SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 04/04/2006
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

Planejamento é essencial para empreendedores que desejam expandir suas empresas

Planejamento é essencial para empreendedores que desejam expandir suas empresas

Depois de investir todo o dinheiro em um empreendimento, trabalhar para o negócio crescer e, finalmente, conseguir o retorno do investimento chega a hora de o empreendedor dar o passo seguinte, expandindo a operação. Apesar de inevitável, a expansão deve ser feita de forma planejada. Qualquer modificação deve ser feita com cuidado, para não perder o que já foi conquistado, afirmam empresários e consultores.

Para quem busca apoio para crescer, entidades como o Sebrae e o Senac oferecem programas que auxiliam os empreendedores. No Senac São Paulo, o coordenador do núcleo de Empreendedorismo, Juliano Seabra, recomenda planejamento. "Alguns negócios dão certo muito rápido, e os empreendedores se empolgam e não obtém o resultado adequado. O plano de negócios deve ser revisado constantemente. Não é da cultura do brasileiro fazer plano de negócios, uma ferramenta simples, mas fundamental. Outro ponto importante é ver tendências do mercado, concorrência e analisar novos nichos", recomenda Seabra.

O coordenador do programa Empretec, do Sebrae/RJ, Francisco Marins, acredita que o risco de crescer é maior do que abrir um novo negócio. "Se provoca um aumento de demanda, mas não atende, a empresa pode quebrar. O empreendedor precisa se preparar internamente para crescer, dar seqüência ao trabalho. O risco depende da ousadia do empreendedor, que pode até recuperar seu investimento em menor tempo", analisa Marins.

Elvira Toledo começou há 20 anos fazendo bombons em casa. Com o aumento das encomendas, feitas por empresas e hotéis, a empreendedora buscou ajuda para se capacitar. "Primeiro procuramos um técnico que nos orientasse na melhoria do sabor do chocolate. Também procuramos viajar e estudar a produção de chocolates belgas e franceses. Desde o princípio, nossa preocupação é ter qualidade e criatividade para competir com grandes marcas", explica a empresária, proprietária da Chez Bonbon.

A primeira loja só veio com 10 anos de estrada, dentro do hotel Caesar Park em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. "Com o Sebrae, conseguimos uma linha de crédito para capital de giro, compra de máquinas, abertura das lojas e expansão da fábrica", conta Elvira.

Com quatro lojas em funcionamento no Rio, a Chez Bonbon precisou reinvestir em equipamento há quatro anos, quando um incêndio destruiu a fábrica em Bonsucesso. Elvira acredita que conseguiu se recuperar porque sempre buscou estar bem informada sobre seu produto.

"É preciso ter atenção a todas as partes do processo, criação de produtos e atendimento ao cliente. Hoje, nosso foco está no atendimento a empresas, para as quais produzimos doces personalizados. Conhecer bem o produto e ter sabedoria para tomar decisões são pontos importantes", explica a empreendedora.

Outra empresáriaque começou a operar em sua própria casa foi Kátia de Souza, que em 1994 começou sua produtora de eventos, a KSR Eventos. No ano seguinte, lembra Kátia, já foi possível alugar um sobrado em São Paulo e comprar equipamentos, seu segundo investimento. Na época, seu maior público ainda era de festas particulares.

"A cada dois anos, procurava mudar nosso espaço físico, pelo crescimento. Em 98, já estávamos em um sobrado com salão para eventos. Em 2001 foi a vez de mudar para um galpão e em 2005, nos instalamos em um galpão com 3.700 metros quadrados. O local, que já abrigou uma indústria farmacêutica, tem espaço de sobra para suportar o crescimento da empresa", explica a empreendedora.

Manter as contas em dia, treinar os funcionários e investir em marketing são as principais metas de Kátia para realizar um crescimento bem sucedido. Surpreender o cliente é o principal desafio. "Deixamos de aceitar trabalhos quando notamos que não poderemos atender a demanda. Mesmo quando ainda éramos pequenos, mandava os funcionários de uniforme para os eventos e cobrávamos com boleto bancário. Oferecíamos preço de pequeno com serviço de empresa grande", lembra.

saúde financeira da empresa requer atenção
A saúde financeira do empreendimento é outro ponto valorizado pelos empreendedores. Seabra, do núcleo de Empreendedorismo do Senac São Paulo, lembra que medir os recursos é importante e o empréstimo pode ser uma opção. "Muitos empreendedores confundem seus recursos pessoais com os da empresa. Empréstimo é um dinheiro caro, mas em um projeto bem estruturado pode ajudar. Os pequenos empresários até têm planos bem feitos, mas deixam de contar com as possibilidades de fracasso. O plano ideal deve prever tudo", esclarece.

Kátia concorda. Adotar a tática de comprar aos poucos é a sugestão da empreendedora. "Além disso, trabalhamos com reserva de três meses de nossos custos fixos, evitando surpresas desagradáveis. A dica é pensar o que as grandes fazem e como é possível fazer também, mesmo sendo pequena", analisa.

A gestão de pessoas, tão valorizada por grandes empresas, também é um ponto crucial para a KSR Eventos. Segundo Kátia, o verdadeiro talento da empresa está nos funcionários. "Para garantir a qualidade, usamos poucos freelancers. A filosofia da empresa não pode ser perdida, e normalmente, os funcionários novos levam um ano para incorporá-la. Reiki, sala de descanso e até coaching são usados para valorizar quem trabalha aqui", diz.


Treinamento da equipe é essencial para expansão
Franqueado do Rei do Mate no Rio de Janeiro, Rômulo Almeida concilia a gestão da franquia com a expansão de outros negócios próprios na área de alimentação. Seu segundo passo foi a criação dos restaurantes a quilo Maneco com Jaleco, em quatro praças de alimentação de shoppings do Rio. Seu novo empreendimento é a rede de restaurantes Rio Itália, já em operação no São Gonçalo Shopping, Norte Shopping, Madureira Shopping e com uma nova unidade por abrir em maio, no Ilha Plaza.

"Não é fácil crescer. Este movimento faz com que o empreendedor saia de sua zona de conforto. Minha primeira preocupação é sempre com o operador, que deve ser bem treinado. Vejo que há dificuldade em crescer por causa do material humano. Minha primeira tentativa de expansão teve o auxílio de uma consultoria, mas não deu certo. Então tentei sozinho e funcionou", avalia o empreendedor, que, no momento, não pretende franquear seus negócios.

Aos empreendedores que desejam crescer com apoio, o Sebrae/RJ possui o Empretec, programa que avalia a competência empreendedora do empresário e o salto que ele pode dar. Das empresas que participaram deste seminário, lembra Marins, somente 7% fecharam. "Não adianta ficar no seu mercado, é preciso abrir novos nichos, participando de feiras e eventos sobre exportação. Também é importante acompanhar os desejos do cliente e estar atento à concorrência. Assim como o Sebrae orienta àqueles que estão começando, orientamos aqueles empreendedores já mais desenvolvidos", completa Marins.


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