SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 09/01/2006
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

O charme informal das artesãs

Isabel Cristina Gazem, Dinorá Gazem e Vera Maria de Melo transformaram a paixão por obras e trabalhos manuais em fonte de renda, a princípio complementar, ao abrirem um ateliê na Praça da Bandeira

Foi-se a época em que um só emprego era o suficiente para manter uma vida digna. Hoje, cada vez mais o brasileiro se aventura em novas empreitadas em busca de aumentar a renda. Batalhadoras, as mulheres vêm arregaçando as mangas e pondo as mãos na massa. Literalmente. Mais do que hobby, o mercado artesanal tornou-se um nicho lucrativo para artesãos e pessoas dotadas de habilidade manual.

Isabel Cristina Gazem, Dinorá Gazem e Vera Maria de Melo transformaram a paixão por obras e trabalhos manuais em fonte de renda, a princípio complementar, ao abrirem um ateliê na Praça da Bandeira, Zona Norte do Rio, que abriga materiais e ferramentas suficientes para realizar os mais diversos desejos. De caixinhas de madeira a pátinas em paredes ou móveis, tudo é possível.

Professora formada, Isabel começou cedo a trabalhar com artesanato, ainda por hobby. Como achava que levava jeito para o trabalho manual, fez curso especializado e se encantou. Há mais de 15 anos nesse mercado, ao lado da mãe Dinorá Gazem, a vontade de abrir um ateliê surgiu da inesperada demanda por seus trabalhos, divulgados boca-à-boca. Isabel explica que, para esse mercado, é fundamental manter-se atualizada com as novas técnicas e com a demanda do público, enquanto Dinorá vê na decoração com muita pátina, seguindo a moda de móveis mais claros e textura de parede, o que está em voga, assim como a tendência dos que preferem renovar o móvel a comprar um novo.

Apesar do sucesso obtido pelos diversos produtos criados no ateliê, Isabel afirma ser ainda cedo para deixar o emprego na loja de tecidos e móveis: "O trabalho na loja é um salário fixo, uma garantia. O ateliê não oferece isso por enquanto. Mas a decoração complementa o trabalho no ateliê, assim como os contatos que fiz com arquitetos por causa da loja em que trabalho", afirma.

Formada em psicologia e fono, Vera de Melo também trabalha em comércio há muitos anos e ingressou na parceria com Isabel numa época em que "o Rio ainda não era violento". A parceria certa se mantém até hoje e uma das felicidades de Vera é a clientela fixa, fruto do trabalho conjunto. "Às vezes, clientes de cinco anos atrás nos procuram para fazermos novas obras. E não é nem uma ou duas pessoas, são várias". Uma das obras mais extensas que fizeram foi em uma casa em Angra dos Reis, onde tiveram de morar por mais de um mês. Vera lembra que reformou 35 portas de armários em bambu, entre outros móveis menores. O esforço, porém, compensa. "É muito gostoso. Adoro", garante Vera.

Dinorá chama atenção para o fato de o artesão receber apoio da Casa do Pequeno Artesão, na Rua Real Grandeza, em Botafogo, onde pode obter certificado: "Com essa autonomia, podemos ter acesso a outros lugares e comprar por preços mais acessíveis. Há também o Jornal Brasil Artesão, que informa tudo o que acontece nessa área. Todas as feiras, bazares, cursos, lojas".

Para um futuro próximo, as amigas pretendem dar cursos especializados, como artesanato, caixinhas, pintura country, mosaico, no próprio ateliê, para todas as faixas etárias, inclusive a terceira idade.

Outro exemplo é de Vera Cals. Durante 19 anos, trabalhou como executiva na Riotur, empresa municipal de turismo do Rio, onde começou como assessora até ser a primeira funcionária a se tornar diretora. Com a entrada de um novo presidente, ocorreu uma mudança na organização interna e ela voltou ao antigo cargo de técnica de turismo, o que não a interessava mais. Ao deixar a empresa, começou a fazer frilas de editoração eletrônica, trabalhando até mesmo para a Academia Brasileira de Letras. Depois de passar três anos em São Paulo, mudou-se para Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro, com os pais, onde continuou o trabalho com editoração eletrônica. Com a morte da mãe, um mês após a mudança, passou a ver os inúmeros santinhos deixados pela mãe com outros olhos e aos poucos os transformou em relicário. "A visibilidade começou na minha casa, com os vizinhos, com os amigos. As pessoas me pediam para vender e eu nunca tinha pensado realmente nisso."

