SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 22/03/2006
Autor: Valor Online
Fonte: Valor On-line

Quando o chefe manda enforcar a sexta-feira

Empresas adotam o horário flexível de trabalho para aliviar a rotina dos funcionários

Acordar cedo, arrumar-se, parar muitas vezes na escola para deixar os filhos e seguir para o trabalho ciente de que será preciso muita calma para enfrentar o trânsito pesado no trajeto. Essa rotina diária capaz de arrasar o bom humor pelo resto do dia deixou de ser um fardo para colaboradores de algumas empresas do Brasil. Isso porque elas vêm instituindo o horário flexível de trabalho e, por conta disso, estão conseguindo transformar esse período caótico do dia dos funcionários em um momento agradável para o lazer, convívio familiar ou estudo.

"Não consigo mais pensar em deixar de fazer as minhas caminhadas no parque do Ibirapuera às sextas-feiras à tarde", conta animada Adriana Nachif, gerente de produção do Zambon Laboratórios Farmacêuticos, que coordena uma equipe de 17 pessoas e estimula todas elas a também praticarem algum esporte nesse que foi o dia escolhido pela empresa para dispensar os funcionários mais cedo.

Em outubro do ano passado, o laboratório de origem italiana instituiu a saída do trabalho às 15h em todas as sextas-feiras do ano para os funcionários da área administrativa, manutenção e fábrica, dentro de um amplo pacote de reestruturação da companhia e também do RH. Apenas o pessoal da força de vendas não participa porque o próprio ritmo de trabalho é diferenciado.

Marta Misina, gestora da área, diz que a repercussão positiva foi imediata. "Compensamos duas horas do expediente de segunda a quinta, mas é muito visível como nossos colaboradores cumprem esse horário satisfeitos, porque sabem que às sextas -feiras poderão se dedicar a coisas antes inimagináveis ou que deveriam estar concentradas no fim de semana. É um benefício já consolidado e não há mais volta", avalia.

Na visão do diretor de recursos humanos da HP Brasil Jair Pianucci, flexibilizar horário de trabalho é como romper fronteiras e dividir com os colaboradores a responsabilidade de administrar suas próprias agendas e colher certamente os bons frutos trazidos por essa iniciativa, uma vez que se torna latente a percepção da preocupação da empresa em dar espaço para o funcionário aliar trabalho, família, lazer e estudo.

O modelo adotado pela empresa prova isso. É claro que ainda há uma parcela dos 1.400 funcionários diretos que ainda têm o modelo clássico de trabalho com cadeira e mesa dentro do escritório. Mas a HP não apenas estimula, como banca o custo da instalação da banda larga para o funcionário poder trabalhar de casa. "Um terço de nossos funcionários não tem mesa nem cadeira e não é a área de RH quem vai controlar sua agenda. É o próprio colaborador. Mas isso também é possível por conta do tipo de negócio que praticamos", afirma Pianucci. Embora não revele detalhes da última pesquisa de clima organizacional realizada, o diretor afirma que esse ponto é um dos motivos de elogio à empresa por parte dos funcionários.

No banco JP Morgan, a política de adequar horário é global e estimulada pelos gestores em todos os países onde a instituição financeira, com sede em Nova Iorque, mantém operação, só que de uma forma diferente da maioria das outras empresas. Segundo Rodrigo Aranha, diretor de recursos humanos, a flexibilização pode se dar de maneira informal, quando um funcionário por qualquer motivo, de ordem pessoal, familiar, estudo ou lazer, solicita um horário diferente em determinado momento diretamente com seu gestor. "Não queremos arriscar perder talentos para a concorrência por falta de adequação no horário de trabalho", dispara Aranha.

A formalidade do esquema de horários acontece já na contratação do colaborador e fica registrada no contrato de trabalho. "Não é porque temos um sistema informal que as pessoas não podem sair mais cedo ou chegar mais tarde. Pelo contrário, estimulamos isso sempre, esse diálogo entre gestor e equipe para criar a motivação", completa Aranha. Só ficam de fora dessa flexibilização de jornada os colaboradores do JP Morgan cuja função depende de informações e movimentações do mercado externo por razões óbvias.

O McDonalds do Brasil também importou da matriz, em Chicago, Estados Unidos, o que batizou de "short Friday" durante o verão, quando apenas as pessoas que trabalham no escritório central, em Alphaville (SP), saem às 14h30 ao invés de 16h30. Aqui no Brasil essa McSexta-feira mais curta tem início com a estação e termina logo após o Carnaval, sem compensação de horário no restante da semana, segundo Sheila Leme, gerente de recursos humanos da rede de fast-food.

Desde 2001, a Schering do Brasil implantou para a área administrativa uma faixa de horário elástica para a chegada ao trabalho, que vai das 7h15 às 8h30. Não é preciso fixar nada previamente. O horário pode variar todos os dias, desde que se complete a jornada diária de oito horas de trabalho, determinando a saída para a faixa das 16h15 às 17h30.

"Não é preciso sequer justificar o motivo para nossos gestores, confiamos na responsabilidade de cada um de nossos funcionários", diz categoricamente Lucia Figueiredo, gerente da administração do RH da empresa farmacêutica. Até Theo van der Loo, presidente da companhia, quando raramente pode, usufrui do horário flexível, mas ressalta que o mais gratificante é perceber como o colaborador responde positivamente para a empresa ao ter essa responsabilidade compartilhada de gerir a própria agenda. "Isso tem gerado apenas melhorias aqui dentro", avalia.

Cintia Pereira, gerente de novos produtos do Aché Laboratórios também enfatiza a questão da co-responsabilidade. Para ela, usufruir da flexibilização do horário traz autonomia ao mesmo tempo em que gera uma responsabilidade maior porque é preciso o colaborador mostrar ser capaz de aproveitar essa ótima oportunidade de casar os compromissos pessoais com os profissionais, sem comprometer o trabalho e alcançar metas e resultados definidos previamente pela empresa. "Amadurecemos a idéia e passamos a olhar a agenda do outro também".

Na unidade de Guarulhos (SP) do Aché, os cerca de mil funcionários, tanto da fábrica como da administração, são dispensados todas as sextas-feiras ao meio-dia e quinze, em plena hora de almoço, mas com o refeitório funcionando a todo o vapor, com lanche especial e muitas frutas para quem já quiser deixar a empresa alimentado. Pablo Alzogaray, diretor de RH, conta que a flexibilização é um dos dez maiores itens presentes na pesquisa de satisfação interna, ao lado do orgulho de trabalhar no Aché, do plano de remuneração variável, entre outros.

A idéia, justifica o executivo, é mostrar a nossos colaboradores que a cultura da empresa visa o bem-estar deles e a liberação no meio-período do dia em que precede o fim de semana é muito importante. "Faz parte do nosso programa de qualidade de vida oferecer a possibilidade de maior contato com a família e lazer, por exemplo", diz. Apesar de a empresa estar passando por processo de integração após a compra do laboratório Biosintética e sua agenda estar apertada, Alzogaray aproveita as sextas que pode sair mais cedo para tentar reduzir a pilha de livros novos que repousa sobre a estante de sua casa, ouvir aqueles CDs de que tanto gosta e brincar com Laika, sua cachorra. Estender a flexibilização de horário para o Biosintética é questão de pouco tempo. "Qualidade de vida é um assunto levado muito a sério aqui dentro."


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