SEBRAE/SC - Artigos para MPE's

 
  Data Inclusão: 18/12/2006
Autor: Jornal do Commércio
Fonte: Jornal do Comércio

As principais dúvidas antes de abrir uma empresa

Segundo consultores, o mais importante é ter claros objetivos pessoais

Não é fácil abrir um negócio. Mas a dificuldade não é impeditiva para que empreendedores vençam ou sobrevivam no mercado. Os questionamentos para abertura de uma empresa são muitos, as respostas, idem. Para identificar estas indagações, o Sebrae listou para o Jornal do Commercio as principais dúvidas de quem quer começar um empreendimento. Consultores da área econômica avaliaram estas perguntas mais freqüentes e concluíram que os futuros e atuais empresários devem ter claro quais são os seus objetivos pessoais e o que se tem de conhecimento sobre o negócio que pretende realizar ou já realiza.

No ranking dos questionamentos está a dúvida se é melhor abrir um negócio próprio ou franquia. Para Paulo Calarge, sócio proprietário da Wöllner,caso a idéia seja inovadora, não há porque não iniciar o empreendimento como negócio próprio. A grande questão, diz, é avaliar se a idéia é tão extraordinária a ponto de que o mercado perceba a originalidade do empreendimento.

"No caso da franquia, o modelo faz com que o processo seja mais seguro e mais ágil na implantação e no retorno, porém as grandes oportunidades de franquias aliadas a uma boa localização são escassas. Cada vez mais, um estudo detalhado é fundamental para uma boa decisão", revela Calarge. Para Lázaro Mansur, franqueado da Ellus, a segurança da franquia fez a diferença. "Opero franquia há 21 anos", comenta.

INVESTIMENTO. Marcos Mayo, designer e sócio proprietário do ateliê de acessórios Etra, em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro, avalia que a escolha depende de fatores como o investimento que se pretende fazer. "Se o empreendedor tem capital e quer somente ganhar dinheiro, talvez abrir uma loja do McDonald"s seja a melhor sugestão. Se não tem tanto dinheiro e já tem alguma vocação para determinado negócio, talvez seja melhor abrir uma loja própria do que uma franquia", opina.

Segundo Francisco Alves, contador e professor da Faculdade Moraes Júnior/Mackenzie Rio, o sistema de franquia é inconveniente porque o franqueado fica na mão do franqueador e tem que aceitar as cláusulas impostas pelo dono do negócio. Para ele, o franqueado só ganha se tiver volume grande de vendas, porque independentemente da receita que tem, paga valor fixo e percentual sobre o que vende.

Já para o coordenador do MBA em Gestão de Negócios da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Gilberto Alves, a decisão entre franquia ou empreendimento próprio depende do tipo de negócio e do perfil do empresário. De acordo com ele, uma franquia traz vantagens como marca estabelecida, estrutura, experiência adquirida e, geralmente, o franqueador oferece análise de viabilidade para novas unidades franqueadas, reduzindo o risco do investimento. No entanto, avalia que o modelo de franquia limita muito a autonomia na gestão de um novo negócio.

"Empresários que gostam de tomar decisões por sua própria conta podem não se adaptar a este modelo. Além disso, as franquias são mais comuns em atividades ligadas ao comércio e alguns tipos de serviço, como escolas de idiomas. Dependendo do tipo de negócio no qual se deseja investir, pode ser que não existam franquias estabelecidas ou pelo menos que ofereçam as principais vantagens do modelo, como marca consolidada, modelos eficientes e estruturados de gestão", informa.

Cautelosos, os sócios Thiago Facioli e Luis Felipe Dunna optaram pelo sistema de franquia. No início do ano assumiram a loja do Spa do Pé no Shopping Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. "Como começamos do zero e não tínhamos experiência, optamos por uma franquia porque já tem o peso da marca e o franqueador por trás para dar segurança. Aprendi neste pouco tempo que fundamentalmente o dono tem que estar presente no negócio", diz Facioli.

AUTÔNOMOS. Outra dúvida é se o empreendedor deve ser autônomo (profissional liberal) ou empresa. De acordo com Alves, da Faculdade Moraes Júnior-Mackenzie Rio, quem é autônomo oferece uma desvantagem tanto para quem presta o serviço quanto para quem o contrata, pois é tributado pelo Imposto de Renda e pelo INSS (até 11%), e o tomador do serviço recolhe 20%. Na avaliação do coordenador da UVA, Gilberto Alves, em algumas atividades ainda é possível atuar como profissional liberal sem maiores problemas, como é o caso de médicos e advogados.

"Em geral é melhor constituir uma empresa porque o mercado prefere contratar pessoas jurídicas a profissionais autônomos, tanto pela tributação quanto pelo receio de vínculos empregatícios, principalmente no caso de serviços com maior tempo de duração" avalia Gilberto Alves.

Quanto a constituir sociedade ou registro de empresário, também listado como umas das 10 principais dúvidas, o coordenador de MBA da UVA afirma que é indiferente do ponto de vista do mercado para efeito de contratação de serviços, mas quanto à gestão do negócio, divisão de riscos e captação de recursos financeiros, em geral uma sociedade é a opção mais indicada.

Para o professor da Faculdade Moraes Júnior-Mackenzie Rio, o mais recomendado, em geral, é a sociedade, por causa da cota de responsabilidade.

