SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 08/06/2006
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

As sociedades de pequeno porte

Empresas de pequeno porte não conseguem visualizar a necessidade de encaminhar a sucessão empresarial

Recentemente participei de uma apresentação muito curiosa sobre os desencontros que ocorrem entre sócios ao longo do tempo nas sociedades bem-sucedidas. O assunto não é novo, e faz parte do nosso cotidiano. Trata das empresas que geralmente se iniciam pela amizade dos sócios parceiros - colegas de escola, amigos com afinidades em comum, em começo de vida. Com o tempo, muitas destas pequenas firmas se transformam em sucesso empresarial, enquanto os sócios, com diferentes prioridades de vida, vêem-se de repente em litígio. Por exemplo, um deles casa-se, enquanto o outro permanece solteiro. O primeiro começa a enfrentar os encargos da manutenção do lar, educação dos filhos, compromissos familiares. Enquanto isso, ao segundo sobra tempo livre, o que permite a ele uma vida social mais ampla, viagens, entretenimento.

Anos depois, a família do primeiro sócio passa a ver no outro parceiro um aproveitador, já que ganha o mesmo que o primeiro, responsável pela manutenção de tanta gente. As companhias do segundo sócio são sempre vistas como mulheres fúteis, que tiram vantagem da situação financeira do parceiro, e que com isto prejudicam o outro, com tantas responsabilidades.

Surgem as primeiras rusgas, e os desentendimentos por questões de princípios. Por exemplo: investir e desenvolver o negócio comum, ou mantê-lo no porte que já é suficiente para uma vida confortável, como adquirir veículos esporte do último modelo para nossa gratificação pessoal? Não demora muito e os dois, até então responsáveis pelo sucesso do negócio, envolvem-se numa sucessão de brigas que, quase inevitavelmente, acaba em discussão judicial e na dissolução da sociedade, com prejuízo para todos: sócios, parentes, estilo de vida, funcionários, famílias.

Essa questão ocorre com maior freqüência que se imagina. Constantemente empresas de pequeno porte não conseguem visualizar a necessidade do encaminhar a sucessão empresarial. As razões vão desde seus fundadores acreditarem-se insubstituíveis, até a própria estrutura societária, que impede o desenvolvimento em uma ou outra direção por divergência dos interesses pessoais dos sócios. Por isso, é importante que estas sociedades se preocupem com seu futuro, sob pena de virem a desaparecer. Em geral, estas empresas são formadas por dois sócios que detêm partes iguais do capital social. Representam, não raramente, a soma de talentos que se complementam. Geralmente, um deles é técnico, o outro administrador; um é bom gerente, o outro bom vendedor; um é voltado para as relações com empregados, o outro é sociável e capta clientela, e assim por diante. Quando suas agendas se divorciam e não mais comportam o convívio societário, surgem as dificuldades. Quase sempre são muito difíceis de serem superadas, a menos que haja, por parte dos sócios, humildade e reconhecimento do valor do outro, e, se possível, auxílio externo que leve à superação das diferenças.

Estabelecido o conflito, torna-se limitado o número de opções que existem para os sócios dessas empresas, que podem ser resumidas em quatro:

a) Um dos dois vender sua parte ao outro: isto nem sempre é possível, dada a inexistência imediata de recursos ou a recusa de assumir dívidas para o pagamento parcelado. Sem falar do receio de seguir adiante sozinho, uma vez que durante tanto tempo o negócio foi tocado a quatro mãos.

b) Um dos sócios vender sua parte a terceiro: esta opção não é fácil, dado o pouco interesse de um investidor em adquirir a metade de um negócio que não poderá tocar sozinho mas, sim, com um parceiro comercial que não escolheu.

c) A venda integral do negócio a terceiros: esta decisão leva em conta a sinergia existente entre ambos, o bom nome da empresa, sua tradição, o reconhecimento público de sua qualidade. Em regra, esta é a melhor solução, pois é a que melhor remunera seus sócios. Demanda, de cada um, a grandeza de não se sentir vencido no esforço realizado.

d) A dissolução da sociedade: essa é a pior das decisões. Determina enormes despesas judiciais com advogados, laudos e perícias, além do tempo até chegar-se a uma solução definitiva. Quase sempre, consume todo o patrimônio da empresa.
Claro que a terceira alternativa é, de longe, a que melhor atende aos interesses dos sócios. Mas, para que seja viável, é necessário envolver profissionais externos especializados, e que possam mediar, com eqüidistância, os interesses em conflito. É claro que ninguém é responsável por tal situação. Como já registrou com grande propriedade o filósofo e jurisconsulto espanhol Jose Ortega y Gasset (1833-1995), "o homem é ele mesmo e suas circunstâncias". É o que ocorre aqui.

Circunstâncias pessoais levam ao distanciamento de objetivos. Se não cuidadas com atenção, podem também trazer a destruição da empresa. Por isso, fica o alerta: é preciso defender com altruísmo, humildade e inteligência o negócio arduamente construído ao longo do tempo. Desta forma haverá a preservação dos verdadeiros valores: a amizade dos sócios, o respeito mútuo, e a possibilidade de que cada um siga seu caminho de acordo com suas prioridades.


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