SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 23/06/2006
Autor: Vanessa Jacinto
Fonte: O Estado de Minas

No auge da produtividade

Profissionais acima dos 40 anos vencem o preconceito para se manter no mercado

O desemprego no Brasil não é novidade. E, apesar da falta de vagas para os jovens em busca da primeira oportunidade, uma outra parcela da população - a que já passou dos 40 anos - também amarga dificuldades, quando o assunto é a recolocação profissional, ou mesmo a garantia de permanência nos quadros de pessoal das organizações.

O principal desafio desses profissionais é justamente vencer o preconceito, presente em todos os segmentos do mercado. O problema começa antes mesmo da seleção. Nos classificados de emprego dos jornais, por exemplo, não é incomum encontrar anúncios que excluem, pela idade, aqueles candidatos que já passaram dos 40. Apesar de estarem no auge da fase produtiva, eles são vistos como "velhos" demais para se adequar às competências mais exigidas pelas organizações.

Derrubar esse preconceito tem sido a briga de quem trabalha com recolocação. Apesar de admitirem que o motivo da exigência de idade pode ser apenas delimitar o perfil da vaga e evitar uma enxurrada de currículos que, certamente, serão jogados no lixo, os especialistas também entendem que, muitas vezes, a justificativa serve para esconder o preconceito que os profissionais acima dos 40 normalmente são vítimas. "Se as organizações fazem isso por mero arbítrio, com certeza estão desrespeitando a dignidade do ser humano", comenta Márcia Coimbra, psicóloga de recursos humanos.

Segundo ela, a idade pode até interferir na função a ser desempenhada e no perfil do cargo. Entretanto, ela considera que a exigência não pode ocorrer por mera arbitragem do empregador, já que isso configuraria uma forma de discriminação.

COMPETITIVO - Mas, por que as pessoas com mais experiência profissional estão perdendo o lugar para as mais jovens? Essa foi a pergunta que a psicóloga Maria Lúcia Rodrigues, gerente do setor de Educação e Recursos Humanos do Sebrae Minas, tentou responder quando pesquisou o assunto. Para ela, mudanças no mercado de trabalho e uma nova configuração das organizações talvez possam ajudar a elucidar a questão. Mais dinâmico e competitivo, o mercado passou a ver no profissional mais jovem, aquele que é mais motivado, ousado, aberto a mudanças. "Os profissionais mais velhos se queixavam muito de discriminação e eu queria entender o que acontecia", explica Maria Lúcia.

Mas ela se surpreendeu. Embora admita que o preconceito existe por parte das empresas, encontrou problemas de atitudes de posturas dos dois lados. Com a justificativa de que são profissionais mais caros, resistentes às mudanças, de postura conservadora, desatualizados sob a ótica do mercado e que não trabalharam o auto-desenvolvimento, as empresas costumam excluir os quarentões.

Por outro lado, enquanto reclamam que não têm chance e que as empresas estão atrás de profissionais bonitos, jovens etc, grande contingente dos profissionais com mais de 40 realmente parou no tempo. "Eles mesmos se fazem de vítima, se discriminam, assumem uma postura bastante passiva na condução de suas carreiras", alerta Maria Lúcia.

Independentemente da idade, o que o mercado espera de todo profissional é que ele seja atualizado, que invista na sua formação, trabalhe as competências pessoais e assuma o controle da sua carreira. Assim, o profissional mais velho que preenche esses quesitos e ainda tem como vantagem a maturidade, a experiência, o conhecimento e o equilíbrio na tomada de decisões, por exemplo, poderiam ser mais valorizados. E foi exatamente isso que aconteceu com o consultor Carlos Augusto Volpini, de 48 anos. "Caçado" por um headhunter, sua idade e trajetória profissional contaram muito na hora da contratação. Segurança, confiabilidade, experiência multifuncional, desempenho, maturidade e carisma. "Fui escolhido justamente pelas competências que só se adquirem com a idade, com o tempo de trabalho", considera Volpini.

Contratado para planejar o desenvolvimento da empresa onde atua, para preparar a retaguarda e estruturar os processos de desenvolvimento, Volpini acredita que não poderia mesmo ter perdido o cargo para um profissional mais novo. Mas ele admite que não foi só isso que contou pontos. Como sempre se preocupou com a atualização e a competitividade do mercado, faz cursos anualmente na sua área de atuação. "Acho que o fato de ser multifuncional e, portanto, de poder transitar pelas mais diferenciadas funções é muito importante em qualquer carreira bem-sucedida. Eu nunca gostei de ficar muito tempo em uma única empresa nem desempenhando a mesma função por muito tempo. Isso evita que o profissional fique estagnado", completa.


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