SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 13/02/2006
Autor: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense

"Empreendedor tem que arriscar"

Entrevista: Sujit Chowdhury, presidente da World Trade University

Sujit Chowdhury nasceu em Bangladesh, em 1965, e cresceu no Canadá. É presidente da World Trade University e coordenador geral do Congresso Mundial de Jovens Empreendedores, designado pelo ONU. Ele esteve em SC para divulgar os benefícios que o evento, nos dias 15 e 17 de março, em SP, pode trazer ao empresariado catarinense. O congresso vai reunir 300 empreendedores estrangeiros. Nesta entrevista ao DC, Chowdhury destaca que o empreendedorismo é o que movimenta a economia, destaca quais mecanismos são necessários para favorecer os empreendedores e afirma que é possível ser empreendedor mesmo sendo empregado. Acompanhe os principais trechos.

Diário Catarinense - Pesquisas apontam que o Brasil ocupa a primeira posição mundial em empreendedorismo por necessidade. Como avalia esta situação?

Sujit Chowdhury - A economia, pela política adotada, tende a ser de necessidade e não de oportunidade.

DC - Como o senhor avalia a política econômica do Brasil?

Chowdhury - Não vai tão mal. O Brasil tem potencial fenomenal de crescimento. Empresas, como a Embraer, evoluem a um bom patamar de competitividade.

DC - Quais características são necessárias para que as pessoas se tornem empreendedoras?

Chowdhury - Não são apenas características pessoais, mas do ambiente em que o empreendedor se encontra. Muito mais atitude do que habilidade. Tomar uma atitude correta, em muitos casos é mais vantajoso. A política do governo e financeira têm de ajudar. A quantidade de taxas que o país cobra, acesso ao crédito, burocracia influenciam. No Canadá, pode-se abrir um negócio em 24 horas, mas no Brasil o prazo é maior. Não adianta somente abrir a empresa, é necessário oferecer empregos e gerar riquezas. E é preciso questionar se as universidades brasileiras estão capacitando gente hábil para tornar o empreendedorismo sustentável.

DC - O que é preciso levar em consideração no momento de abrir um negócio?

Chowdhury - O ambiente legal, arranjo financeiro, gerenciamento. Antes de começar o negócio, é preciso ter estas três coisas em mente.

DC - O empreendedorismo deveria ser incluído nas escolas como disciplina?

Chowdhury - Da escola básica até o doutorado. Essa visão faria com que o conhecimento tivesse mais utilidade.

DC - Que mecanismos ou políticas públicas poderiam favorecer o empreendedorismo?

Chowdhury - Política integrada. Não adianta o estado tentar se desenvolver sozinho porque vai esbarrar nas taxas e impostos do governo central.

DC - Qual é a diferença entre empreendedorismo e auto-emprego?

Chowdhury - A maioria é empreendedor. A diferença está na criatividade e quantidade de empregos e riqueza. As características básicas do empreendedor são ter idéias práticas, observar o nicho de mercado e estar disposto a correr risco.

DC - No Brasil, muitas empresas fecham as portas logo dois anos depois de começarem a funcionar. Como evitar?

Chowdhury - O problema não ocorre só no Brasil e sim no mundo, onde 60% das empresas fecham dois anos depois de abrirem as portas. É um fenômeno global. O que define este problema é o fato de o empreendedor não encontrar o nicho.

DC - É possível ser empreendedor sendo empregado?

Chowdhury - Sim, o empregado pode desenvolver alguma maneira de vender mais, de reduzir custos no processo produtivo. Quem consegue implantar o espírito empreendedor na empresa, destaca-se e será o futuro líder da organização.

DC - Como associação e instituições que congregam empreendedores e empresários devem atuar?

Chowdhury - De várias maneiras, não tem limites. O jeito que são conectados um com o outro é um excelente começo. Aprendem mais um com o outro do que de qualquer outra maneira. Como seres humanos, trabalhamos muito melhor em comunidade do que atuamos sozinhos. Esta é a idéia da associação para ajudar a desenvolver os empreendedores. Por isso é importante os empreendedores estarem ligados a uma associação para se manterem em contato e atualizados com o que está ocorrendo à sua volta.

DC - Qual o grau de importância da tecnologia para o empreendedorismo num país que não acompanha as mudanças tão rapidamente?

