SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 24/01/2006
Autor: Umberto Cilião Sacchelli
Fonte: Gazeta Mercantil

O segmento do couro no País

O setor é, com efeito, um dos grandes motores da economia brasileira

Exportações do produto somaram US$ 4,2 bilhões em 2005. A despeito das dificuldades representadas pelas altas taxas de juros, pela pesada carga tributária e pela apreciação cambial do real, dentre outras, as exportações brasileiras da cadeia produtiva do couro somaram US$ 4,2 bilhões no ano passado.

O setor é, com efeito, um dos grandes motores da economia brasileira. A atividade reúne 10 mil indústrias, emprega mais de 500 mil pessoas e gera um PIB que supera os US$ 21 bilhões. Como resultado, o Brasil é o maior produtor e exportador de couros ¿ com o processamento ao redor de 42 milhões de unidades e embarques de cerca de 28 milhões de peças.

A pole-position do couro brasileiro é resultado das diversas e notórias vantagens comparativas do País, que conta com farta disponibilidade de terras, água em abundância e clima propício para a produção agropecuária ao longo de todo o ano. Como resultado, o Brasil é dono do maior rebanho bovino comercial do mundo, com 204,5 milhões de cabeças ¿ o que significa dizer que a população animal supera a própria população brasileira.

A farta disponibilidade de matéria-prima é capitalizada, de outra parte, por um moderno parque industrial, operado, por sua vez, por mão-de-obra das mais qualificadas do mundo.

Vale lembrar que o segmento recebeu pesados investimentos na modernização de processos, que absorveram mais de US$ 300 milhões nos últimos anos. Assistimos, nesse contexto, a um auspicioso movimento de valorização da matéria-prima brasileira, resultado de ações articuladas pela iniciativa privada em parceira com entidades governamentais.

Tome-se, por exemplo, o Programa Brasileiro de Qualidade do Couro (PBQC), conduzido pelas empresas que integram o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Esse programa visa reduzir perdas perfeitamente evitáveis ¿ como danos causados por arames farpados, manejo inadequado, condições impróprias de transporte dos animais, dentre outros ¿, estimadas em cerca de US$ 1 bilhão anuais.

Os resultados dessa iniciativa, de fato, são alentadores: logo no seu primeiro ano de existência, o projeto conseguiu capacitar 58 mil produtores, técnicos e universitários de vinte e três estados.

Em outra vertente, o CICB, em conjunto com a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), trata de abrir novos mercados para o produto nacional, organizando e estimulando a participação de empresas brasileiras em feiras e eventos internacionais. Afinal, o couro verde-amarelo é muito apreciado pela evolução do design nacional nos produtos de alto valor agregado como calçados, móveis, artefatos e estofados para autos e aviões.

Os resultados colhidos nessa frente são igualmente animadores: em 2004, mais de 60 empresários participaram desses eventos de prospecção mercadológica, que propiciaram negócios da ordem de US$ 33 milhões, reforçando, paralelamente, a presença do couro brasileiro ¿ hoje presente em mais de 80 países.

Os horizontes para a cadeia produtiva do couro, entretanto, podem ser ampliados com relativa facilidade. Basta que se conceda à indústria nacional as mesmas condições que nossos principais concorrentes desfrutam, acelerando a devolução dos créditos fiscais acumulados nas exportações, promovendo a redução da carga tributária, expandindo linhas de crédito e reduzindo os entraves burocráticos que tolhem a competitividade brasileira.

Como resposta, o segmento coureiro-calçadista pode contribuir com investimentos industriais de cerca de US$ 1 bilhão, aumentando a receita com exportações para US$ 10 bilhões e criando cerca de 650 mil novos empregos.

Presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), entidade de âmbito nacional que reúne associados de empresas privadas e sindicatos da indústria de couro, filiada ao ICT, sigla em inglês para Conselho Internacional dos Curtumes, que congrega representações em 25 países.


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