SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 11/05/2006
Autor: Fernão Silveira
Fonte: Diário, Comércio & Indústria

Você é fluente em 'negociês'?

O idioma do business é recheado de estrangeirismos e expressões

O mundo dos negócios, no Brasil, já desenvolveu uma linguagem própria e particular. Quase um dialeto. E, para arrepio dos puritanos da 'Última flor do Lácio, inculta e bela', o idioma do business (opa!) é recheado de estrangeirismos e expressões copiadas de forma literal do inglês.

Não que eu seja um daqueles radicais do português castiço, que querem chamar o mouse de 'rato' e os web sites de 'sítios da teia'. Mas há exageros, sim. Talvez por ser o português um idioma tão rico e, ao mesmo tempo, tão maleável e mutante. Isso sem entrar naquela discussão infinita sobre imperialismo, provincianismo, dominação cultural estrangeira (notadamente por parte dos Estados Unidos), supervalorização de tudo o que vem de fora, etc. Por exemplo: quase ninguém mais faz negócios. Faz business. As reuniões já não têm mais este nome. Chamam-se meetings. De uns tempos para cá, orçamento é coisa de padaria, mercearia e papelaria de bairro - nada contra estes três importantes tipos de estabelecimento comercial, registre-se aqui. Empresa que se preze, agora, só trabalha em cima de budget.

Os cargos de executivos provavelmente respondem pela maior influência do tal idioma dos negócios. Os gerentes e diretores - pobres coitados! - quase não existem mais. Em sua maioria, viraram managers. Quanto mais alto o cargo, maior a ----- do nome estrangeiro. Do nome, não. Da sigla. CEO (chief executive officer), CFO (chief financial officer), CAO (chief analytics officer), CIO (chief information officer), CNO (chief networking officer), CDO (chief data officer), COO (chief operating officer) e CTO (chief technical officer) são alguns dos títulos mais almejados pelos profissionais - brasileiros ou não - de hoje em dia. E ai de quem não contar com um MBA (master of business administration) no currículo.

Management, aliás, é uma palavra-chave nesse universo dos negócios (ou do business, se você preferir). Faz-se management de quase tudo: de carreira, de equipe, de problemas, de verbas. E quem não faz management está perdendo tempo. Afinal, no mundo dos negócios, quem não se planeja nos mínimos detalhes e não estabelece metas (goals) fica para trás e é engolido pelos concorrentes - os tais players do mercado.

Isso sem falar na importância do networking para se atingir o sucesso. Mentoring e coaching são importantes ferramentas para que o executivo alcance um upgrade na carreira e, talvez, consiga resultados positivos em seu esforço para o outplacement. Já para uma empresa, o outsourcing é uma excelente opção para gerenciar recursos e diminuir custos com a equipe de profissionais.

Informática

O universo da informática, parceiro indissociável dos negócios já há muito tempo, é outra fonte inesgotável de estrangeirismos e expressões de difícil compreensão para uma parcela considerável de pessoas. Desde palavras inocentes, como print (alguém já ouviu a frase 'tirar um print de tal relatório') e software, até expressões que só o pessoal de IT (information technology) consegue entender, e geralmente não consegue explicar aos colegas de outras áreas da empresa. A invasão estrangeira no português é um movimento inevitável e irreversível, ainda mais em tempos de Internet e comunicação global em tempo real e praticamente ilimitada. Expressões como as supracitadas tornam-se cada vez mais correntes nas rodas de negócios, nos corredores das empresas, nos happy hours (eis mais um exemplo de estrangeirismo totalmente incorporado à linguagem cotidiana) e até nos nossos ambientes familiares.

Se olharmos para trás, podemos notar que a abertura do português aos estrangeirismos é uma tendência cíclica. Há um século, por exemplo, o grande sinal de status e 'modernidade' era dominar o francês, que por muito tempo foi a língua acadêmica oficial no mundo. Mas o passar dos anos, e a conseqüente 'nova ordem mundial', fez com que parássemos de chamar um homem de mais idade de monsieur e começássemos a tratá-lo como mister ou sir.

E já é possível, inclusive, prever qual será a próxima influência lingüística a moldar o uso corrente do português. Ou será que as escolas de mandarim estão pipocando por aí à toa?


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