SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/07/2006
Autor: Diário do Comércio & Indústria
Fonte: DCI

O País perde oportunidades

O salário do "candidato Brasil" é o maior entre os interessados, complicando ainda mais as suas chances

Já é senso comum a importância da primeira impressão em qualquer relação interpessoal. Quem pretende ser bem-sucedido numa entrevista de emprego, por exemplo, já cansou de ler conselhos dos especialistas sobre como se vestir para passar uma boa imagem a quem deseja impressionar. Fazendo uma analogia entre a captação de investimentos estrangeiros e a busca por emprego, o Brasil, pelo visto, não seria contratado na maioria das empresas.

Ao apresentar o País a um investidor estrangeiro, as roupas ou o cartão de visitas que temos a oferecer é um prospect de nosso ambiente de negócios. Ou seja, tentamos mostrar que, de forma geral, é bom colocar dinheiro aqui em investimentos produtivos. A viabilidade do negócio oferecido seria como o currículo do entrevistado, ou seja, o conteúdo que o interessado na vaga tem a oferecer.

O problema é que o "candidato Brasil" chega à sala de entrevistas maltrapilho. Como lugar para se fazer negócios, nosso país ocupa hoje um desonroso 119° lugar entre as 155 nações pesquisadas pelo Banco Mundial em seu relatório "Doing Business 2006: Creating Jobs". E aí, a análise do currículo fica por vezes prejudicada. Para se ter idéia, aqui se leva 152 dias para abrir uma empresa. Em países desenvolvidos, a média é de 20 dias. Para se fechar uma empresa, o prazo previsto é de 10 anos, contra 1,5 em lugares mais atraentes ao investimento.

A propriedade intelectual, essencial a boa parte das empresas modernas, também é mal protegida por nós. Marcas e patentes são habitualmente desrespeitadas. Contrafacção, plágio e falsificações em geral são naturalmente aceitos por nossa população. O contrabando é rotineiro e socialmente aceito, sendo consideradas normais as críticas a quem paga mais por um produto importado por vias legais. Registrar invenções junto ao INPI também pode vir a ser uma verdadeira odisséia.
Os tributos, por sua vez, representam 147,9% do lucro bruto de uma empresa, contra 45,4% de países ricos. Ou seja, o salário do "candidato Brasil" é o maior entre os interessados, complicando ainda mais as suas chances.

Um outro diferencial negativo no nosso currículo é a ausência de autocrítica. Somos incapazes de corrigir nossas deficiências. Projetos de Reforma Tributária dormem em nosso Congresso há anos. A Previdência, por sua vez, passou por diversas reformas superficiais que jamais corrigiram o sistema na sua essência, que é o de arrecadar mais do que se paga. Uma Reforma Política, dando fim a campanhas milionárias, também nunca saiu do plano das idéias ou de medidas paliativas. Todas essas informações estão na mesa do entrevistador e não há como esconder isso dele.

Caso nosso investidor ainda se interesse em alocar seus recursos nessas terras, temos o dever de lembrá-lo que, em caso de problemas com seu investimento, ele terá de se dirigir ao Judiciário, que leva anos para analisar questões por vezes simples, por possuir uma quantidade de recursos inversamente proporcional ao número de juízes disponíveis para atender aos usuários do sistema.

Enfim, chegamos ao fim da entrevista em manifesta desvantagem em relação aos demais candidatos. Se não tivermos um negócio extraordinário, realmente acima da média em relação aos outros países, estamos fora da disputa. Isso talvez explique por que o País, quando o assunto é investimento produtivo, continua a procurar empregos.


Destaques da Loja Virtual
EU QUERO SER EMPRESÁRIO ... RICO!

Você sabe por que a maioria das empresas brasileiras sobrevive, mas não enriquece? Sabia que Deng Xiaoping ergueu na China, há quase trinta anos, a ba...

R$33,00