SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 06/12/2006
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Commércio

Falta de padronização ameaça crescimento

Franqueados que fogem do perfil da empresa e expansão desenfreada prejudicam o sistema de franquias

A escolha de franqueados que fogem do perfil da franquia; a expansão focada na quantidade e não na qualidade; e a criação de diversos modelos de unidades franqueadas para expandir a rede em localidades menores estão entre os 12 fatores que impedem o crescimento das franquias no País. Os itens foram listados em pesquisa divulgada no final de novembro pela Rizzo Franchise. O estudo, concluído após dois anos, foi realizado com 117 franqueadoras de diversas capitais do Brasil e em diferentes estágios de crescimento.

De acordo com Marcus Rizzo, diretor da Rizzo Franchise, a pesquisa buscou conhecer, junto às empresas franqueadoras de diversos setores, quais foram as principais dificuldades e decisões tomadas ao longo de suas diferentes fases de existência e amadurecimento que impediram um crescimento maior e mais profissional de suas redes.

"O objetivo foi detectar os motivos que fazem com que o Brasil, apesar de ser um dos primeiros colocados no ranking mundial de empresas franqueadoras, ainda está muito atrás de países mais desenvolvidos no que diz respeito à expansão e crescimento das redes e à falta de profissionalismo. Isso gera uma série de problemas na justiça com franqueados", diz Rizzo.

FORMATOS
Segundo o estudo, vários formatos de franquia são criados para expandir a rede em localidades menores que não comportam o modelo tradicional. Dessa forma, são criados os quiosques, franquias compactas, displays de produtos, ou seja, modelos com investimento menor e mix reduzido de produtos, o que pode levar o franqueador a descaracterizar o negócio.

Na avaliação de Arnaldo Reznik, franqueado da Star Computer há cinco anos e que tem seis lojas da marca no Rio de Janeiro, os quiosques descaracterizam as empresas porque, além da falta de padronização, as franquias deixam de oferecer mix de produtos amplo. "Os franqueados das empresas que oferecem modelos como quiosques perdem no mix de produtos.", frisa o franqueado da Star Computer.

Entretanto, Paulo Carnier, franqueado da rede de lanchonetes Bob"s com um quiosque e quatros lojas, na Barra, Freguesia, Jacarepaguá e Bangu, todos na Zona oeste carioca, concorda parcialmente com o estudo. Segundo ele, os quiosques são boa opção, mas devem estar próximos de uma das lojas da rede para ter assistência do gerente e estoque garantido. É o que acontece com seu quiosque, que fica no térreo do shopping onde o empresário tem uma loja Bob"s.

Simone Viana, gerente de franquia do Sorvete Itália, não acredita que os quiosques dificultem a expansão da rede mesmo com a redução do mix de produto. Dos 50 sabores de sorvete disponíveis nas lojas, o quiosque possui aproximadamente 30. Segundo ela, a padronização, a identidade e a comunicação visual nestes novos formatos são garantidos caso a franquia tenha a preocupação na qualidade e não na quantidade.

PERFIL DO FRANQUEADO
De acordo com Taís Cabral Schmidt, franqueada da Multidiomas em Niterói e master franqueada no estado do Rio de Janeiro, a maior dificuldade é escolher o correto perfil do franqueado. Segundo ela, muitos optam por uma franquia porque acham que não terão chefe e não vão precisar trabalhar mais. Assim, embora seja difícil recusar o investimento de um possível franqueado, deve-se ter cautela na escolha.

"Além da escolha incorreta do perfil de franqueados, muitas redes de franquia não têm experiência na operação de unidades próprias. Se for uma franquia de prestação de serviço, pior ainda porque depende do fator humano e fica até mais difícil a padronização da rede", avalia. Na Multidiomas são aplicados testes para definir se o interessado tem o perfil da marca e posteriormente é marcada uma reunião.

Hygino Marques abriu no Prezunic da Taquara, zona Oeste do Rio, o trailler da Opxão, franquia da Frangos Rica, em novembro de 2005. Marques conta que o nome reconhecido no mercado da empresa fez com que decidisse investir na franquia. Contudo, em agosto deste ano repassou a unidade, embora na época pretendesse abrir o segundo trailler.

"Saí da franquia por falta de tempo. Sou advogado e não conseguia equilibrar as duas funções. É difícil ser franqueado e não estar por perto do negócio, por isso, repassei para outra pessoa a franquia", revela ele, que agora dedica seu tempo integralmente para a carreira de advogado.

EXPANSÃO DESORDENADA
De acordo com o levantamento, foi identificada ainda uma tendência para expansão de maneira desordenada, para chegar a um número de unidades franqueadas que possam justificar os custos da empresa franqueadora, sem a preocupação de selecionar corretamente o franqueado e planejar a expansão de maneira profissional. O resultado é a abertura e o fechamento constante de unidades.

"Acredito que se o franqueador optar pela quantidade e não pela qualidade ao franquear o negócio vai acontecer canibalismo dentro da rede. O Sorvete Itália é bem criterioso ao escolher tanto o ponto comercial quanto o franqueado. A preocupação é que exista um negócio saudável buscando um bom resultado final para o franqueado", diz Simone, do Sorvete Itália.

A seleção incorreta de franqueados traz para rede perfis que normalmente trazem problemas em médio prazo e que, muitas vezes, são irreversíveis, aponta a pesquisa. Entre os franqueados "problema" mais comuns estão ex-funcionários; amigo ou parente do franqueador; o investidor e aquele que quer comprar mais de uma franquia logo na primeira vez.

Empecilhos ao crescimento

Criação de diversos modelos de franquia

Expansão focada na quantidade e não na qualidade

Regionalização de franquias

Franqueadores com diversos negócios diferentes

Falta de experiência na operação de unidades próprias

Franqueados com perfis equivocados

Optar pelo licenciamento ao invés de franquias

Utilizar a franquia como canal de distribuição de produtos

Contratação de corretores de franquias

Fundo de propaganda mal administrado

Franqueados que deixam a rede de franquias e abrem novas empresas

Escolher franquedos exclusivamente pelo investimento que eles têm a oferecer

Fonte: Rizzo Franchise


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