SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 08/05/2006
Autor: Simone Garrafiel
Fonte: Jornal do Commércio

Amigos, amigos; empresa à parte

Abrir companhia em sociedade exige bom planejamento e avaliação de perfil dos sócios

Ao abrir um empreendimento, é comum que as pessoas se perguntem se é melhor fazê-lo sozinho ou ter um sócio. Montar uma empresa e levá-la a ter bons resultados é um desafio que exige, primeiramente, bom planejamento de negócios, no qual precisa constar o perfil dos profissionais que estarão à frente da empresa, segundo afirma o consultor da área de estratégia, Edson Gil. "A sociedade é ótima alternativa, mas é preciso ter cuidado na hora de escolher o parceiro. Os sócios devem ter características complementares, reunindo competência e bom relacionamento", acrescenta.

De acordo com Gil, uma sociedade de sucesso se constitui com sócios que tenham desejos e idéias em comum. Ele diz que é preciso se evitar o chamado cabo de guerra, onde há brigas pela tomada de frente do negócio. "O destaque precisa ser igual para todos. Todos devem ter grau de importância na sociedade, para se evitar os ciúmes", ressalta. Além disso, o diálogo deve ser constante no encaminhamento das ações, diz o consultor, que é também um dos sócios do Instituto Brasileiro de Psicanálise e Filosofia (IBPF). "O segredo do sucesso de uma sociedade é o diálogo. No IBPF, somos três sócios e sempre que há problemas ou discordância de idéias conversamos para chegar a um denominador comum", explica.

Pub pretende expandir para outros locais

Um exemplo de empresa que deu certo devido à boa constituição da sociedade é o The Irish Pub, em Ipanema, Rio de Janeiro. Inaugurado em 2002, o pub já tem expansão planejada para outra cidade pelos seus sócios, Armando Mattoso Millem e Padraig Flavin. "Sempre quis me envolver nesse ramo de atividade. Freqüentava muito um pub em Copacabana e acabei conhecendo o dono, o Flavin, que virou meu amigo. Quando ele quis investir em outro pub, convidou-me para ser seu sócio e aceitei. Determinadas coisas na vida você precisa fazer para ver se dará certo, e numa sociedade você precisa arriscar. A prática mostrou que nossa parceria deu certo. Há um terceiro sócio, que atua apenas como investidor e mora nos Estados Unidos", destaca Millem. Leandro Costa, professor da Faculdade Moraes Junior/Mackenzie, alerta que, ao constituir uma sociedade, é preciso que seja feita uma pesquisa de idoneidade dos sócios, tanto no âmbito criminal como no financeiro. Além disso, o contrato social deve ser bem claro no que diz respeito às obrigações, penalidades, cotas de participação e aos dividendos. "Antes de fechar qualquer tipo de sociedade, é imprescindível que seja feito o plano de negócios, com estudo perfeito da viabilidade da empresa e análise de custos. Aos sócios cabe gerar igualdade no trato das questões e buscar a transparência, principalmente no que diz respeito às finanças", explica Costa, acrescentando que empresas familiares devem redobrar os cuidados, pois é comum que haja perda do foco do negócio e a mistura dos gastos pessoais e empresariais. Quando o assunto é sociedade em empresas franqueadas, há regras que devem ser obedecidas para que o negócio se viabilize. De acordo com a advogada especializada em redes de negócios e franquias Melitha Novoa Prado, da Novoa Prado Consultoria Jurídica, a composição societária da empresa franqueada vai depender do estudo econômico de viabilidade da franquia. "Se o capital necessário for pequeno, não há a necessidade de haver sócios, podendo o franqueado se utilizar do cônjuge ou parente mais próximo para compor a sociedade. Quando a quantia exigida é alta, é natural que dois ou mais investidores se unam para abrir a franquia", diz ela.


