SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 16/10/2006
Autor: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense

Como SC pode avançar no mercado mundial de software

A indústria de software é um dos principais pilares da gigantesca economia dos EUA e cresce de forma acelerada na Índia. Recentemente, a revista Newsweek publicou matéria dizendo que Florianópolis pretende ser o Vale do Silício do Brasil, numa referência ao famoso pólo americano de software. A coluna perguntou ao consultor do setor, Ernani Ferrari (foto), se Santa Catarina, com os seus pólos de software - Florianópolis, Joinville e Blumenau - pode ser o Vale do Silício brasileiro. Ele entende que sim, mas, para isso, precisa investir em qualidade, produtividade e educação, além de falar inglês.

Paulista que abriu em Joinville a consultoria Mondo Strategies para exportar e importar software, Ferrari tem know-how para opinar sobre o assunto. Trabalhou por 22 anos em indústrias de vários setores, sendo 13 anos na área de software. Foi diretor da SSA, terceira maior companhia mundial de software de gestão empresarial, e da QAD, ambas dos EUA, antes de assumir diretoria da Datasul. Atuou em 16 países e liderou equipes de até 400 desenvolvedores de software nos EUA, Japão, Índia, Brasil e Austrália, entre outros.

PÓLOS DO ESTADO

- Em Joinville, Blumenau e Florianópolis temos 1,5 mil empresas de software. SC tem todo o potencial necessário para ser o Vale do Silício do Brasil, mas não a curto prazo. O Brasil tem pólos de informática também em outros estados, SC se destaca por sediar cerca 20% das empresas de software do Brasil, e a tendência é se solidificar como pólo de software brasileiro se investir mais em qualidade e educação.

O QUE FAZER

- Hoje, o Brasil tem uma vantagem a seu favor, que é um certo nível de imaturidade da indústria de software mundial, incluindo os EUA, que produz 90% dos softwares do mundo. Eles têm empresas muito maduras e outras imaturas. Eu fui para lá para aprender e, quando vi, estava ensinando americano a fazer software. A grande diferença que vejo é que o Brasil ainda não acordou para as necessidades de qualidade e produtividade.

ABERTURA DO MERCADO

-Em parte, o Brasil não acordou porque vivenciou um tempo longo com a reserva de mercado. A abertura trouxe muitas soluções internacionais e a gente conseguiu, a partir do software de gestão, ainda um pouco de diferencial em função da complexidade da legislação.

PARA TER FAMA

- A questão da qualidade, na indústria é relativamente recente no Brasil. Temos ilhas de excelência, como a Embraco e a Weg, líderes mundiais nos seus segmentos porque passaram a fazer muito bem feito. Mas, em software a gente está deixando de ser produtivo. Temos acompanhado grupos que vêm ao Brasil e não têm encontrado a qualidade e maturidade necessárias..

CICLO DE SOFTWARE

- Para atingir o padrão desejado, as empresas precisam evoluir em todo o ciclo de software. Elas têm que fazer, no mínimo, tão bem quanto as melhores empresas internacionais. Os indianos cresceram porque começaram a fazer tão bem quanto ou melhor em termos de qualidade e produtividade. Um desenvolvedor americano produz, em média, 10 linhas de código de software por hora. Um indiano produz 16 linhas com melhor qualidade. No Brasil, o retrabalho é de 45% a 50% no setor de software.

CHOQUE DE GESTÃO

- Nós precisamos de duas coisas fundamentais. Uma é orientação e capacitação do pessoal de gestão e a outra é a capacitação dos próprios recursos técnicos. Temos empreendedores fantásticos. Conforme as empresas vão crescendo, eles começam a se dedicar mais a finanças e atendimento, mas têm dificuldades para buscar conhecimentos sobre o processo de gestão.

PESSOAL TÉCNICO

- Entre os profissionais da área técnica vemos coisas gritantes. Encontro, nas equipes operacionais, pessoas fazendo desenvolvimento de software e análise de sistemas sem que tenham o mínimo de capacitação. Falta metodologia. Aí, as nossas instituições de ensino têm pecado. Tanto as escolas públicas quanto as privadas têm obrigação de buscar a melhoria do ensino, juntamente com as empresas. A Índia forma 200 mil profissionais por ano na área de software, em nível de graduação. No Brasil, falamos apenas em centenas

EM INGLÊS

- O idioma mundial do software é o inglês. Além de 90% dos softwares serem feitos nos EUA, 50% dos consumidores dos mesmos falam inglês. No Brasil, são raros os profissionais que falam inglês.

OPORTUNIDADES

- O setor de software tem um mercado mundial em expansão, e este é um caminho sem volta. Por isso, há oportunidades enormes para o Brasil. Se uma Índia se tornou o maior provedor de serviços terceirizados, e, por outro lado, os EUA, há 10 anos, vêm mantendo um um déficit médio de 600 mil profissionais na área de informática por ano, há muitas oportunidades.

ALTOS SALÁRIOS

- Um analista de sistemas americano ganha entre US$ 75 mil e US$ 100 mil anuais. São valores muito distantes do que a gente tem no Brasil. Nós temos condições não só de prestar serviços de desenvolvimento de softwares, mas também de dar suporte por custo mais competitivo no mercado internacional e, além disso, temos a vantagem do fuso horário. Eu tinha uma equipe de 50 desenvolvedores na Índia que o fuso horário era um problema. Outra vantagem é que o brasileiro tem facilidade para se relacionar com pessoas de outras culturas.

CONSULTORIA

- Nossa empresa nasceu para apoiar a indústria de software brasileira nos aspectos de internacionalização de software e também levar empresa de qualquer país para qualquer outro país.



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