SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 17/11/2006
Autor: Diário do Comércio
Fonte: Diário do Comércio

Empreendedorismo e cultura brasileira

O interesse pelos estudos sobre cultura se acentuou a partir da percepção da superioridade dos japoneses sobre os ocidentais na realização de negócios. Após a 2ª Guerra Mundial e em ambiente marcado por difíceis condições físicas e econômicas, o Japão surgiu como potência e encarou, com ousadia, o poderio de outros países. Estudar a cultura daquele povo tornou-se importante para elucidar o porquê do sucesso de seu processo de reconstrução e desenvolvimento. Desde então, estudiosos têm se dedicado a verificar como a cultura, em suas diversas concepções, afeta os negócios.

No caso do Brasil, o pluralismo racial e cultural, a alegria, a ênfase nos relacionamentos pessoais, a cordialidade e a criatividade são algumas características positivas de comportamento, que podem favorecer os negócios. Ao mesmo tempo, o brasileiro sofre com a baixa auto-estima, a aversão à sistematização do trabalho e a necessidade de levar vantagem em tudo.

Quer empreendam por oportunidade ou necessidade, os brasileiros precisam de habilidade e persistência para enfrentar uma série de obstáculos, incluindo excesso de burocracia, dificuldade de crédito e falta de orientação. A dificuldade em vencer a empreitada é comprovada por recente pesquisa do Sebrae sobre mortalidade de empresas: 49,9% dos pequenos negócios encerram suas atividades antes de dois anos.

Não bastassem os fatores conjunturais, brasileiros que pretendem saltar da condição de empregado (ou desempregado) para a de empresário encaram um desafio adicional: vencer os traços culturais que os acompanham desde o nascimento. Vale lembrar que o Brasil é um país cujo desdobramento histórico se deu em meio à escravidão, à exploração do meio-ambiente, ao desperdício generalizado e à dependência econômica. Os resquícios dessa colonização são importantes para a compreensão dos atuais modelos brasileiros de comportamento, cultura e gestão.

É curioso observar que boa parte dos traços culturais brasileiros contrastam com o comportamento esperado para o empreendedor. A baixa iniciativa, por exemplo, deve abrir espaço para a grande capacidade de realização. O empresário deve ser pró-ativo e não pode culpar os outros (governo, concorrentes, funcionários, fornecedores...), ainda que possua o traço cultural da transferência de responsabilidade. Além disso, estar à frente de um negócio significa assumir riscos, algo não muito confortável, se comparado ao fato de ter uma carteira assinada. Cabe aqui a reflexão sobre o impacto dos valores de nossa sociedade na construção de uma cultura empreendedora.

Mesmo em meio a tamanhas dificuldades, é possível identificar exemplos de empreendimentos bem-sucedidos no Brasil. Aliás, a habilidade de executivos brasileiros em fazer uma empresa dar certo em um país incerto atrai a curiosidade de estudiosos estrangeiros, ainda que alguns teóricos entendam que o talento administrativo brasileiro seja relativamente baixo.

Definitivamente, os fatores culturais têm impactos significativos sobre os negócios e precisam ser considerados nos estudos sobre as organizações. É preciso implantar mecanismos que favoreçam a mudança da cultura ou a forma de operacionalizar valores. Esta mudança, aparentemente difícil, é absolutamente possível e necessária.

*Analista de Gestão da Informação no Sebrae Minas - Mestrando em Administração


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