Também entre os questionamentos dos empreendedores figura a dúvida se uma microempresa tem que ter contador. De acordo com Facioli, franqueado do Spa do Pé, é fundamental o empreendimento ter um contador para fazer a folha de pagamento dos funcionários. "Nenhuma organização pode viver sem contador, mas é preciso avaliar o custo de mantê-lo interno como empregado, com todas as despesas trabalhistas e até mesmo o espaço físico que isso implica, ou terceirizá-lo", indica o professor da Moraes Júnior-Mackenzie Rio.

O coordenador do MBA da UVA lembra que, legalmente, não é obrigatório que a microempresa tenha contador, mas devido à complexidade da legislação brasileira e aos riscos envolvidos, principalmente trabalhistas e multas por atrasos em impostos, é bom ter a ajuda de um profissional qualificado.

FINANCIAMENTO. Como conseguir um financimento e novos investidores é outra dúvida. Alves, da UVA, revela que os financiamentos podem ser obtidos com agentes financeiros como bancos. O mais complicado, lembra, são as garantias exigidas. Ele conta que é comum empresários hipotecarem ou alienarem bens de alto valor, como imóveis e jóias, para conseguir financiamentos em bancos, apesar de não ser indicado.

Legalização costuma ser demorada
Figuram na lista de dúvidas também quanto tempo leva e quanto custa legalizar uma empresa. Neste ponto, as opiniões são diversas. Para Lázaro Mansur, franqueado da Ellus, leva muito tempo e também é muito caro. De acordo com Paulo Calarge, sócio proprietário da Wöllner, cerca de 90 dias. Marcos Mayo, designer e sócio proprietário do ateliê de acessórios Etra, considera que vai depender da eficiência do contador. Contudo, na avaliação de Francisco Alves, contador e professor da Faculdade Moraes Júnior/Mackenzie Rio, não custa muito, mas demora e o custo aumenta com a demora. "Geralmente não é possível legalizar uma empresa no Rio de Janeiro em menos de 40 dias e o custo varia entre R$ 800 e R$ 2.200", conta o coordenador do MBA em Gestão de Negócios da Universidade Veiga de Almeida (UVA), Gilberto Alves.

Quanto ao último questionamento da lista, se é melhor adquirir uma empresa funcionando ou constituir uma nova empresa, Alves, da UVA, analisa que uma empresa já funcionando tem vantagens parecidas com as franquias, uma vez que já tem uma marca estabelecida, uma estrutura em funcionamento e resultados que podem ser avaliados e medidos com mais precisão. Por outro lado, tem desvantagens como uma percepção já estabelecida pelo cliente do perfil da empresa, vícios de funcionamento e identificação com o perfil dos donos anteriores.

"Para adquirir uma empresa funcionando precisa uma auditoria profunda para verificar tributos em aberto, obrigações trabalhistas, enfim, uma série de aspectos. Portanto, prefiro uma nova", diz Mansur. Assim como ele, Calarge diz que constituir uma nova empresa é a melhor opção, porque caso a empresa anterior tenha alguma pendência fiscal ou trabalhista, a responsabilidade recairá sobre o novo sócio.

Thiago Facioli e Luis Felipe Dunna, franqueados do Spa do Pé, contam que a loja já existia, mas a antiga dona estava passando a franquia. Surgiu então a dúvida: melhor adquirir uma empresa funcionando ou constituir uma nova empresa? Dessa forma, assumiram o negócio que já estava aberto porque perceberam a oportunidade de continuar com os clientes que já freqüentavam e conheciam o Spa do Pé.

Plano de negócios é essencial
De acordo com Vera Pontes, consultora do Grupo Soares Pereira, seja qual for o negócio, o melhor é reunir as informações necessárias a fim de definir um plano de negócios e estruturar as opções para o futuro empreendimento, que deve ser estudado em seus diversos aspectos. Seja como for, ressalta ela, os desafios são grandes e é preciso estar preparado para enfrentá-los

"O novo empreendimento deve ser analisado do ponto de vista mercadológico, ou seja, conhecer o ramo de atividade, potenciais clientes e fornecedores, concorrentes, praças potenciais e de interesse. É importante avaliar também as questões técnico-operacionais, ou seja, como e quando serão feitos, produzidos, operados os produtos e serviços, com que material e equipamento", indica.

Para a consultora do Grupo Soares Pereira, os aspectos financeiro (receitas e despesas, investimentos, estimativa de resultados), jurídico-tributário (legislação, controles governamentais, licenças especiais, taxas, impostos) e organizacional (quantos e quais os recursos humanos necessários, qualificação) também devem ser estudados.

As principais dúvidas

1. É melhor abrir negócio próprio ou franquia?
2. É melhor ser autônomo (profissional liberal)
ou abrir uma empresa?
3.É melhor constituir sociedade ou Registro de Empresário (antiga firma individual)?
4.Microempresa tem que ter contador?
5.Onde buscar investidor para novas oportunidades?
6. Como conseguir financiamento para início de negócio?
7- Quanto tempo
e quanto custa legalizar uma empresa?
8- É melhor adquirir uma empresa funcionando ou constituir uma nova empresa?

Fonte: Sebrae


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