SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 08/05/2006
Autor: Mary Cristina de Freitas
Fonte: A Notícia

O boom do comércio exterior

Santa Catarina é palco de uma série de investimentos pesados para melhoria e ampliação da infra-estrutura logística. Ampliação do porto de São Francisco do Sul e Itajaí, construção dos portos de Navegantes e Itapoá e revitalização de Imbituba são obras que trazem a reboque um questionamento importante: não bastam investimentos em infra-estrutura, é preciso garantir mão-de-obra especializada para suprir o boom em comércio exterior que terá início a partir de 2007, 2008, quando os novos projetos finalmente começarão a sair do papel e alguns já estarão concluídos. Entre investimentos projetados e concretizados, os valores aproximados são de R$ 3 bilhões. Porém, pouco se tem falado em investir nos especialistas que farão as operações de comércio exterior.

2004 e o apagão logístico ainda estão próximos de nós e por isso não podemos esquecer de quão importante é ter portos eficientes e condizentes com nossa condição ­ ou nosso desejo ­ de nos tornarmos uma importante peça no comércio global. Pois bem, a alusão é perfeitamente factível: um carro de fórmula 1 terá pouco valor nas mãos de um pacato motorista urbano. Suas competências ­ seus predicados ­ só terão valor nas mãos de um piloto experiente ou de alguém que, ao menos, conheça os detalhes do carro. Esses "pilotos" são essenciais também no mundo do comércio exterior.

Meses atrás um executivo de uma das maiores empresas de comércio exterior reclamava, por meio da mídia, as dificuldades em conseguir pessoal capacitado para operar em sua holding. Dizia que era preciso formar seu próprio capital humano. Para isso investia em cursos in company. Seria a solução ideal, não fossem detalhes importantes: cursos deste tipo, são para grandes corporações e estão muito distantes dos recursos da maior parte das empresas de comércio exterior que operam em Santa Catarina. Outro problema é que ainda formamos profissionais extremamente focados em comércio exterior de commodities, enquanto a tendência do mercado, é exportação com valor agregado e operações de importação.
Também é essencial que os órgãos públicos participem deste debate, invistam na qualificação de seus servidores e, revisem seus métodos e normas aplicados ao comércio internacional. É preciso agir de maneira pró-ativa e prática, desburocratizando o processo e dotando os órgãos reguladores de número suficiente de profissionais, para atenderem ao crescimento da demanda por operações de comércio exterior em Santa Catarina. Além disso, o setor público deve entender que as operações precisam ser realizadas com agilidade, para conseguirmos reduzir custos e prazos, melhorando a imagem do País frente aos clientes internacionais. Consequentemente, esta medida por si só retiraria das costas das empresas, elevados custos de armazenagem e transporte. Este capital poderia ser aplicado na produção e reverteria para o crescimento da economia, em um ciclo virtuoso.

Por isso é preciso fomentar o debate sobre a formação e a qualificação dos profissionais que atuarão direta e indiretamente nesses novos empreendimentos, sejam de órgãos públicos ou empresas privadas. A sociedade catarinense precisa discutir seriamente que profissionais está lançando ao mercado, quais suas competências e compará-las a realidade do novo mercado. Portanto, este é o momento de realizar um planejamento estratégico do capital humano de longo prazo, para não sermos pegos de surpresa devido ao grande volume de operações de comércio exterior (importações e exportações).

Mary Cristina de Freitas é assessora jurídica da Freitas / Assessoria de Comércio Exterior.


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