SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 16/11/2006
Autor: Sebrae
Fonte: Sebrae

Emoção e conhecimento comandam o mercado de consumo atual

O modelo de negócio nos dias de hoje está configurado no 'consumo emocional'. É importante perceber que gestão do conhecimento é a moda do momento, e que capital de giro, no século XXI, é a informação. O Brasil tem um mercado consumidor expressivo, com grande potencialidade tanto para empresas internacionais quanto nacionais.

As idéias são defendidas pelo consultor especializado em Gestão de Negócios e de Marcas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), Edson D'Aguano, que proferiu palestra a técnicos do Sebrae que atuam com projetos do setor em todo o País, em Brasília. Com essas idéias, ele resume a situação atual do mercado de consumo em geral e, em especial, do setor de têxtil e de confecção.

Tudo é moda, hoje em dia; e o que ainda não é, ainda pode virar, alerta Edson D'Aguano. Desde a última década, produtos como roupas de cama, mesa e banho, jóias, calçados, acessórios, decoração, alimentação, automóveis, entre outros, passaram a acompanhar tendências de moda como os produtos de vestuário. Ao comprar, os consumidores do século XXI estão realizando seus desejos e lidando com as emoções. Eles não compram mais apenas por necessidade ou utilidade, ressalta o consultor.

Por esse motivo, os empresários que lidam com produtos confeccionados, especialmente, precisam estar antenados, o tempo todo, no comportamento e mudanças de atitudes das pessoas. "Nós, da cadeia têxtil e de confecção, temos de ser viciados em gestão do conhecimento", destaca. "E a informação muda o conceito e valor do consumo, numa rapidez extraordinária".

Para vender, é preciso saber tudo o que está acontecendo na rua, no shopping, no salão de beleza, nos bares, nas festas, na praia, no meio rural, na imprensa, nos sites, na televisão. Os produtos devem refletir as necessidades emocionais dos consumidores, que hoje procuram demonstrar seu estilo de vida em tudo que vestem, freqüentam, conversam e usam.

As peças de roupa não são mais compradas para cobrir o corpo, mas para mostrá-lo. "Os produtos de vestuário são utilitários, e os de moda, decorativos", compara o consultor. "As peças devem emocionar a alma dos compradores". As vendas podem ficar comprometidas, se os empresários não compreenderem o espírito atual do mercado. "Os produtos podem ficar nas prateleiras e empresas podem quebrar, se não atenderem ao consumo emocional". Essa é a tendência do mercado globalizado do século XXI", enfatiza.

"Há mais de dez anos, uma mulher da classe média tinha no guarda-roupa, no máximo, quinze marcas. Hoje, ela tem mais de cinqüenta marcas diferentes nas roupas", observou D¿Aguano. Sem falar nos acessórios, sapatos, jóias, entre outros. O guarda-roupa masculino também cresceu em volume de grifes. Atualmente um homem de classe média veste entre quinze e vinte marcas, segundo pesquisas de marketing do setor de vestuário e confecção.

"O grande desafio, no momento, não é só conquistar novos clientes, mas reter os antigos". Uma enquete informal, feita junto a lojistas paulistas pela empresa de consultoria de D'Aguano, constatou que eles recebem anualmente, em média, 50 impulsos de novas marcas brasileiras, sobre as quais nunca ouviram falar. "Significa o quanto o mercado brasileiro de confecção está crescendo", observa.

Produzir, vender e se manter no mercado é uma verdadeira guerra, nos tempos atuais. E ele ficará cada vez mais concorrido, prevê o consultor. Em média, as marcas de confecções 'vivem' até 15 anos. São raras as que conseguem ser longevas, independente de serem nacionais ou internacionais. É necessário agir como se estivesse numa guerra. "Não temos concorrentes, mas inimigos", dispara.

Para ele, a moda nunca volta. Ela recicla produtos antigos, as roupas aparecem com outra gola, cartela de cores, outro cheiro. "Temos de ser muito bons no quesito chamado velocidade das mudanças", alerta.

Outra recomendação importante de D'Aguano foi relativa à atenção que o mercado consumidor brasileiro desperta nas empresas internacionais. A população jovem é um atrativo especial, já que na Europa a maioria dos habitantes é idosa. "É idoso não consome", informa ele, baseando-se em estudos e pesquisas de marketing.

O Brasil é o segundo mercado de moda do mundo em participação no Produto Interno Bruto (PIB), só perdendo para a França. É também o segundo maior em crescimento no mercado de luxo, ficando atrás apenas da China. E ainda: segundo maior mercado consumidor de jatos executivos e helicópteros, depois dos Estados Unidos; o segundo maior mercado de microondas; segundo também em consumo de telefones e celulares no mundo; idem em bancos eletrônicos; idem em consumo de aparelhos de CD; e o maior em crescimento mundial em alimentos diet/light. O País é considerado o sétimo do mundo em consumo de softwares, e nono no mercado consumidor de automóveis da marca Ferrari.

Em 1980, pesquisa do IBGE constatou que existiam 507 mil famílias ricas no País, isto é, com renda mensal acima de dez salários mínimos. Em 2000, o censo realizado pelo instituto apontou cerca de 1,1 milhão de famílias nessa condição. "Houve um crescimento de praticamente cem por cento dessa camada da população", analisa D'Aguano.

As empresas brasileiras que crescem são as que observam o desenvolvimento do País e investem em inovação. A classe média acompanha a tendência de consumir produtos de grifes famosas. De olho nessa tendência, grandes marcas de roupas, óculos, jeans, entre outros produtos internacionais, lançam coleções para esse público. O design dos produtos de luxo é transferido para produtos de qualidade, porém com preços mais acessíveis e nomes de grifes diferentes. "Essas empresas internacionais estão ganhando o mercado nacional", avisa.

O consumidor atual não está interessado em saber de onde vem o produto. "Se a roupa, calçado, acessório satisfaz a necessidade emocional do cliente, ele compra". Serão prósperas as empresas do setor têxtil e de confecção que observarem as tendências emocionais e comportamentais dos consumidores, diz ele. Como também aquelas que prestarem atenção na potencialidade do mercado interno brasileiro.

Além de se manter bem informado e compreender o consumo emocional, o consultor sugere que as empresas busquem inovar em todos os sentidos: desde design e gestão até atendimento e layout das lojas. Os consumidores do século XXI estão em busca de estilo, charme, sensualidade, alegria e satisfação, quando vão ao mercado. E não simplesmente de produtos. Esses valores abstratos também agregam valor aos objetos do desejo, expostos nas vitrines das lojas. "O consumidor final é o que importa no modelo de negócio deste século".


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