SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 15/05/2006
Autor: Gazeta Mercantil
Fonte: MBC - Movimento Brasil Competitivo

Empresas se beneficiam da globalização

Problema são os efeitos colaterais, como transferência de empregos e tributos ao exterior. Depois de ultrapassar as fronteiras da América Latina, as empresas brasileiras estão fincando raízes em mercados competitivos como Estados Unidos e Europa, seja pelo real forte, pela folga de caixa para investimentos ou pela necessidade de sobrevivência. Para analistas, a movimentação - mesmo aquelas motivadas por razões não tão nobres, como a reação ao dólar desfavorável - tem de ser comemorada, porque o Brasil está, talvez pela primeira vez na história, tirando proveito da globalização.

O problema é que a empreitada também tem efeitos colaterais, como a transferência de empregos e tributos para outros países. A siderúrgica Gerdau fechou uma série de aquisições de concorrentes e produzirá mais aço no exterior do que no Brasil neste ano. Na semana passada, foi a vez de a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciar a compra do controle da portuguesa Lusosider por 25 milhões de euros. "Essa é quase uma opção natural das empresas e coincide com o amadurecimento do capitalismo brasileiro", diz o professor Tarcísio Souza Santos, coordenador de MBA da Faap. "São empresas que têm expertise no negócio e tudo para ganhar escala mundial", completa.

Nem sempre os investimentos no exterior são para conquistar novos mercados. Às vezes, visam garantir acesso à tecnologia. A Gradiente montou há dois anos escritório em Shezen, maior pólo eletrônico da China. A unidade é responsável pelo desenvolvimento de parcerias e prospecção de novas tecnologias. "Estar próximo à tecnologia e ter acesso a fornecedores e a uma logística eficiente são fatores imprescindíveis e têm motivado muitas empresas", diz o economista-chefe da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Alexander Xavier.

A capacitação financeira das empresas nacionais está favorecendo esse fenômeno. Segundo o diretor-geral do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Gomes de Almeida, o boom das exportações e a forte liquidez internacional podem explicar o ganho de fôlego do capital brasileiro nos últimos anos. "Agora, há capacidade de captar recursos, seja no mercado de capitais, caixa próprio ou porque o endividamento caiu muito nos últimos anos."

"Essas empresas que estão se internacionalizando já estavam habilitadas porque tinham conhecimento tecnológico e do negócio. Só faltava essa capacidade financeira", completa.

Empresas também têm ido ao exterior para terceirizar a linha de produção, como forma de baratear custos e aumentar a competitividade. Não há, necessariamente, conquista de novos mercados. A cearense Mallory, do segmento de eletrodomésticos e eletrônicos, tem cerca de 170 produtos em portfólio. Cerca de 55% são produzidos no exterior, sobretudo na China. "São produtos que não temos condições tecnológicas de produzir no Brasil. Muitos deles, as empresas que atuam no mercado brasileiro importam porque simplesmente ninguém os produz aqui", diz o diretor comercial da empresa, Wilson Branvilla.

"Esse é um caso de necessidade de competição. Para a indústria, o custo é fatal. E os baixíssimos custos de produção na China fazem com que esse fenômeno seja quase uma obrigação para muitos", afirma o professor Tarcísio Souza Santos.

Na lista de segmentos obrigados a competir em pé de igualdade com os chineses, estão o de eletroeletrônicos, calçados e móveis. É por isso, explica o professor, que empresas têm ido para a China para montar linhas ou terceirizar a produção. A Azaléia, do ramo calçadista, está produzindo na China. Tal estratégia tem sido duramente criticada no Brasil por, supostamente, desindustrializar o parque nacional.


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