SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 29/05/2006
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

Formar caixa, desafio inicial

Contabilizar gastos e sanear as finanças das empresas garantem tranqüilidade

Cuidado! É a principal dica de especialistas para pequenos e microempresários na hora de investir. Formar uma poupança pode ser vantajoso para gerar caixa suficiente para investimentos no negócio ou para fugir de elevadas taxas de juros, cobradas em financiamentos, por exemplo. Mas há etapas que devem ser cumpridas antes de o empresário resolver aplicar o dinheiro no mercado financeiro. É preciso planejar gastos e receitas, ter plano de expansão e modernização, investimentos nos acionistas e nos funcionários. Quitar todas as dívidas antes de investir também é essencial. Aplicar os recursos de uma pequena empresa pode ser investir no próprio crescimento. O mercado deve ser utilizado como auxiliar na formação de poupança. Não se trata de escoamento de sobra de lucros, mas de planejamento para sobreviver na concorrência.

- Se houver lucro, é preciso avaliar a situação econômica e financeira da empresa. Pode haver bens, linhas de produção, mas se não houver como pagar os funcionários no final do mês, não há como realizar um investimento. Pode haver lucro sem caixa. É preciso ter sobra financeira para aplicar - comenta Isnard Marshall Junior, professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio (FGV-RJ).

Fundos de renda fixa e DI, com baixo risco, os mais indicados

O ideal, para pequenos e microempresários, é ter aplicações de grande liquidez e de baixo risco. São indicados fundos de Renda Fixos ou fundos DI, que tenham liquidez imediata, ou, no máximo, em um dia (D+0 ou D+1). A negociação com a instituição bancária também é de extrema importância para realizar negócios mais vantajosos. No caso da compra de um Certificado de Depósito Bancário (CDB), por exemplo, é possível negociar com o gerente a porcentagem do CDI (rentabilidade) que será alcançada.

- Empresas tendem a ser mais conservadoras. Expõem-se menos a oscilações, porque sabem que vão precisar do dinheiro. Não podem correr o risco de comprometer o capital de giro -, diz Victor Zaremba, consultor de finanças independente.

É importante fazer previsão de fluxo de caixa detalhada e eficiente, para identificar quais são os períodos de disponibilidade de recursos, em que se pode realizar um investimento, sem comprometer a renda destinada a outros pagamentos, como por exemplo, de pessoal ou de produtos. Deve-se incluir todas as receitas e despesas.

O cuidado com o tempo de aplicação é essencial. Um planejamento para ter-se a noção mais precisa possível do prazo da aplicação é essencial. O tempo pode definir a aplicação mais adequada. Especialistas ressaltam que pequenas e microempresas não devem aplicar visando o longo prazo, diferentemente da pessoa física. A necessidade de movimentação financeira é muito maior, e os recursos não podem estar comprometidos, para caso de emergências.

O montante aplicado no mercado financeiro é extremamente importante para a manutenção e renovação da empresa. É preciso não comprometê-lo. Por isso, o mais indicado é optar por aplicações de curto prazo. Mas é preciso ter cuidado. Prazos curtos demais podem trazer prejuízos. "Se uma aplicação ficar apenas por cinco dias, por exemplo, é possível que haja prejuízo na retirada, já que vai incidir sobre o montante o IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários) e a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira), além do Imposto de Renda", diz o consultor Zaremba.

O IOF é proporcional ao tempo de investimento e tende a zero. Quanto mais dias o montante ficar aplicado, menor será o imposto. No 31º dia da aplicação, o imposto é zerado. A CPMF é fixa para qualquer movimentação financeira, isto é, a taxa de 0,38% é cobrada a cada saída de recursos da conta corrente. "Com os impostos, às vezes pode ser vantajoso deixar o dinheiro em caixa, sem rendimento, quando o prazo é muito curto, porque a rentabilidade será muito baixa e não cobrirá os custos da aplicação. Por isso é preciso planejamento. Para que não se corra o risco de ter que tirar o dinheiro na hora errada", explica Zaremba.

