SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/05/2006
Autor: Sebrae
Fonte: Sebrae

Capital Relacional e Desenvolvimento Territorial

"O Capital Relacional de determinado território é representado pelo conjunto de recursos presentes nas redes, resultantes dos laços, conexões e relacionamentos, de âmbito local e de âmbito externo"

A tentativa de compreender os fatores críticos do crescimento econômico e do desenvolvimento tem mobilizado, há varias décadas, especialistas e delineadores de políticas públicas. A importância imputada a um determinado fator de produção vem se alterando com o tempo. Nas sociedades tradicionais, o fator dominante era a terra. Com a revolução industrial o enfoque deslocou-se para a acumulação de capital, com a presença de fábricas, equipamentos e infra-estrutura. Na sociedade pós-industrial, a ênfase recaiu no progresso técnico. Mais recentemente, alguns analistas vêm salientando a importância de fatores culturais e institucionais.

Podemos ampliar tais reflexões para o tema dos ativos relacionais, que designamos Capital Relacional. O Capital Relacional de um determinado território é representado pelo conjunto de recursos presentes nas redes, resultantes dos laços, conexões e relacionamentos, de âmbito local e de âmbito externo, dos empreendedores e empresas aí localizados. Tais recursos garantem a seus detentores acesso a informações e a outros bens valiosos e geram oportunidades diferenciadas, condicionando a natureza dos empreendimentos que são capazes de implementar.

A transformação de uma região desarticulada ou economicamente deprimida em um território próspero depende não apenas da natureza de seus recursos produtivos e da qualidade da mão-de-obra, mas, também, em grande dose, do seu conjunto de laços e conexões. Esse estoque de capital relacional reflete a história da própria comunidade. Relações e interações passadas influenciam a natureza das relações futuras que, por sua vez, são afetadas por variáveis de natureza institucional, social e cultural. Durante o processo de desenvolvimento de uma região podemos observar como as redes interiores ou locais vão se adensando e como vão surgindo e se multiplicando as conexões externas, que vinculam o território com o "resto do mundo".

Uma ênfase demasiada em vínculos interiores, em detrimento dos exteriores, leva o território a uma situação de isolamento e contração. No outro extremo, uma valorização excessiva dos vínculos exteriores, sem um correspondente desenvolvimento dos vínculos interiores, leva à formação de enclaves territoriais, em que os benefícios do progresso podem ficar concentrados nas mãos de poucos privilegiados conectados com o "exterior", ao mesmo tempo em que se amplia a vulnerabilidade local, visto que processos decisórios relevantes podem se situar fora da esfera do próprio território.

Uma empresa competitiva mantém uma rica e diversificada rede de relacionamentos, dentro e fora de seu território de origem. Um território competitivo distingue-se pela presença de uma densa rede de laços locais e uma ampla rede de contatos e laços com outros centros mais dinâmicos.

O fator determinante para alterar a configuração das redes e ampliar o estoque de capital relacional existente em uma dada região é a ação empreendedora dotada de capacidade de inovação. Ela enseja novas combinações de produtos e mercados; construção e destruição de alianças; transformação das relações empresariais e institucionais, em interação com conexões sociais. No âmbito da dinâmica territorial, parte do capital relacional construído por uma empresa pode, eventualmente, ser apropriado ou aproveitado por seus membros, como ativos pessoais, na criação de novas empresas. Por esse motivo, muitos empresários de sucesso tiveram, um dia, no passado, algum tipo de conexão com uma empresa do mesmo setor de atividades, onde atuaram, inclusive, como empregados. Quando decidiram se tornar empresários levaram, para suas respectivas empresas, todo um estoque de conhecimento prévio acumulado sobre o processo produtivo e o mercado, destacando-se, aí, o acesso a clientes e fornecedores.

Podemos assim concluir que, no contexto de um dado território, o capital relacional existente, em interação com os demais recursos produtivos, influencia a evolução da própria região, à medida em que condiciona o que será ou não "apropriado" como recurso local e o que será "transacionado" com o "mundo exterior", dentro de um conjunto de possibilidades objetivas e concretas, teoricamente disponíveis. Tais constatações ampliam a compressão do fenômeno do desenvolvimento territorial - onde se destacam os arranjos produtivos locais -, com impacto significativo inclusive na concepção e implementação de projetos na área.


* Doutora em Administração, Mestre em Economia, Economista e Consultora do Sebrae Minas


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