Franquias constituídas em sociedade limitada

Boa parte das empresas franqueadas é constituída na forma de sociedade limitada, devendo haver no mínimo duas pessoas físicas na sua composição. Assim, o contrato social de empresa é igual ao de qualquer outra empresa de varejo, segundo explica Melitha. "O contrato de franquia, por possuir uma natureza jurídica de contrato híbrido, consensual, atípico e personalíssimo, deve determinar a qualificação completa dos sócios franqueados operadores da franquia e constar os investidores como sócios", ressalta a advogada.

Sobre a participação dos sócios nas operações da franquia, Melitha diz que não existe situação ideal. "Uma franquia com investimento médio que tenha uma rentabilidade razoável não comporta um número grande de operadores, com direito a pró-labore e ainda querendo dividir o lucro. Quando a situação comporta mais de um operador, podem existir dois tranqüilamente, e até outros investidores, que querem o retorno do seu investimento, dentro daquilo que projetaram como rendimento", afirma Melitha. O empresário José Hassid investiu em uma franquia da Café Hum, juntamente com dois sócios, Gilvan Gomes e Laura Pecsen. "Nós três estamos à frente do negócio, há dois anos e meio, sempre revezando no gerenciamento. Cada um coopera da sua forma. Antes de fechar a parceria, vimos o perfil e o potencial de cada um. Nosso gerenciamento é claro e as contas são bem apresentadas. Respeitamos a atuação de cada um e negociamos as idéias", diz ele, alertando que todo pequeno investidor precisa estar atento a essas questões, caso contrário acaba entrando no rol das empresas que entram em falência. Na opinião de Francisco Reis, sócio-diretor da Dia-a-Dia, empresa especializada em produtos para diabéticos, duas cabeças pensam mais do que uma. Ele começou a operar sozinho a loja, em 1985, mas chamou o irmão, José Reis, quando viu que havia necessidade de um complemento de atividades. "Um completa o outro na divisão de tarefas e todas são desenvolvidas com competência. Mesmo sendo uma empresa familiar, temos o contrato social como se fosse uma sociedade qualquer. Esquecemos que somos irmãos s e tudo é documentado. Não tem como dar seqüência a uma empresa só na base da confiança", afirma Reis.


Cuidados ao compor a sociedade na empresa franqueada

Existe uma maneira perigosa de se expandir negócios: algumas marcas captam investidores no mercado e formam um grupo para abrir uma unidade franqueada, sem que essas pessoas se conheçam. Em geral, é esperado que um dos sócios administre a franquia. "Não acredito que esse modelo proporcione os resultados positivos desejados, nem para o franqueador nem para os franqueados", alerta Melitha Novoa Prado, da Novoa Prado Consultoria Jurídica.

Ter vários sócios para uma franquia que dá sobrevivência a apenas um deles é uma verdadeira barca furada, segundo afirma a advogada. "É questão de fazer conta. Aquele franqueador que consegue enxergar alguma vantagem nesse tipo de formato de negócio está equivocado. Franquia é relacionamento e relacionamento depende de pessoas. Qualquer relacionamento só dura com satisfação recíproca. Dessa forma, entendemos que apenas a presença de investidores não proporciona a qualidade necessária para sobrevivência daquela franquia. "Barriga no balcão" continua sendo o diferencial. A franquia é notoriamente uma forma de se ter um negócio próprio com menores riscos. Para tanto, é necessária a existência de pessoas físicas que estejam participando do dia-a-dia da franquia, que tragam idéias ao franqueador e exponham, com zelo, qualidade e dedicação à marca ou serviço do franqueador", diz.

A advogada aponta alguns problemas gerados por essa situação: "Como os investidores são a maioria do capital social, eles podem mudar o sócio-operador quando assim decidirem, esvaziando o trabalho desenvolvido pelo franqueador quanto à capacitação, treinamento e relacionamento com aquele operador. A franquia cresce com o amadurecimento do franqueado. Havendo interrupções a todo momento do ciclo evolutivo, perde-se todo o trabalho desenvolvido. Essa é a grande perda desse formato de franquia".


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