Sentindo-se artesã, há quatro anos, Vera se cadastrou no Sebrae e juntou-se a uma associação de artesãos, ainda pequena na época. Com a associação, passou a expor seus produtos em feiras, ganhando visibilidade. Seguindo conselhos de amigas, mandou fotos de seus já famosos relicários para lojas no Rio. Hoje, seus produtos são vendidos em seis, uma delas no Shopping da Gávea, Zona Sul da cidade. Vera atribui a alta demanda ao fato de usar as latas de produtos alimentícios para fazer uma correspondência com o santo usado no relicário. "A minha sorte é que ganho muitas latas de amigos, donos de restaurantes. Muita gente que me conhece guarda as latinhas para me dar. Às vezes acontece de eu não ter nem onde guardar tanta lata. É um barato." Esse diferencial faz o artesanato dela ser tão pitoresco. A artesã segue essa mesma linha para fazer velas, e brinca ao comparar o trabalho à construção de um prédio. Exageros à parte, Vera montou uma oficina só para produzir velas, podendo sujar e bagunçar o local à vontade. Um fato curioso, desenvolvido por Vera, é o uso de grampos de cabelo na montagem da vela. E dá uma dica para quem gosta de velas aromatizadas: deve-se deixar a parafina queimar um pouco e jogar a essência na parte derretida.

Na hora de produzir, a inspiração é inexplicável. É preciso, porém, manter-se equipada e ter os equipamentos sempre à vista: "Uso de tudo. Tenho gravatas, cordões, latinhas, muitas tintas. Preciso de todas as ferramentas para trabalhar. Corto até roupa minha se for necessário. E reaproveito muita coisa também". Segundo explicou, é indispensável o uso de materiais bem acabados. "É preciso muito cuidado porque as pessoas reparam e cobram se vendemos algo malfeito. E com razão, claro." Uma das grandes vantagens do artesão é o barateamento dos preços, já que podem vender as peças no próprio ateliê. "Para o meu trabalho me satisfazer precisa ter brilho e cor sempre. E a lata, que agora não abandono mais."

Já a designer de bijuterias, Mônica Mattos, ao ficar viúva, entrou no mercado artesanal como uma alternativa de aumentar a renda. Prestes a se aposentar do atual emprego, nunca imaginaria que seu hobby, em tão pouco tempo, ofereceria excelente upgrade financeiro. Através do famoso e prático boca-à-boca, ou como ela chama a fiel clientela, "as amigas, das minhas amigas", suas bijuterias se tornaram ainda mais concorridas. Apesar de apostar neste nicho, Mônica continua céptica em relação à expansão das vendas e apresenta alguns pontos negativos. "O problema de vender exclusivamente para uma loja é que ela, além de vender as peças muito mais caras, se não desovar todo ou grande parte do material que fiz, perco muito dinheiro. E o mais interessante de fazer as bijous é poder estar sempre reciclando. Não preciso jogar o cordão ou a pulseira fora. Apenas as desmonto." Apesar da concorrência, Mônica admite que segue as tendências da moda, mas só trabalha com o que realmente gosta. Ela até deixou de desenvolver modelos por algum tempo: "Sei que devemos fazer o de que está vendendo, mas nem sempre o que está vendendo agrada a quem está fazendo. Desenvolver bijuterias é mais do que uma fonte de renda para mim. Além de me realizar profissionalmente, as pessoas gostam do que faço, sinto-me gratificada e ainda ganho dinheiro".

Confiando na sua intuição, a artesã Inah Ralile passou a desenvolver camisas com imagens para uso próprio. O que começou como puro prazer e satisfação pessoal se transformou em negócio consideravelmente lucrativo. "O artesanato conta a história de um povo. Passei a ler a história de cada imagem retratada", explica Inah, que sempre foi fã de peças artesanais, inclusive colecionando vários objetos de diferentes lugares por onde passou. A inspiração da artesã parte dos detalhes do colorido, das pedrinhas, das rendinhas, relacionando a imagem e o gosto do cliente, atribuindo uma forma mais personalizada às camisas, apostando este ser o diferencial no seu trabalho. A moda artesanal é uma fonte de felicidade. Vale muito a pena, não só pela satisfação pessoal e pelo lucro, mas também por, no momento, poder proporcionar a outras pessoas um ganho a mais em sua renda. "Hoje, algumas pessoas até revendem minha mercadoria."


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