SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 26/09/2006
Autor: Daiane Souza
Fonte: UnB Agência

Empreendedorismo: atitude necessária

A falta de investimento em inovação contribui para diminuição
do crescimento de empresas, é o que mostra pesquisa da UnB

Abrir um negócio no Brasil já é uma tarefa burocrática. E conseguir mantê-lo não é tão simples assim. Os empresários precisam ter um certo jogo-de-cintura para que a sua organização não seja mais uma a rechear a lista de empresas que fecham as portas nos primeiros anos de existência. Desenvolver uma atitude empreendedora, por exemplo, é fundamental para um negócio dar certo. Foi o que a pesquisadora Cristina de Souza Depieri verificou em sua dissertação de mestrado em Psicologia, defendida em dezembro de 2005 na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília (UnB).

"Brasileiro não sabe criar diferenciais competitivos", afirma Cristina
Entre os fatores correspondentes à atitude empreendedora, a inovação foi a que menos se destacou na amostra da psicóloga, que analisou 450 funcionários de 33 organizações do Distrito Federal. A intenção era identificar se a cultura de um grupo local influencia no desenvolvimento dessa ação. O assunto da dissertação, intitulada Atitude empreendedora e cultura: um estudo em organizações brasileiras, será discutido no II Congresso Brasileiro de Psicologia Organizacional e do Trabalho (II CBPOT), que ocorre entre os dias 26 e 29 de julho no Centro de Convenções Ulysses Guimarães de Brasília.

Segundo a pesquisadora, por falta de apoio governamental, de investimentos de pesquisas e desenvolvimento (P&D) e de conhecimento na área, o brasileiro não sabe como criar diferenciais competitivos, isto é, atitudes empreendedoras. Além disso, por uma questão cultural, não modifica o que está dando certo. Com esse pensamento, muitos empresários se acomodam e esquecem da concorrência, que pode estar bem ao lado e acabar roubando seus clientes.

A idéia de que sempre é preciso ter muito dinheiro para inovar é equivocada. Cristina cita como exemplo a dona de um pequeno salão que resolveu colocar bolinhas de gude no recipiente onde a cliente deixa os pés de molho para fazer a unha. Em atrito com o pé, as bolinhas funcionam como uma espécie de massageador. ¿Os gastos que ela teve foram mínimos e trouxeram bons resultados ao estabelecimento, que agora está sempre lotado¿, afirma. A história serve para mostrar que muitas vezes o mais importante é observar o mercado para então ter atitude. Mas quando se trata de uma grande organização, o assunto é diferente. São necessários amplos projetos para inovar.

PLANEJAMENTO ¿ Outro fator que contribui para a falência de uma organização é a falta de planejamento. Muitos indivíduos têm o costume de abrir um negócio pelo simples fato de terem visto alguém dar certo em determinada atividade. Porém, se esquecem de estudar o mercado e fazer um plano de negócio para saber se a idéia é viável ou não. Esse comportamento também pode ser atribuído à cultura. ¿É o velho jeitinho brasileiro de ir dançando conforme a música¿, comenta Cristina.

Mas os empreendedores estão acordando para o fato de que vivem numa era de muita informação, onde todos precisam estar interconectados. Por isso, para que eles continuem a crescer no mercado é necessário agir de outra forma.

COMPORTAMENTO ¿ Ficou constatado que a amostra pesquisada tinha como manifestação cultural o coletivismo ¿ pessoas que dão extrema importância para o que o grupo pensa das atitudes tomadas, tornando-se assim equipes fortes e coesas. Isto significa que é fundamental entender o contexto para então o desenvolver o grupo. Nesse caso, o líder que quiser gerar atitudes empreendedoras terá que trabalhar toda a equipe e não apenas o seu próprio potencial.

Cristina verificou ainda que, ao contrário do que costuma acontecer no Brasil, a distância de poder entre chefe e subordinado era pequena. Isso indica um horizontalismo nas relações. A pesquisadora acredita esse tipo de relacionamento acontece porque os donos de pequenas e médias empresas precisam colocar a mão na ¿massa¿ para fazer o negócio dar certo e, dessa forma, acabam tendo interação mais direta com os empregados.

METODOLOGIA ¿ Para realizar a pesquisa, Cristina aplicou dois questionários em 450 proprietários e em 33 funcionários de empresas de pequeno, médio e grande porte do DF . O primeiro apresentava 36 questões para medir a atitude empreendedora e o outro com 45 perguntas identificava os valores culturais dos indivíduos dentro das organizações. Em seguida, Cristina fez a tabulação dos dados por meio do programa Statistical Package for the Social Science (SPSS) para poder analisá-los.

PERFIL DAS EMPRESAS PESQUISADAS
A amostra foi composta por 61% de comerciantes e 33% de funcionários do ramo de serviços. As empresas de pequeno porte representaram 42% do total, seguidas pelas de médio porte, com 30%, e as de grande porte, com 25%.


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