Chowdhury - Um pode usar a tecnologia para promover e outro para desenvolver, melhorar a sua empresa. A tecnologia não é uma ferramenta para negócio, é um caminho para ajudar no desenvolvimento do negócio.

DC - Quais os países em que o conceito de empreendedorismo funciona melhor?

Chowdhury - Não tem como dizer que um país é melhor do que o outro. Tudo vai depender de como as políticas internas e a ligação com outros países funcionam. Na Índia ou na China, por exemplo, o investimento funciona na indústria de manufatura. A indústria de conhecimento na Índia é bastante grande, com mão-de-obra de boa qualidade para desenvolver projetos. Tudo vai depender do potencial e da habilidade de cada país em conduzir esse empreendedorismo.

DC - A World Trade University iria abrir uma unidade da Universidade de São Paulo. Como está o projeto?

Chowdhury - A universidade será lançada no congresso deste ano. Vamos funcionar em parceria com uma universidade brasileira, não teremos estrutura física aqui. Vamos atender toda a América do Sul e priorizar o ensino relacionado ao comércio e à administração de empresa. Cursos em finanças, seguro, administração financeira, de risco, de energia, transporte, agricultura e comércio exterior. Serão programas focados às habilidades do Brasil e de seus vizinhos. A economia da América Latina acompanha a do Brasil. Considero que o Estado de SC também deve ter oportunidade dentro da universidade.

DC - Quando começam as aulas e como serão?

Chowdhury - Imediatamente. Queremos que comece a funcionar na mesma semana do lançamento. O foco da universidade é para profissionais que tenham de três a cinco anos de experiência no mercado e as aulas serão presenciais. O Brasil foi escolhido para a sede da universidade pelo grande potencial econômico que tem. O programa vai de setembro a outubro e tem metade das aulas no Brasil e outra no Canadá.

DC - E como será o ingresso?

Chowdhury - É uma surpresa. Vamos revelar no congresso (em março, em SP). É uma oportunidade única numa instituição única. Não é prioridade ter o curso universitário. Há profissionais com 20anos, 30 anos de mercado que não têm curso superior, mas vão poder entrar porque um dos critérios é tempo de trabalho. Oportunidade única, de fazer pós-graduação apenas com a experiência adquirida. A idéia é ensinar hoje e que se possa por em prática no outro dia. O corpo docente será formado por 70% de professores de outros continentes e 30% de instrutores da América do Sul. Sessenta por cento dos profissionais que vão dar aulas são peritos, empresários, que conhecem o negócio, que vêm de diversos setores, da iniciativa privada, de governos. Dura de 12 a 14 meses e será ministrado em inglês. Quem souber o inglês faz em 12 meses, quem não souber faz intensivo de dois meses de inglês e entra no programa.

DC - O que contribuiria para reduzir as desigualdades?

Chowdhury - Num país como o Brasil, os cidadãos têm voz. O povo consegue influenciar o governo e dizer exatamente o que quer. Os governantes têm de manter os olhos abertos e levar isso a sério. Não pode se basear simplesmente no empreendedorismo de necessidade, mas alimentar o empreendedorismo por oportunidade. A coisa só vai funcionar quando setor público e privado se unirem e formarem parceria. Se compararmos o desenvolvimento econômico com um pêndulo, o que movimenta isso é o empreendedorismo. Num ambiente de competitividade, o futuro pertence àquele que souber assumir os riscos.

( claudia.marcelo@diario.com.br ) conhecem o negócio, que vêm de diversos setores, da iniciativa privada, de governos. Dura de 12 a 14 meses e será ministrado em inglês. Quem souber o inglês faz em 12 meses, quem não souber faz intensivo de dois meses de inglês e entra no programa.

DC - O que contribuiria para reduzir as desigualdades?

Chowdhury - Num país como o Brasil, os cidadãos têm voz. O povo consegue influenciar o governo e dizer exatamente o que quer. Os governantes têm de manter os olhos abertos e levar isso a sério. Não pode se basear simplesmente no empreendedorismo de necessidade, mas alimentar o empreendedorismo por oportunidade. A coisa só vai funcionar quando setor público e privado se unirem e formarem parceria. Se compararmos o desenvolvimento econômico com um pêndulo, o que movimenta isso é o empreendedorismo. Num ambiente de competitividade, o futuro pertence àquele que souber assumir os riscos.


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