SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/01/2006
Autor: Juan Quirós
Fonte: Folha de são Paulo

O lado social das exportações

As exportações têm hoje um papel inquestionável na economia do Brasil. Além de gerarem divisas, promovem desenvolvimento, estimulam pesquisa, resultam em criação e aprimoramento de novos produtos e serviços, possibilitam o intercâmbio de matérias-primas e manufaturados, potencializam e oferecem novas oportunidades às empresas nacionais, entre outros atributos. Mas o comércio exterior se torna ainda mais relevante e é imediatamente convertido em investimento de longo prazo quando ressaltamos seu impacto social.

No âmbito da indústria, das entidades setoriais e do setor público, o mercado internacional demanda qualidade, tecnologia e design diferenciado e, dessa forma, resulta no ensino formal e na qualificação profissional. O aprendizado de idiomas e de costumes sociais de outros países, a internalização de conceitos como globalização e a identificação de melhores usos e apresentações para seus produtos são apenas alguns dos ganhos. Melhor capacitação profissional e a observação de uma posição brasileira mais positiva no mundo resultam em confiança e auto-estima para o trabalhador.

Com o intenso trabalho de promoção das exportações, sob a coordenação da Apex-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos, ligada ao MDIC), hoje empresas de pequeno e médio portes ocupam as prateleiras de renomadas lojas pelo mundo. Já é uma realidade a presença de produtos de artesãos, microempresas, cooperativas, ONGs e APLs (Arranjos Produtivos Locais) em centros de consumo internacionais. Tais conquistas se tornam uma significativa fonte de renda e mais uma prova de que o Brasil tem enorme capacidade produtiva e competitiva.

De janeiro a outubro de 2005, as exportações de produtos fabricados em cooperativas em 20 Estados superaram os anos anteriores e contabilizaram um total de US$ 1,8 bilhão. As cooperativas de Santa Catarina venderam US$ 208 milhões, um aumento de 106% em relação a 2004. As cooperativas de Minas Gerais foram outro exemplo de desempenho, ao exportar US$ 152 milhões de janeiro a outubro, 63% acima do valor registrado ano passado.

Também de Minas Gerais, as ONGs "Central Mãos de Minas" e o Instituto Centro Cape, por meio de convênio com a Apex-Brasil, foram a duas feiras internacionais e alcançaram definitivamente a Europa e os Estados Unidos. Somente no primeiro semestre de 2005, a criatividade desses artesãos gerou divisas da ordem de US$ 110 mil. Impactante numa balança que fechou o ano acima de US$ 117 bilhões? Não, mas certamente um valor de peso para comunidades locais.

Também em 2005, com forte trabalho de promoção e divulgação, cosméticos, café, frutas, cachaça, mel, carnes e diversos produtos orgânicos conquistaram os mercados alemão e japonês. Tais itens, gerados por mais de 3.300 unidades de produção essencialmente familiar, ocupam um nicho sofisticado e criterioso que mundialmente movimenta cerca de US$ 26,5 bilhões/ano. Em março, durante a Biofach, a maior feira de orgânicos do mundo, na Alemanha, o Brasil fechou US$ 31 milhões em negócios com produtos de cem expositores. Se tomarmos os números relativos à participação nacional na feira de 2003, fica evidente o aumento da presença desse setor no exterior. Naquele ano, 45 empresas brasileiras negociaram US$ 7 milhões.

No Nordeste, produtores de sisal promovem a inserção de empresas de micro, pequeno e médio portes no mercado internacional. O foco das ações é a diversificação de produtos e mercados por meio da melhoria da qualidade da fibra produzida no Brasil, além da identificação de novas aplicabilidades do sisal. O projeto que o setor executa em conjunto com a agência envolve investimentos de R$ 1 milhão e beneficia 600 mil pessoas, direta e indiretamente.

Os APLs também encontram nas exportações espaço para parte de sua produção. O governo incluiu um suporte a eles em sua política industrial, tecnológica e de comércio exterior por se tratar de uma estratégia de desenvolvimento regional. A Apex-Brasil, por sua vez, apóia empresas localizadas em 76 arranjos e com estrutura para exportar. O resultado é que microprodutores de 19 Estados têm de flores a calçados por eles fabricados, vendidos para dezenas de mercados.

O excelente desempenho do Brasil no incremento das exportações não é, portanto, resultado apenas da geração de produtos com tecnologia, qualidade e design. É resultado também de forte investimento na mão-de-obra nacional, aprimoramento de técnicas e conceitos, valorização do saber nacional e crescente preocupação do empresário em inovar.


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