SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 19/01/2006
Autor: Paulo Skaf
Fonte: Gazeta Mercantil - SP

Os sérios desafios que nos reserva 2006

Redução dos juros, contenção dos gastos públicos e mais investimentos são alguns dos desafios

Conforme demonstra estudo produzido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as projeções da economia para o biênio 2005/2006, o crescimento do Brasil no período será inferior à média mundial, ficando muito aquém do patamar dos países emergentes e abaixo dos mais importantes vizinhos da América Latina.

Os dados evidenciam o que os brasileiros em geral já sabem: a ausência de algumas lições de casa cruciais e a postergação de outras criam círculo vicioso desestimulante para o nível de atividades. Os distintos setores são atingidos, ressentindo-se de uma política econômica mais arejada, criativa e capaz de conciliar responsabilidade fiscal, controle inflacionário e prosperidade.

A indústria em particular, na qual exigem-se pesados investimentos para a garantia de produtividade e competitividade, é apenada de maneira muito grave pelos impostos, juros, restrição do mercado interno e pela dificuldade de exportar provocada pelo câmbio sobrevalorizado. Há sérias razões para preocupação quando o setor enfrenta problemas dessa natureza, uma vez que é praticamente consenso nas diferentes correntes do pensamento econômico que a estrutura e a qualidade da acumulação de capital dependem da indústria.

Ou seja: na composição do Produto Interno Bruto (PIB) é a proporção relativa ao setor manufatureiro que irá determinar a capacidade de gerar tecnologia, aumentar a produtividade, agregar valor à pauta de exportações, criar empregos em escala e distribuir melhor a renda.

Exemplo claro da correção dessa tese é a própria economia brasileira. Aqui, a indústria representa 42% do PIB. Considerada tal premissa, é preocupante constatar que, entre 1980 e 2004, o PIB industrial brasileiro cresceu apenas 40%, contra a média de 140% nos países emergentes. O número permite fazer amargo diagnóstico: embora o País tenha o mais desenvolvido parque manufatureiro da América Latina, enfrenta um franco processo de desindustrialização precoce.

O quadro não faz justiça ao empenho das indústrias brasileiras de investir em tecnologia, qualidade e produtividade. Nesses aspectos são empresas vencedoras. Intramuros sua produção é tão ou mais competitiva do que a de qualquer outra no mundo.

Externamente, porém, enfrentam juros reais de 14% ao ano, tributos de 37% do PIB, valorização do real em 28% em 17 meses, inflexível regulamentação trabalhista, carência de logística e infra-estrutura, complexidade da legislação e morosidade da Justiça.

São ônus como esses que impactaram negativamente, de 1980 a 2004, o desempenho da indústria nacional. Os efeitos do chamado "custo Brasil" são o caldo de cultura da desindustrialização precoce. Dívida pública crescente, alimentada pela imprudência fiscal, e ausência de política econômica voltada para o crescimento completam o quadro de dificuldades. Assim, é urgente encontrar alternativas. Em outras palavras, o Brasil precisa de um projeto estrutural de desenvolvimento.

A prioridade é a redução drástica dos gastos públicos, propiciando maior volume de investimentos e melhor controle da inflação. Também é preciso estabelecer política eficiente de crédito para produção e consumo, considerando a redução dos juros.

Outra tarefa imprescindível é implementar política comercial eficaz, abrangendo câmbio adequado, consolidação do intercâmbio com os partners tradicionais, conquista de novos mercados e ferrenha luta contra a pirataria, da qual a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem sido uma das principais articuladoras.

As teses da entidade também incluem as reformas política, trabalhista e tributário-fiscal, bem como a implementação das parcerias público-privadas (PPPs), para que seja solucionado o gargalo da infra-estrutura, e mais estímulo às micro e pequenas empresas.

O significado da indústria para a economia e os números de seu baixo crescimento no Brasil em relação a outros países têm perigosa congruência com estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

A síntese do trabalho, que enfoca a Previdência, contém o seguinte alerta: "As nações industrializadas enriqueceram antes de envelhecer; os países emergentes estão envelhecendo antes de enriquecer". Este é o caso do Brasil. E para enriquecer, na acepção do enfoque abordado pelo BID, o País depende muito do fortalecimento de seu parque manufatureiro.

*Empresário, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do Senai-SP, do Sesi-SP, do Sebrae-SP e do Instituto Roberto Simonsen


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