SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 04/01/2006
Autor: Sebrae
Fonte: Sebrae

Design faz cerâmica de Florianópolis ganhar produtividade e qualidade

Depois de seis meses de consultorias do Programa Via Design do Sebrae, a Olaria Pedra Fogo triplica sua produção e melhora a qualidade das peças, sem abandonar o jeito artesanal

Brasília - A produção mensal de peças de cerâmica da Olaria Pedra Fogo triplicou, depois das consultorias oferecidas pelo Programa Via Design do Sebrae. As vendas também, já que praticamente tudo que é produzido, é vendido. O consumo de energia caiu pela metade. O forno passou a ser aquecido a gás e não mais à lenha. A implantação do fluxograma de produção ajudou a controlar as perdas, a gerir o tempo para, depois, adotar a planilha de custos.

¿Eu simplesmente não calculava nada e o preço das peças era dado pelo valor de similares no mercado¿, conta Alexandre Almeida da Silva, ceramista de Florianópolis (SC) e dono da Olaria Pedra Fogo. ¿A contribuição do design não foi em relação ao desenho da peça, mas em como produzir a peça¿, diz ele. O processo de produção mudou, porém sem descaracterizar os produto artesanal. Outra grande mudança também ocorreu. Agora Alexandre se define como artesão-empreendedor.

A Olaria Pedra Fogo está em atividade há oito anos. Seu dono, Alexandre, é ceramista, desde o tempo em que vivia em São Paulo, antes de mudar para Florianópolis. Os desenhos coloridos das xícaras, pratos, suplás, consomês, saladeiras e petisqueiras sempre foram pintados à mão e assim será sempre, assegura o artista. ¿Eu fazia cerâmica de ateliê¿, explica Alexandre. O número de peças produzidas não era a preocupação. ¿Estava no plano artístico¿, acrescenta. Com o tempo, percebeu que não daria para sobreviver se não aumentasse a produção. ¿Pecava no tempo dedicado a cada peça¿, resume.

Alexandre conta que demorou a decidir pela consultoria de design. ¿Temia degenerar minha arte¿, confessa. Existe um certo desentendimento e, às vezes, até preconceito, entre artesãos e artistas sobre a contribuição do design, diz ele. Porém ao contrário do que imaginava, a intervenção proposta pelos consultores do Programa Via Design foi respeitosa e não descaracterizou em nada os produtos da Olaria Pedra Fogo.

Em 2004, ao visitar a Feira do Empreendedor de Santa Catarina, Alexandre obteve informações sobre o programa do Sebrae e entrou em contato com profissionais do Núcleo de Inovação e Design (NID) de Cerâmica, ligado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Cinco núcleos integram o Via Design no Estado catarinense. Esses núcleos atendem os setores de artesanato, moveleiro, têxtil, embalagem e cerâmica.

De novembro de 2004 a maio deste ano, a Olaria Pedra Fogo recebeu as visitas das designers Suzana Back e Natasha Camila Fontes da Silva e da engenheira Claudia Lira, do NID Cerâmica. Alexandre arcou com 20% dos custos das consultorias e o Sebrae com os 80% restantes. A produção era feita sem torno e moldes. O ceramista produzia 60 quilos por mês. A queima das peças era feita em forno à lenha.

As duas designers e a engenheira do NID Cerâmica passaram a visitar a Olaria Pedra Fogo. Elas quiseram saber de tudo, conta Alexandre. ¿O NID veio e listou os pontos fortes e fracos do negócio¿, relata. As sugestões das designers atingiram todas as etapas da produção. ¿Até no momento da etiquetagem da peça, o design interviu¿, diz o ceramista. O desenho estrutural reduziu a perda de peças, que agora é de 10%, índice aceitável em indústrias. A engenheira estudou e testou a qualidade da argila e introduziu mais ingredientes à massa. ¿O design não é só a decoração da peça. A decoração não mudou, continua sendo minha¿, argumenta Alexandre. O conforto e a resistência da alça de uma xícara são importantes, explica, pois geram mais confiança no produto.

As designers apoiaram Alexandre no aperfeiçoamento dos cinco jogos de aparelhos de jantar da Olaria Pedra Fogo. Elas associaram os produtos a nomes de árvores nativas de Santa Catarina e à cultural local. Agora, as linhas levam nomes como Garapuvú, Tapiá, Olho de Cabra, Chita e Feitiço. Arandelas, abajures, painéis, revestimentos e peças decorativas para jardins são os outros produtos da marca.

Inicialmente a substituição da lenha pelo gás para aquecer o forno despertou resistência em Alexandre. ¿Não queria tirar a chama do negócio, por causa do nome¿. A engenheira também sugeriu a utilização de manta como isolante térmico, para revestir o forno e manter o calor. O resultado foi redução pela metade das despesas com energia. Conforme o tipo de peça, a economia pode chegar até a 75%.

¿O design contribui esteticamente para o produto, mas também pode melhorar o processo produtivo, independe do tamanho da empresa¿, afirma Suzana Back, designer do NID -Cerâmica do Projeto Via Design do Sebrae em Santa Catarina. As consultorias também abordaram a área de comunicação no desenvolvimento da logomarca e folheteria da microempresa.

As consultorias ministradas à Olaria Pedra Fogo ajudaram a fortalecer a marca da empresa, a estruturar o empreendimento, que já triplicou a produção e as vendas. Os produtos feitos por Alexandre, em sua pequena cerâmica de 200 metros quadrados, são um ótimo exemplo sobre como o design pode apoiar empresários. Sem descaracterizar as peças, melhorando o processo produtivo e, conseqüentemente, a comercialização. Além de despertar o empreendedorismo no artista, que antes não se preocupava com números, produtividade e com o mercado. ¿O Via Design me transformou em empreendedor. Antes eu era apenas um artesão¿, resume Alexandre.

Serviço:
Olaria Pedra Fogo - www.pedrafogo.com.br ¿ (48) 3237-2374
Sebrae em Santa Catarina ¿ (48) 3221-0800


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