SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 13/11/2006
Autor: André Lückman
Fonte: A Notícia - Ed. 11/11/2006

Microempresa oferece perspectivas gigantes

Profissionais desistem das grandes corporações para se aventurar no mercado

Antigamente, sucesso profissional e realização pessoal normalmente eram associados ao tempo de serviço prestado a uma única grande empresa. Quem nunca ouviu seu avô falando do amigo que dedicou décadas e se aposentou em uma grande firma? Com a evolução da economia e das relações de mercado, esse quadro foi mudando - com desenvolvimento de novas oportunidades profissionais, já tem gente desistindo de longas carreiras em grandes empresas para se aventurar no mercado. Hoje, as microempresas podem ser um bom caminho para a satisfação pessoal e para a realização profissional.

É nesse caminho que aposta o eletrotécnico e administrador Felipe Zurita Quadros. Aos 31 anos, ele já se desvencilhou de empregos na Telemar, Danone e AmBev, nos quais trabalhou como supervisor de vendas, e hoje aposta as fichas na Autocorp Tecnologia, empresa incubada no parque tecnológico da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), em Florianópolis.

"O pessoal de recursos humanos falava que eu tinha um bom currículo acadêmico e profissional, mas que faltava experiência em empresas de grande porte. Fui atrás disso, mas depois desisti; não consegui me enquadrar na dinâmica de trabalho existente nelas. Hoje, decidi aceitar que o meu caminho é o empreendedorismo", conta.

Ele admite que é possível "crescer e aparecer" em grandes empresas quando o funcionário tem a motivação correta, o que não foi o seu caso. "Havia pouca liberdade para tomada de decisões, não usava a criatividade, ficava limitado. Acabava sendo um espaço pouco saudável para mim", avalia.

Hoje, ele desenvolve sistemas de comércio eletrônico via internet (e-commerce), e é um entusiasta da vocação empreendedora. Entre as conquistas do currículo está ter conseguido juntar uma das paixões - automóveis - à profissão, já que os principais clientes são da área automotiva. "Conseguimos transportar para a internet uma rede de oito lojas de revendas de carros em 72 horas. Eu achava que era humanamente impossível, mas fizemos", conta.

Antigas profissões são recriadas

Dentro das oportunidades nas microempresas também está o trabalho envolvendo mão-de-obra de altíssima especialização - às vezes até recriando antigas profissões, como a medicina. A Pixeon, de Florianópolis, é resultado da aposta que o engenheiro eletricista Fernando Peixoto e o cientista da computação Iomani Engelmann, ainda recém-formados, fizeram para oferecer novas alternativas para a área de radiologia, com foco na neurocirurgia. Dedicados a processamento de imagens, visão computacional e telemedicina, especializaram-se na fabricação de softwares de diagnóstico por imagem.

A empresa conta com 12 funcionários, e a maior parte entrou ainda como estagiária, conta a gerente comercial Karyne Lentz. "É uma área que precisa de investimento constante em inovação, com o que há de mais novo nas universidades. Por isso, nossa equipe toda ainda tem característica acadêmica muito forte. Os estágiários são incentivados e capacitados a trabalhar aqui, até porque é mão-de-obra bem rara no Estado", explica.

Ela avalia que o relacionamento com uma microempresa é mais saboroso até para o cliente, uma vez que ele compra diretamente com o dono do estabelecimento. "Ele se relaciona diretamente com quem está à frente da manufatura daquele produto de que precisa. Esta proximidade é um diferencial da microempresa, que trata os clientes como parceiros."

Novos negócios na era da informação

Este destaque que as micro e pequenas empresas ganharam na participação do mercado e da formação profissional é explicada pelo diretor de operações da CC&G Gestão de Pessoas, Edenilson Schneider. De acordo com ele, há um movimento muito importante em curso no mercado de trabalho, decorrente das mudanças econômicas geradas pelo que se convencionou chamar de sociedade pós-industrial, ou sociedade do conhecimento. "Em qualquer setor da economia, isso fica evidente, em menor ou maior escala, especialmente em tecnologia de informação", diz.

Segundo ele, as microempresas com foco em produtos ou serviços de alto valor agregado são os filhotes mais comuns de incubadoras de tecnologia. "Assim, esses ambientes criativos, apoiados por universidades, acabam sendo as vitrines para jovens talentos conseguirem um atalho para o sucesso, em vez de galgarem uma carreira longa em uma grande corporação, em que há pares competindo entre si por uma posição. Há também a questão das restrições em aplicar sua criatividade no cotidiano de uma grande empresa, geralmente mais engessada", explica.

Mas ele alerta também que não se trata necessariamente de uma substituição das grandes corporações pelas pequenas: muitas microempresas prestam serviços às grandes. Portanto, ele acredita que há um equilíbrio saudável de estímulo ao empreendedorismo, permitindo ao profissional fazer a escolha entre grande e pequena empresa. "Grandes empresas enfrentam uma competição muito acirrada em quase todos os setores, com estratégia de baixo custo ou em diferenciação de produtos ou serviços. Isso faz com que muitas optem pelo caminho de fusões e aquisições para gerar ganhos de escala e mercado", diz.


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