Aplicações são aconselháveis em empresas que tenham planejamento para os recursos. Ou seja, não basta juntar sem uma meta, sem uma definição do que se busca. O objetivo ajuda a alcançar a meta. Serve como incentivo. Além disso, é uma forma de evitar o pagamento de juros. "Não há aplicação que tenha rentabilidade tão alta quanto os juros cobrados em empréstimos ou prestações", diz Marshall.

Juntar recursos para a expansão da companhia

Na expansão da empresa, por exemplo, pode-se juntar 50% ou 75% do valor necessário para a compra de um novo ponto e para todos os investimentos necessários. O parcelamento do restante ficará consideravelmente mais barato.

Mas, antes de se pensar em juntar dinheiro, é preciso fugir dos juros. Toda e qualquer dívida deve ser liquidada. Não vale à pena buscar rentabilidade se houver uma dívida crescendo. Isso inclui também a compra de produtos e insumos à vista. Com planejamento, é possível saber quando será preciso fazer estoque. Uma aplicação financeira pode ser direcionada para uma compra específica, dadas a quantia e o prazo necessários.

Há investimentos que podem ser feitos no próprio negócio que podem garantir maior rentabilidade, isto é, ganhos maiores do que até mesmo o mercado financeiro. "Passar a oferecer a possibilidade de compras a prazo, por exemplo, pode aumentar a gama de clientes, o que gera maior caixa", diz o professor da FGV.

Marshall acrescenta que é preciso cuidar também dos acionistas e dos funcionários. "Nem toda sobra de caixa deve ser aplicada. É preciso equacionar todos os membros participantes do negócio. É saudável distribuir dividendos entre acionistas e investir na capacitação e desenvolvimento dos funcionários. Além disso, investir na aproximação com o cliente, como uma pesquisa de mercado, por exemplo, também pode ser lucrativo", comenta.

Antes de aplicar no mercado, é preciso vencer diferentes etapas. Deve haver equilíbrio na distribuição de lucros, dos resultados. Todos devem estar satisfeitos para o melhor funcionamento do negócio. "O mercado financeiro é importante poupança para ajudar na expansão. Ajuda a ter capital de giro para maior sustentabilidade e para beneficiar todas as partes envolvidas, sempre de olho nos riscos inerentes a cada mercado", aconselha o professor.

Poucas opções exclusivas para empresas

O mercado de capitais ainda oferece poucas opções de investimento exclusivas para pequenos e microempresários. A maior parte das opções atende pessoas físicas e jurídicas, simultaneamente, o que não é sinônimo de problemas para o investidor. De acordo com especialistas, as necessidades dos dois públicos são similares. E o mais importante na hora de escolher aplicar como empresa ou pessoa física é levar em conta os encargos fiscais que serão cobrados.

Rodrigo Ayub, analista do Bando do Brasil, lembra que a instituição oferece um amplo portfólio de fundos de investimentos, além de CDB´s (pré e pós-fixados) e caderneta de poupança. "Quase todas as opções são comuns às pessoas física e jurídica. Exceto quando se trata de grandes aplicadores. O objetivo e as necessidades são as mesmas", explica. No entanto, hoje será lançado o Ourocap Empresa, título de capitalização exclusivo para pequenas e micro empresas.

Entre os fundos de investimento, uma das opções mais acessíveis do Banco do Brasil é o BB Renda Fixa Longo Prazo 100. O investimento mínimo inicial é de R$ 100 e a taxa de administração de 5% ao ano. Há também opções similares com taxa de até 0,8% que, neste caso, exige aplicação de R$ 200 mil. Além disso, o aplicador poderá pagar a menor alíquota de imposto de renda se permanecer por mais de dois anos com recursos investidos. Entre os fundos de curto prazo, há opções com custo administrativo de 1% e aporte inicial de R$ 50 mil.

O Banco do Brasil oferece CDB´s a partir de R$ 500. São muitos os pequenos empresários que recorrem à aplicação, principalmente devido ao risco reduzido que em geral oferece. Para os empresários com passivos em moeda estrangeira, há fundos cambiais atrelados com investimento inicial de R$ 1 mil. Os atrelados ao dólar cobram taxa de administração de 1,5% ao ano, enquanto os que seguem a variação do euro, de 3% ao ano. Para os investidores de perfil arrojado, uma alternativa é a aplicação em um fundo de ações. O aporte inicial é de R$ 200.

