SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 23/09/2006
Autor: Claudia Marcelo
Fonte: Jornal de Santa Catarina

"O colaborador deve ser tratado como sócio" - Entrevista: Antonio Pacheco

O presidente da Federação do Comércio de Santa Catarina (Fecomércio), Antônio Edmundo Pacheco, considera importante que os empresários e empregados possam ser considerados como sócios na empresa para que o negócio dê certo. Na avaliação do dirigente lojista, o varejista precisa prestar atenção às necessidades do trabalhador, para que ele possa trabalhar feliz e desenvolver bem sua função. O sucesso do empreendimento depende também da qualificação tanto dos empregados quanto dos patrões. Acompanhe os principais trechos da entrevista.

Agência RBS - Na sua avaliação, qual a tendência para o varejo em 2007?

Antônio Pacheco - O ano de 2007 vai depender das reformas que são necessárias para o crescimento da economia. Nós tivemos problemas sérios na agroindústria, o que fez com que caíssem as vendas em 20%, principalmente, no Oeste. O ano melhor vai depender de subsídios para que o problema da agroindústria seja resolvido e melhore o poder de compra do consumidor. A melhoria também vai depender de quem ganhar a eleição e que tipo de ações serão implementadas para incentivar o crescimento da economia do país.

Agência RBS - De que maneira a gestão das empresas é influenciada pelas decisões econômicas dos governantes?

Pacheco - É o principal ponto de problemas que todas as empresas, não apenas do setor comercial, mas de outros setores também enfrentam. As políticas de governos muitas vezes prejudicam as empresas. Nós temos a política de câmbio, que o setor produtivo reclama porque tem de renegociar as exportações, diminuir a lucratividade e alguns trabalham com prejuízo para não perder mercado. Tenho a impressão de que o maior problema é a atuação dos governos de não fazer as reformas necessárias.

Agência RBS - Como o pequeno varejista deve administrar o seu negócio frente a grandes concorrentes nacionais e multinacionais que se instalam em Santa Catarina?

Pacheco - O pequeno comerciante, que é maioria no setor no Brasil, tem de priorizar a fidelização da clientela, oferecendo serviços de qualidade. Os grandes varejos operam na impessoalidade. Eles não podem atender de maneira individual cada um dos clientes. Mas o pequeno, pode. Serviços específicos como o atendimento domiciliar, focalizando no consumidor a sua volta. Porque o pequeno varejo terá de operar em torno do local onde está atuando, oferecendo atrativos para que o cliente, ao menos em certos momentos, utilize os serviços deste comércio.

Agência RBS - Um dos maiores problemas enfrentados pelo varejo é a inadimplência. Isso, de alguma maneira, significa falha na gestão do crediário?

Pacheco - Não acho que podemos considerar essencialmente falha porque as empresas tomam mais cuidado na administração do crediário. O que ocorre é que em certos momentos, como neste ano, aumentou o acesso ao crédito ao consumidor, facilitando os gastos e dificultando o controle das contas. Mas acredito que as empresas estão se organizando. Os micro e pequenos comerciantes estão mais atentos às oportunidades para gerenciar o negócio.

Agência RBS - A gestão do varejo em Santa Catarina é profissionalizada na sua avaliação?

Pacheco - Cada um tem seu modelo de gestão. Mas as micro e pequenas ainda carecem da modernização, atualização. Por isso, é preciso aprimorar o modelo de gestão procurando as entidades que podem ajudar nisso. Os grandes já atuam desta forma, voltada ao desenvolvimento do negócio.

Agência RBS - Qual sua previsão para o final de ano?

Pacheco - As avaliações não são otimistas. O endividamento do consumidor, preocupação com desemprego, sinaliza com final de ano mais pessimista. Embora a gente saiba que o comerciante está acostumado com esta situação e promove ações para minimizar este problema, como a adoção de ofertas, promoções, liquidações, como ocorreu até o mês passado, com os produtos de inverno. Quem lucra no fim das contas é o consumidor.

Agência RBS - Na sua avaliação, como é possível motivar os colaboradores para que a gestão do negócio dê certo?

Pacheco - Na minha opinião, a melhor maneira é o empresário olhar o empregado como sócio. Quem está na ponta do balcão? É o colaborador. E se não for olhado como peça importante para o seu negócio, está fadado ao fracasso. E tem de procurar fazer com que o colaborador se capacite também, assim como o próprio empresário. É importante saber como vive o colaborador, suas dificuldades, seus sonhos. Fazer com que exista entrosamento maior entre patrão e empregado.

Agência RBS - Qual o perfil ideal de trabalhador para o varejo?

Pacheco - Hoje não se pode admitir que a empresa contrate pessoas sem, no mínimo, o Ensino Médio. Porque é necessário que a pessoa tenha a visão que a sua atuação no local de trabalho vai representar o sucesso da empresa e o seu sucesso pessoal. Se não, tende a prejudicar a si mesmo e a empresa. É preciso ter capacitação, apresentação e vontade de trabalhar.


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