SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 15/12/2006
Autor: Antonio Sebastião Galdeano
Fonte: Site do Empreendedor

O Estalo da Criatividade

Ferramenta de sucesso: o estalo da criatividade

Vivemos no mundo das tecnologias, na sociedade do conhecimento, na sociedade da informação. Segundo estudiosos das organizações contemporâneas, o grande diferencial competitivo das empresas na atualidade é o capital humano que ela possui. O capital humano de uma empresa são as pessoas que compõem a organização. Por isso, cada vez mais, as empresas aprimoram seus processos de seleção de pessoal, investem na formação de suas equipes, sendo que algumas até financiam os estudos de seus colaboradores.

Desenvolver o capital humano nas organizações tornou-se fundamental para a organização contemporânea. E é neste capital humano encontraremos um ingrediente importante para a receita do sucesso: a criatividade.

Vamos dar alguns exemplos de como surge esse processo de criação. Eu sou de um tempo em que as crianças brincavam. Brincavam de verdade, na rua, com os amigos. Não existia vídeo game e o medo excessivo com relação à segurança: naquele tempo, uma pipa, um carrinho de rolimã, um monte de figurinhas para jogar "bafo" com os amigos, era tudo de bom - ou seja, éramos criados para viver em grupos, em equipes - nossos jogos e brincadeiras eram grupais.

Nas férias então, nem se fala. Eu ia para a fazenda em que uns parentes trabalhavam como colonos (não eram fazendeiros não!!!) e, junto com meu irmão e o "cachorro do meu tio" (só o cachorro - o tio não), sumíamos de manhã até a noite no meio dos pastos e das plantações. Quando voltávamos para a colônia onde moravam os trabalhadores da fazenda, além dos carrapatos grudados ao corpo, trazíamos, grudados nas roupas, um amontoado de carrapichos.

E tome bronca da minha mãe e tome deboche da meninada da fazenda. E a mãe dizia: "Vocês não entram em casa enquanto não tirarem todos esses carrapichos da roupa". E para quem não conhece, carrapicho não é coisa que se tire com tapinhas na roupa não - ele gruda mesmo. Você tem de arrancar um de cada vez. Dá um trabalhão danado e, obviamente, sobra tempo para pensar: "Meu Deus, para que serve carrapicho?" E aí eu e meu irmão chegamos à uma conclusão fantástica: o carrapicho não serve para nada! Também concluímos que, pela quantidade desta praga grudada à nossa roupa, o Brasil é o maior produtor de carrapicho do mundo! Quanta inutilidade, vocês concordam? Pois é, mas aí é que entra a discussão sobre a criatividade.

Um cientista suíço, após longas horas sobre o microscópio em que estudava arduamente para comprovar e defender a sua tese, resolve descansar um pouco e, para tanto, saiu caminhando por um lindo bosque europeu. O Brasil é o maior produtor mundial de carrapichos, o que não significa que eles não existam em outras partes do mundo. Pois bem, o cientista suíço, após seu merecido descanso, retornou ao laboratório onde realizava suas pesquisas e percebeu que algo estava grudado na manga de seu paletó. Eram dois carrapichos - nem dez, nem cinqüenta - apenas dois.

O cientista tentou desgrudar os carrapichos com um, dois, três tapas na manga de seu paletó e nada. E aí surgiu o estalo da criatividade: "Ué, não tem cola na minha roupa, não tem cola no carrapicho, como é que isso gruda tanto?" Ele aproveitou o microscópio que estava à sua disposição, colocou os dois sob as lentes e descobriu como eram as garras dos carrapichos. É importante frisar que isso não tinha nada a ver com a pesquisa original desse cientista - esse é o tal insight, o estalo criativo. E sabem o que ele inventou? O velcro. E assim esse homem enriqueceu a partir do acaso.

Do acaso, vocês concordam? É óbvio que não: ele aliou seus conhecimentos à oportunidade que se apresentou - ele teve prontidão, motivação e acima de tudo, criatividade para vislumbrar aquilo que eu e meu irmão não havíamos percebido na fazenda em que brincávamos com o cachorro do meu tio. Essa invenção deveria ter sido feita aqui, na terra do carrapicho, mas foi lá, na terra do chocolate.

E por falar em chocolate, vocês querem outro exemplo de criatividade? Acredita-se que o consumo do chocolate tenha surgido há 3 mil anos nas civilizações Asteca e Maia, na América Central, onde hoje se localizam o México e a Guatemala. Em 1492, quando Colombo, aportou na América Central, os Astecas ofereceram entre outras coisas, sementes de cacau que eram a moeda do país.

Somente 17 anos depois, na Espanha, as possibilidades comerciais do chocolate seriam exploradas por Hernán Cortéz. Chamavam de chocolatl (líquido quente). Para a realeza, continha milho, chili (pimenta malagueta), pimenta-da-Jamaica, cravo, baunilha, pimenta-do-reino, pétalas de flores, urucum e nozes. Porém Cortez teve a idéia de açucará-la com cana de açúcar e anis.

O Rei Carlos V da Espanha acostumou-se a bebê-la açucarada. Na Europa, algumas especiarias recém descobertas, como a baunilha e a canela, foram adicionadas ao chocolate, além do almíscar e do urucum. Rapidamente o chocolate foi conquistando as famílias reais e com o aperfeiçoamento das moendas, pelos monges, com a invenção do motor a vapor, o processo de produção do chocolate foi mecanizado.

Na Suíça, Daniel Peter criou uma maneira de adicionar leite ao chocolate, criando o chocolate ao leite. Em 1879, Henri Nestlé criou o leite evaporado para a produção de chocolate. No mesmo ano, Rodolphe Lindt inventaria um processo, chamado de "fazer conchas", que revolucionou para sempre a textura do chocolate.

Em 1908, Jean Tobler começou a produzir a famosa barra triangular chamada de Toblerone. Todo esse negócio milionário surgido por meio de algumas sementes que eram comidas com pimenta - isso é criatividade!

Mais um exemplo? O chamado "Vin Mariani", originalmente considerado um medicamento e consumido inveteradamente pelo Papa Leão XIII, teve sua fórmula alterada por investidores americanos que adicionaram água ao xarope de coca original, além de outros produtos para minimizar seus efeitos colaterais - surgia assim a Coca-Cola!

E para finalizar, um exemplo ainda mais interessante - um outro investidor francês, pegou a Coca-Cola e lhe retirou todo o xarope, vendendo somente a água gaseificada- estava criada a água Perrier, símbolo de elegância e bom gosto. Detalhe: uma garrafinha desta água custa mais que a da Coca-Cola. Obviamente, esta é uma lenda urbana que atravessa fronteiras.

Brincadeiras à parte, a criatividade, como pudemos ver, é um ingrediente muitíssimo especial para o sucesso organizacional nos dias de hoje. E ela pode ser estimulada.

Pense nisso.

Galdeano, Antonio Sebastião
Mestre em Educação, especialista em Educação Profissional e graduado em Artes Cênicas. Atua como professor em cursos de Gestão de RH e é consultor na área de Desenvolvimento Humano.
HSM Management


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