encontrou? A certeza de que não há uma fórmula de Recursos Humanos. "Nunca se sabe onde se está entrando, numa mudança a gente começa a aprender novamente", ensina. Humildade, estudar e aprender antes de começar a propor no novo emprego também fazem parte da cartilha dela.

Como diretora de Recursos Humanos, Lenita Lopes dá alguns conselhos para quem está mudando ou planeja uma mudança profissional e pretende, com esse novo desafio, sair vitorioso:

■ Tenha muita sinergia com quem vai trabalhar, do seu superior à equipe que estará ao seu lado nessa nova empreitada;

■ Não tenha medo de dizer para a equipe "ainda não sei, estou aprendendo com vocês";

■ Não tenha medo de dizer "estou em risco, mas isso me atrai";

■ É melhor tentar fazer e, se não der certo, tudo bem, do que não dar certo porque não se fez nada;

■ Tenha coragem de se olhar no espelho e reconhecer "no que sou bom e no que não sou bom".

Mudança estimulada

Trocar a área financeira por uma vaga no marketing, ou deixar o setor de vendas para ocupar uma vaga no RH é uma prática comum na Monsanto. A empresa promove as mudanças internas como uma prática administrativa. "A Monsanto acredita que a diversidade de pensamento, de experiências, traz lucratividade para a empresa", explica a diretora de Recursos Humanos da companhia, ANA TERESA MARCHI. Para amenizar o estresse gerado pela mudança, há todo um processo facilitador, a começar pelo coach, eleito pelo candidato a trocar de área para que ele tenha uma melhor adaptação nas relações com a nova equipe e com os clientes e em sua nova função. No novo setor, também há um funcionário designado a acompanhar o novo colega. Esse processo ocorre em um período chamado de overlap, quando as diferentes funções são sobrepostas. Ou seja, o profissional vai assumindo seu novo cargo ao mesmo tempo em que repassa seus compromissos ao seu sucessor. Para um funcionário ser convocado a mudar de área ele deve estar na função entre um ano e meio a três anos, e ter vontade de mudar. Aliado a isso, deve ter uma demanda na empresa e a mudança estar de acordo com a estratégia da companhia. Segundo Ana Teresa Marchi, o maior desafio de quem vai mudar de cargo e de setor são as próprias expectativas que cada um tem de si mesmo. "A ansiedade é muito grande", diz. Para lidar com a mudança, ela aconselha:

- ter um diálogo aberto com a nova gestão;

- discutir as novas competências;

- mapear o processo;

- liberar os medos.

Ana Teresa Marchi acredita que esse exemplo da Monsanto vai ser seguido por outras empresas no futuro. "Não tem como não evoluir para um processo como esse, é uma vantagem competitiva para a empresa", afirma, alegando que o trabalho de time progride e que o profissional que passa por essa experiência tem mais condições de competir no mercado em geral.


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