Outras instituições também oferecem opções interessantes para o pequeno empresário. No site do Bradesco, há a lista completa dos produtos disponíveis. Um deles é o Bradesco FIC Referenciado DI Hiperfundo. Trata-se de um fundo de investimento atrelado ao CDI, com carteira de longo prazo e investimento mínimo inicial de R$ 100. A liquidez é diária, sem taxa de performance ou carência. O custo administrativo é de 4,5% ao ano. O Bradesco FIC Renda Fixa Vênus é mais uma opção. Exige aplicação de R$ 100 e tem taxa de administração de 3,5% ao ano.

Alta de juros nos estados unidos pode assustar aplicador

O cenário internacional deve ser olhado com atenção pelos investidores. A suscetibilidade atual do mercado financeiro encontra-se no desempenho da economia mundial. A prova desta constatação aconteceu este mês, quando a possibilidade de um salto na taxa de juros dos Estados Unidos desencadeou um efeito dominó nos mercados do mundo inteiro. Naturalmente, os chamados mercados emergentes classificação da qual o Brasil faz parte sofreram mais com a possibilidade de aumento de juros em países mais estáveis.

Esta é a grande preocupação de quem aplica em renda variável. A expectativa de inflação nos Estados Unidos pode fazer com que a taxa americana suba acima do esperado. Com a alta dos juros lá, os aplicadores internacionais realocam seus recursos. É feita uma retirada do capital investido em países em desenvolvimento, para aplicar em títulos e ações de países mais estáveis. Quando isso acontece, os ativos de maior risco são fortemente afetados. É esta, no momento, o motivo de maior atenção por parte do mercado financeiro interno.

No final do ano passado, especialistas em mercado financeiro comentavam o risco que o ano de eleição poderia trazer aos ativos em geral. Previa-se que as oscilações do mercado de renda variável seriam as mais afetadas pela instabilidade que o momento de decisão política traria aos negócios financeiros. À medida que 2006 aproximou-se de sua metade, a economia brasileira demonstrou que está blindada e pode resistir à CPIs e troca de comandos na pasta ministerial mais importante. Mas continua influenciada pelo comportamento de outros mercados.

Na avaliação de analistas, o Brasil será ainda afetado pelos mercados externos, porém, a taxa de juros de qualquer país desenvolvido - e no caso, mais seguro nunca alcançará o patamar elevado da taxa Selic. Aqui, com os juros mais elevados do mundo, investidores internacionais serão atraídos e contribuirão para uma estabilidade do mercado de ações e das taxas cambiais. Os sobressaltos de fora darão alguns sustos ainda, afirmam especialistas, mas o importante é manter o equilíbrio e estar bem informado a respeito das aplicações escolhidas. Esta é a melhor forma de evitar a precipitação e realizar lucros no tempo certo.

Pesquisa entre bancos pode aumentar ganhos

Na hora de escolher um produto financeiro, é de extrema importância a pesquisa entre instituições financeiras. Como o mais indicado para pequenas e microempresas são aplicações de renda fixa, o que vai determinar a grande diferença de rentabilidade serão as taxas e a rentabilidade oferecidas.

As taxas de administração cobradas para fundos de investimento variam de acordo com cada produto, com cada instituição e com cada montante aplicado. Depende do aplicador pesquisar e encontrar o produto mais adequado ao perfil. Já as taxas ofertadas para CDB"s, por exemplo, são flexíveis e variam de acordo com a negociação realizada entre o cliente e o banco. Uma boa conversa e um programa de fidelidade podem ser úteis na hora da barganha.

Quanto maior for o montante também mais atrativa será a taxa ofertada pelo banco tanto para CDB"s quanto para fundos de investimento. Portanto, para encontrar a melhor aplicação, nada mais do que pesquisa e empenho são necessários. Mas, para isso, é preciso saber exatamente qual é o perfil, o prazo e o objetivo do investimento.


Destaques da Loja Virtual
LOJA DE ARTIGOS E DECORAÇÃO PARA FESTAS INFANTIS

Este perfil tem como finalidade apresentar informações básicas a respeito da abertura de uma Loja de Artigos e Decoração para Festa Infantil. Serão ab...

De R$8,00
Por R$6,00
Desconto de R$2,00 (25%)